EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
  

A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS - VI

 

 

 

 

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

 

Não obstante essas observações é importante que os impressos didáticos do século XIX sejam interpretado sem que o analista assuma o viés do presentismo, evitando riscos como o de acusá-los de resumidos, imprecisos ou incompletos. É preciso compreendê-los sob as circunstâncias nas quais foram produzidos e cumpriram a sua função de civilizar os portugueses e brasileiros.

A Geografia Geral da coleção Biblioteca do povo e das escolas ensinou os conteúdos geográficos necessários aos estudantes do século XIX. Os livros que circularam nas escolas e os regulamentos propostos orientaram o ensino dos conteúdos geográficos e compuseram o ambiente que constituiu o ensino da Geografia no período monárquico.

 

 

A COLEÇÃO DA EDITORA DAVID CORAZZI

 

 

            David Augusto Corazzi foi um editor e livreiro português que ganhou muita visibilidade entre o final da década de 70 e o início da década de 90 do século XIX, por saber mostrar a sua competência empresarial, colocando no mercado muitas publicações importantes a preços baixos. Filho de um médico português, aos 27 anos de idade ele vendeu os direitos de publicação de um livro de Medicina escrito pelo seu pai (Novo consultador médico-cirúrgico). Foi com o reduzido capital obtido a partir desta venda que Corazzi deu início a sua bem sucedida carreira de editor. Depois de alguns anos no mercado, “foi em 1881 que o editor publicou seu principal projeto, o primeiro volume da Biblioteca do Povo e das Escolas” (EL FAR, Alessandra. Páginas de sensação: literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). São Paulo, Companhia das Letras, 2004. p. 55).  

 

           

(Continua).



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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h59
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A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS - V

 

 

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

Ainda nesse domínio o autor incluiu o estudo da Hidrografia, Xerografia, Orografia, Geologia, Meteorologia, Climatologia, Geografia Zoológica, Geografia Botânica e Geografia Mineralógica. Outra inferência de domínio feita pelo autor foi a de que a “Geographia Política trata das divisões convencionaes estabelecidas pelos homens á superfície da terra, isto é da sua divisão em nações, e estuda em relação a cada uma d’ellas a extensão territorial, a população, a condição moral e social, o governo, a língua, a religião, o commercio, a industria, a agricultura” (Cf. SOUSA, Francisco Guilherme de. Geografia geral. Lisboa, David Corazzi, 1881. p. 3. (Coleção Biblioteca do Povo e das Escolas)).

O último domínio citado pelo autor foi o da Geografia Histórica que enumera as transformações pelas quais uma região passa, colocando em evidência os povos que a habitaram em diversas épocas e as denominações que recebeu. O forte conteúdo histórico é uma característica muito comum dos livros de Geografia produzidos no século XIX, traço que perdurou até a segunda metade do século XX.

No caso de Sergipe, essa evidência se manifestou até o ano de 1966, quando da publicação da Geografia de Sergipe, do professor Acrísio Tôrres Araújo. Ainda com relação ao caráter histórico da Geografia, é importante mencionar que com a criação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, em 1951, como ocorria em outras instituições de ensino superior do país, foi ofertado um curso de licenciatura unificado: Geografia e História. Somente em 1964 as duas disciplinas foram desmembradas em dois cursos autônomos. Em relação a essa junção, Kant já procurara demonstrar que a função da Geografia seria a de sistematizar a percepção no campo do espaço, enquanto a História faria a sistematização no campo do tempo. Para ele, tempo e espaço são lugares conceituais distintos e, portanto, Geografia e História são saberes separados. Juntas, essas duas disciplinas se completavam, constituindo, dessa maneira, o campo empírico. Chervel argumenta que a História traz em sua bagagem a Geografia, sempre sua auxiliar privilegiada, sendo a origem dessa associação bem francesa, e por muito tempo pouco igualitária entre as duas disciplinas.

O conteúdo da Geografia Geral de Francisco Guilherme de Sousa revela as características do ensino de Geografia no Brasil, em um determinado momento. Durante a segunda metade do século XIX, a Geografia Geral dominava o campo dos estudos de Geografia. Esta marca está presente em livros de Geografia publicados à época, como Lições de Geographia e Cosmographia, de L. M. Canezza e Elementos de Geographia Moderna e Cosmographia, de autoria de P. D’Abreu. Rocha criticou a adoção dos conteúdos de Geografia Geral pelas escolas oitocentistas e utilizou os argumentos do conhecido Parecer de Rui Barbosa para mostrar que a Pequena Geographia da Infância, de Joaquim Maria Lacerda, colocava em evidência a distância existente entre a Geografia ensinada no Brasil e os conteúdos que em nome desta disciplina eram ensinados em outros países como França, Alemanha e Suíça: “Para mostrar o quão infinitamente longe estamos desses modelos, bastará folhear alguns manuais elementares de geografia. Tomemos, por exemplo, a Pequena Geografia da Infância, composta para as escolas primárias. (...) Então, em vez de principiar pelo município, pela Província ou pelo país, o curso consagra as primeiras lições à Europa, à Ásia, à África, à América (onde o discípulo repete simplesmente o nome da pátria, confundindo, sem uma palavra de distinção, entre os demais Estados) e à Oceania, para, depois, recomeçando, estudar a geografia particular de todos os países das cinco partes do mundo, e só no fim receber a notícia do seu (...)”(Cf. BARBOSA, Ruy.  Apud ROCHA, Genylton Odilon Rego da. “A Geografia escolar nos fins do século XIX: revisitando os pareceres de Ruy Barbosa de 1882”. In: I Encontro Nacional de História do Pensamento Geográfico. Vol. I, Rio Claro: UNESP, 1999. p. 186).

 

 (Continua).



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h22
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A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS - IV

 

 

 

 

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

 

Após a abordagem resumida de cada um dos continentes, o autor tratou de cada país. A Europa foi estudada a partir dos seguintes países: “Inglaterra, Escócia, Irlanda, Dinamarca (Archipelago Dinamarquez, Jutlandia, Islândia)”. A Islândia era à época uma possessão de terra pertencente à Dinamarca. Suécia e Noruega (países que faziam parte da Península escandinava), Rússia, França, Bélgica, Holanda, Limburgo, Luxemburgo e Alemanha. A partir dessa seqüência, o autor tratou ainda de quatro reinos: Prússia, Baviera, Saxônia e Wutemberg; de seis grão-ducados: Baden, Hessen-Darmstadt, Mecklenburgo-Schwerin, Oldemburgo, Saxe-Weimar, Mecklenburgo-Strelitz; de cinco ducados: Brunswick, Anhalt-Dessau-Bernburgo, Saxe-Meiningen, Saxe-Coburgo-Gotta, Saxe-Altenburgo; de seis principados: Lippe-Detemold, Reuss-Schleiz-Lobenstein-Ebersdorf, Schwarzburgo-Rudolstadt, Waldeck, Reuss-Greitz, Lippe-Sschauenburgo; de três cidades livres: Hamburgo, Bremen e Lubeck; do governo da Alsacia-Lorena: Strasburgo, Mulhouse, Colmar, Thionville e Schlestadt. Estudou ainda “Austria-Hungria, Suissa, Hespanha, Portugal, Itália, Turquia da Europa, Roumania, Servia, Montenegro, Grécia”. Em relação à Ásia destacou os seguintes países: “Sibéria, Transcaucasia, Turquia Asiática, Pérsia ou Iran, Afghanistan, Herat, Turkestan, China, Japão, Indo-China, Indostão, Arábia”. No continente africano tratou do “Egypto, Berberia ou Maghreb”. Destacou as possessões de terras européias (portuguesas, francesas, espanholas, inglesas) e os estados africanos. No continente Americano apresentou o que ele denominou de regiões: “Groenlândia, América Septentrional Inglesa, Estados Unidos, México, América Central, Nova Granada, Equador, Venezuela, Guyanas, Brazil, Uruguay, Confederação Argentina, Paraguay, Peru, Bolívia, Chili, Antilhas e a Patagônia”. Na Oceânia destacou “Malásia, Melanésia, Micronésia, Polynesia e as Terras Antárticas”.

É possível supor que a ordem estabelecida pelo autor para a apresentação dos continentes revela o nível de importância que cada um tinha na época. Quanto à descrição de cada país, o autor priorizou os seguintes aspectos: superfície, limites, número de habitantes, história, clima, capital e principais cidades. Nas primeiras páginas do trabalho, ele iniciou o assunto conceituando a Geografia como “sciencia que trata da descripção da terra” (Cf. SOUSA, Francisco Guilherme de. Geografia geral. Lisboa, David Corazzi, 1881. p. 3. (Coleção Biblioteca do Povo e das Escolas)). Este era um conceito corrente da Geografia durante a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Um dicionário produzido em 1919, apresenta um verbete que define Geografia como “descrição da terra” e aponta os seus domínios: “com relação ao solo, clima etc. (geografia física); das produções do solo (geografia econômica); com relação as raças, as línguas aos limites dos povos, das instituições (geografia política); com relação a história (Geografia histórica); com relação a figura do globo, ao lugar que ele ocupa no sistema planetário (geografia matemática)” (Cf. Petit Larousse Illustré. Paris: Librairie Larousse, 1919. p. 358).

Esse conceito era o mais adotado pelos intelectuais da época. O autor da Geografia Geral, Francisco Guilherme de Sousa, assim como Laudelino Freire, apontou outros domínios da ciência geográfica: “Geographia mathemática estuda a forma e as dimensões da terra, a sua posição no espaço relativamente aos outros planetas, os movimentos, e ainda a maneira de represental-a, no todo ou em parte, por meio de globos ou de mappas (...) Geographia physica (que se subdivide em varios ramos) trata das divisões e produções naturaes do globo terrestre, da configuração e accidentação da sua superfície” (Cf. SOUSA, Francisco Guilherme de. Geografia geral. Lisboa, David Corazzi, 1881. p. 3. (Coleção Biblioteca do Povo e das Escolas)).

(Continua).



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h32
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34º ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS RURAIS E URBANOS

 

Data: 16, 17 e 18 de maio de 2007 - Hora: 8:00h às 19h

Local: CERU/USP, prédio das Ciências Sociais, sl. 20

Sessões de Comunicações: Os resumos de comunicação deverão conter de 400 a 500 palavras, os resultados de pesquisa já concluída ou em fase final de desenvolvimento. Deverão conter: a) justificativa, b) objetivos, c) marco teórico, d) metodologia, e) resultados. TEMAS: Estudos Rurais, Estudos Urbanos, Educação, Educação Sócio-Ambiental, Metodologia de Pesquisa, Estudos Migratórios, Família e trabalho, Religiões e Religiosidade, Sociologia do Conhecimento, outros. Propostas de estudantes (Iniciação Científica) deverão trazer o aval do orientador. Anexar um curriculum vitae resumido e informar se haverá necessidade de equipamentos para a apresentação e sobre uma eventual impossibilidade de apresentação quanto a dias e períodos. PRAZOS: resumos deverão ser enviados até 10 de abril de 2007. INSCRIÇÕES: R$ 30,00 para sócios quites com a anuidade de 2007; R$ 60,00 para não sócios; estudantes de graduação da FFLCH-USP estão isentos de taxa; R$ 30,00 para estudantes de graduação de outras instituições de ensino; R$ 60,00 para estudantes de pós-graduação. As inscrições deverão ser feitas até o dia 29 de abril. ANUIDADE PARA 2007 Continua fixada em R$ 70,00. Tanto a anuidade quanto a inscrição no Encontro, podem ser pagas na secretaria do CERU ou sob a forma de cheque nominal ao CERU e enviado por correio, ou ainda por meio de depósito bancário - BANESPA, agência 0658, c/c 13 005024 4 e o comprovante com o nome do depositante enviado para o fax (11–3091-3735).



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 17h20
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MATRIZES DO PENSAMENTO LIBERAL

http://jorge.carvalho.zip.net

Data: 23/02-21/12/2007

Local: Auditório do Arquivo do Poder Judiciário do Estado de Sergipe

APRESENTAÇÃO O pensamento liberal é o ponto central de articulação deste seminário. O Liberalismo foi, certamente, durante o século XX, o projeto de organização da sociedade e do Estado que recebeu a maior quantidade de críticas. A contundência desse tipo de crítica tem resultado num desinteresse crescente em face dos clássicos do pensamento liberal. A sistemática deste evento consistirá na realização de reuniões mensais nas quais serão apresentadas e debatidas as principais obras que fundaram o pensamento liberal. O seminário destina-se aos membros do grupo de pesquisa e também a todos aqueles que queiram participar dos debates. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES • 23/02/2007 - ROTTERDAM, Erasmo de. Elogio da loucura. In: Erasmo e Thomas More. São Paulo: Abril Cultural, 1984. (Os Pensadores). Apresentador: Prof. Cristiane Vitório de Souza. • 30/03/2007 - COMENIUS, John Amos. Didática magna: tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966. - Apresentador: Profª. Drª. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (Professora do Departamento de Educação e do Mestrado em Educação – UFS) • 27/04/2007 - HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. In: HOBBES. São Paulo, Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores). - Apresentador: Profª. Vera Maria dos Santos (Técnica do Mestrado em Educação – UFS) • 22/05/2007 - MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990. Apresentador: Prof. Samuel Barros de Medeiros Albuquerque (Aluno do Mestrado em Educação – UFS) • 22/06/2007 - LOCKE, Johnn. Segundo tratado sobre o governo. In: Locke. São Paulo, Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores). Apresentador: Prof. Dr. Francisco José Alves (Departamento de História – UFS) • 27/07/2007 - ROUSSEAU, Jean Jacques. O contrato social. Apresentador: Prof. Antônio Samarone de Santana (Departamento de Medicina – UFS) • 31/08/2007 - COMTE, Augusto. Curso de Filosofia Positiva. In: COMTE. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os Pensadores). - Apresentador: Prof. Elder Teixeira (Aluno do Doutorado em Sociologia - UFBA) • 28/09/2007 - MONTESQUIEU. Do espírito das leis. In: Montesquieu. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os Pensadores). - Apresentador: Prof. Joaquim Tavares das Conceição (Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão) • 26/10/2007 - TOCQUEVILE, Aléxis. Democracia na América. Vol. I. São Paulo: Martins Fontes, 2001. - Apresentador: Prof. Dr. Franz (Departamento de Sociologia – UFS) • 30/11/2007 - TOCQUEVILE, Aléxis. Democracia na América. Vol. II. São Paulo: Martins Fontes, 2001. - Apresentador: Prof. Dr. José Rodorval Ramalho (Departamento de Sociologia – UFS). • 21/12/2007 - WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 5ª ed., São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1987. Apresentador: Profª. Drª. Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento (Universidade Tiradentes). Inscrições e maiores informações, enviar e-mail para jorge@ufs.br



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h37
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   SOBRE O BLOG EDUCAÇÃO É HISTÓRIA








Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos cientí­ficos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase aos estudos sobre História da Educação e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou um ano de atividades na rede Web no último dia 08 de dezembro. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”. Durante os primeiros 12 meses, o blog recebeu 21.717 visitas. Atualizado diariamente, o blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 76 outros importantes endereços da rede Web e publicou informações sobre 24 eventos. Também foram publicados, nesse mesmo período, 298 textos sob a a forma de artigo, 51 notícias e 14 resenhas bibliográficas





Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h36
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History of Education & Children Literature

 

 

Por Antonio Viñao Frago

 

 

 

*History of Education & Children Literature*, números I/1 y I/2 de 2006.
ISSN: 1971-1993 (versión impresa) y 1971-1131 (versión electrónica).

He aquí los dos primeros números de una nueva revista de historia de
la educación y de la infancia (más específicamente, de la literatura
infantil) editada por la Università degli Studi di Macerata (Italia). La
revista nace con una vocación internacional que se advierte tanto en la
composición de su consejo directivo y de su más amplio comite científico
(en los que están presentes profesores e investigadores de Italia,
Suiza, Francia, España, Rusia, Bélgica, Chile, Japón, Croacia, Austria,
Holanda y Bulgaria, entre otros países) como en los autores de los
trabajos incluidos en ambos números y en las lenguas admitidas en sus
páginas (en estos dos primeros números hay artículos en italiano,
francés, inglés y español). La revista se compone de cinco secciones:
"Ensayos e investigaciones", "Fuentes y documentos", "Reseñas críticas y
bibliografía". "Forum de debate" y "Noticias científicas y actividades
de centros de investigación". En su web (http:/www.hecl.it) pueden
consultarse todas las cuestiones relativas a las suscripciones impresas
y "on-line", precios, distribución, periodicidad, redacción, etc.




Categoria: Informação bibliográfica
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h35
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VIII CONGRESO IBEROAMERICANO DE HISTORIA DE LA EDUCACIÓN LATINOAMERICANA

http://

Data: 30 de octubre y 2 de noviembre de 2007

Local: Ciudad de Buenos Aires (Argentina)

Contactos, cruces y luchas en la historia de la educación latinoamericana Primera Circular El VIII Congreso Iberoamericano de Historia de la Educación Latinoamericana se plantea comprender y analizar la historia de los contactos culturales y pedagógicos en América Latina. Para ello propone recuperar tanto los procesos de mezcla, fusión e hibridación como las tensiones entre tradiciones locales, nacionales, regionales y continentales que se manifestaron en las prácticas concretas, en las producciones intelectuales y en las políticas educativas que tuvieron lugar en la historia del Continente. Es claro que los contactos no fueron siempre armoniosos, sino que estuvieron signados por tensiones y conflictos. Por eso la educación latinoamericana fue un espacio de lucha donde distintos sujetos individuales y colectivos postularon visiones y tácticas disímiles marcadas por la asimetría y la desigualdad. En esos cruces emergieron propuestas restrictivas y propuestas democratizadoras que conllevaron estrategias de conocimiento y emprendimientos educativos de distinto alcance. El Congreso tiene como interés especial promover el análisis histórico sobre las múltiples relaciones entre sujetos, comunidades, instituciones y Estados, así como sobre las marcas ocasionadas por las fracturas que atraviesan la historia de la educación latinoamericana. INSTITUCION ORGANIZADORA Sociedad Argentina de Historia de la Educación OBJETIVOS El VIII Congreso Iberoamericano de Historia de la Educación Latinoamericana hace suyos los siguientes objetivos propuestos por el VII Congreso Iberoamericano de Historia de la Educación Latinoamericana realizado en Quito (Ecuador) en 2005: -Contribuir a la comprensión de las relaciones pasado-presente entre la educación, la cultura y la sociedad en América Latina, como soportes fundamentales de las condiciones y transformaciones de fondo de estas sociedades. -Reflexionar sobre los diferentes enfoques y metodologías de la investigación en el campo de la historia de la educación y valorar su desarrollo y avance científico. -Ampliar y consolidar redes de intercambio y cooperación académica de carácter individual o institucional para favorecer el estudio de la historia educativa regional. -Impulsar mecanismos de comunicación académica entre grupos especializados e interdisciplinarios que propicien el análisis histórico comparativo. -Analizar y debatir sobre los problemas contemporáneos del desarrollo de la educación en nuestros países, señalando las debilidades y fortalezas, las similitudes y diferencias en los grandes procesos de reformas educativas del siglo XX. Y agrega los siguientes: -Promover la discusión historiográfica sobre los estudios de historia de la educación en América Latina. -Propiciar la realización de balances históricos sobre el papel jugado por la educación en la construcción de la esfera pública en América Latina. -Estimular la ampliación de trabajos que investiguen sobre los distintos sujetos de la educación latinoamericana, recuperando la pluralidad y la heterogeneidad que los constituye. -Fortalecer la participación de las nuevas generaciones de historiadores de la educación y la cosolidaciòn de espacios de investigaciòn y docencia sobre la historia de la educaciòn latinoamericana TEMAS DEL CONGRESO 1. Historiografía de la educación 2. Historia del currículo y de los saberes escolares 3. Cultura política y educación en la historia de América Latina 4. Historia de la enseñanza de la lectura y escritura 5. Historia de las prácticas pedagógicas, escolares y educativas 6. Historia de la formación docente 7. Interculturalidad en la historia de la educación 8. Estudios de género en la historia de la educación 9. Historia del pensamiento pedagógico 10. Historia de los movimientos y las luchas sociales por educación 11. Historia de las Universidades y la formación de intelectuales 12. Historia de la Infancia y la juventud ORGANIZACIÓN DEL CONGRESO Como en ocasiones anteriores, el Congreso tiene como organización básica la construcción de paneles temáticos propuestos por Coordinadores o armados por la Comisión Organizadora. Ponencias Libres: serán enviadas por el o los autores (en un máximo de tres) a uno de los Temas del Congreso. La Comisión Organizadora las ubicará en paneles afines Paneles propuestos: serán enviados por sus Coordinadores a alguno los Temas del Congreso, y deberán contar con un mínimo de seis y un máximo de doce integrantes de distintos países. Deberán tener comentaristas, pudiendo serlo los mismos Coordinadores u otras personas sugeridas por estos. La propuesta debe contar de: -Titulo del Panel. -CV mínimo de los Coordinadores (máximo de dos) y de los Comentaristas (máximo de dos). -Resúmenes de las ponencias incluidas en el Panel. CRONOGRAMA Antes del 30 de abril: Presentación de propuestas de paneles y de resúmenes de ponencias libres 31 de mayo: Comunicación de su aceptación. Antes del 31 de agosto: Presentación de ponencias completas para su publicación electrónica COMITÉ CIENTIFICO ORGANIZADOR Pablo PINEAU (UBA) Teresa ARTIEDA (UNNE) Adrián ASCOLANI (UNR) Sandra CARLI (UBA) Delfina DOVAL (UNER) Inés DUSSEL (FLACSO) Cristina LINARES (UNLu) Laura MANOLAKIS (UNQ) Lidia RODRIGUEZ (UBA) Myriam SOUTHWELL (UNLP) Mirta TEOBALDO (UNComahue) COMITE CIENTIFICO ASESOR Rubén CUCUZZA (UNLu) Edgardo OSSANNA (UNER) Adriana PUIGGROS (UBA) SECRETARIA GENERAL Belen MERCADO (UBA) Los idiomas oficiales del Congreso son el español y el portugués. Por cualquier consulta, dirigirse a: cihela2007@yahoo.com.ar



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h31
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PRORROGADAS INSCRIÇÕES PARA O XVIII Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN

http://www.cedu.ufal.br/evento/epenn

Data: 01 a 04/07/2007

Local: Maceió-AL

As inscrições foram prorrogadas até o dia 25 de fevereiro de 2007. INSCRIÇÕES Neste evento há possibilidade de se inscrever sem apresentação de trabalho(s) ou com apresentação. Clique abaixo na opção desejada para visualizar as suas respectivas instruções. (1) Inscrições sem apresentação (até 01/07/2007) (2) Inscrições com apresentação (até 25/02/2007)



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h28
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Seventh European Social Science History Conference, Oral History and Life Stories Network

http://www.iisg.nl/esshc

Data: 27 February - 1 March 2008

Local: Lisbon, Portugal

Call for Papers: Negotiating the Truth of Memory The European Social Science History Conference has been held biannually since 1996. The Oral History and Life Stories network has met at each conference since 1998, and interest in it has been steadily rising. In 2004, some seventy participants gathered at the network sessions. In 2006, the network hosted seventeen sessions. With the International Oral History Association conference now meeting every other time outside Europe (Rio in 1998, Turkey in 2000, South Africa in 2002, Rome in 2004, Australia in 2006, Mexico 2008), the network has become the major regular international forum for European oral history and life story researchers. We invite proposals for the University of Lisbon conference on 27 February - 1 March 2008 both for individual papers and for entire sessions. Sessions can have various formats: panels, round table discussions, presentations in other media followed by discussion. We wish to encourage reflection and discussions on the ways memory works and the ways it is used; how truth can be interpreted through the story and through memory, how to discern truth from fantasy, how we remember for the future, and through which other mediums we express memory. We invite contributions discussing conceptual and methodological issues related to memory, employing different concepts of memory based on oral sources and/or personal accounts. We would welcome proposals addressing the following issues: * Oral history as testimony; memory and reconciliation; * Fantasy, dreams, and narrative; the truth of lies; * Memory, body, and emotions; * Memory and ageing; memory across time; * Trauma and negotiating memory; * The voice in oral history; * How to deal with translating transcripts; * Remembering for the future: secondary analysis in oral history; * Recording and interpreting audiovisual history; * Oral history on the web: presentation and dissemination Please send your proposals to both Nanci Adler (n.adler@niod.nl) and Daniela Koleva (daniela@sclg.uni-sofia.bg). Upon submission, you also have to pre-register on the conference website http://www.iisg.nl/esshc where more general conference information is available. The deadline for sending your abstract is 1 April 2007. The Network Committee advising on the 2008 ESSHC includes: Nanci Adler n.adler@niod.nl Network Co-Chair Timothy Ashplant T.G.Ashplant@livjm.ac.uk Joanna Bornat j.bornat@open.ac.uk Gerhard Botz gerhard.botz@univie.ac.at Ela Hornung michaela.hornung@univie.ac.at, Daniela Koleva daniela@sclg.uni-sofia.bg Network Co-Chair Selma Leydesdorff s.leydesdorff@uva.nl Hugo Manson h.manson@abdn.ac.uk, Graham Smith Graham.Smith@sheffield.ac.uk Penny Summerfield penny.summerfield@man.ac.uk Nanci Adler, Daniela Koleva Email: n.adler@niod.knaw.nl; daniela@sclg.uni-sofia.bg Visit the website at http://www.iisg.nl/esshc ________________________________________ H-EDUCATION History of Education Discussion Network E-Mail: h-education@h-net.msu.edu WWW: http://www.h-net.org/~educ ________________________________________



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 13h20
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A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS - III

 

 

 

 

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento enfatizou essa questão ao afirmar que “os textos em circulação no Brasil desde o século XVI e até o início do século XX, mesmo os de autores brasileiros, eram predominantemente produzidos em Portugal, onde a imprensa tipográfica fora introduzida desde 1487” (Cf. NASCIMENTO, Jorge Carvalho do. “Nota prévia sobre a palavra impressa no Brasil do século XIX: a biblioteca do povo e das escolas”. In: Horizontes. Bragança Paulista: Centro de Documentação e Pesquisa em História da Educação. v. 19, 2001. p. 12). Intelectuais portugueses como Valentim Magalhães costumavam afirmar: “o Brasil é o melhor mercado de livros lusitanos” (Cf. MAGALHÃES, Valentim. Litteratura brasileira(1870-1895). Rio de Janeiro, Lisboa: Livraria de Antonio Maria Pereira, 1896. p. 9). Na verdade, eram livros dessa natureza que faziam parte do nosso cotidiano escolar. A Biblioteca do povo e das escolas não destoa da situação acima comentada. Essa coleção portuguesa circulou no Brasil a partir de 1881. Trouxe o conteúdo da Geografia Geral no seu segundo livro, logo depois da publicação da História de Portugal.

O sumário da Geografia Geral publicada pela coleção Biblioteca do Povo e das Escolas explicita que o conteúdo é desenvolvido em cinco partes. Um travessão indica o começo e o fim de cada assunto: “Geographia e suas divisões. Geographia mathematica, physica e politica. – Globo terrestre; linhas e circulos principaes da esphera. – Latitude, longitude. – Pontos cardeaes.— Esphericidade da Terra – Movimentos da Terra – Divisões da Terra. – Divisões da parte solida e da parte liquida; definições. – Raças humanas. – Religiões. Línguas. – Formas de governo. – As cinco partes do mundo. – Oceano e suas divisões. – População do globo. – Mundo conhecido dos antigos”.

Após essa abordagem geral, o autor tratou dos grandes continentes: “Europa, Ásia, África, América e Oceania, destacando de cada um a superfície, a população os limites, a Geografia física e política do continente. Europa: superficie; população; limites. – Geographia physica da Europa – Geographia politica da Europa. – Superficie, população (absoluta e relativa), limites, noticia historica, forma de governo, religião, cidades importantes, etc., de cada um dos Estados da Europa; Asia: superficie; população; limites. – Geographia physica da Asia – Geographia politica da Asia. – Superficie, população, etc de cada um dos Estados da Ásia; Africa: superficie; população; limites. – Geographia physica da Africa – Geographia politica da Africa. – Superficie, população, etc de cada um dos Estados da África; America: superficie; população; limites. – Geographia physica da America – Geographia politica da America. – Superficie, população, etc de cada um dos Estados da América; Oceania: Malasia, Melanesia, Micronésia, Polynesia, Terras antarcticas”.

(Continua).



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h38
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A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS - II

 

 

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

 

A GEOGRAFIA NOS LIVROS OITOCENTISTAS

 

 

O livro didático desempenha um papel importante, impõe uma ordem, decifra e vulgariza os discursos disciplinares. O impresso didático “além de contemplar a prescrição curricular oficial, constitui uma manifestação material e concreta do saber transformado para fins didáticos. Afora isso, oferece um ordenamento aos conteúdos e sugere diversas atividades pedagógicas para se trabalhar tais conteúdos” (Cf. WUO, Wagner. “O ensino da Física na perspectiva do livro didático”. In: OLIVEIRA, Marcos Aurélio Taborda de; RANZI, Serlei Maria Fischer Ranzi. (Orgs.). História das disciplinas escolares no Brasil: contribuições para o debate. Bragança Paulista: EDUSF, 2003. p. 308). Sob tal perspectiva, o conceito de livro didático é tomado aqui a partir de autores que o consideram “como objeto material, diferente de outros tipos de escritos, cuja coerência e completude resultam de uma intenção intelectual ou estética” (Cf. CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. Tradução Fúlvia M. L. Moretto. São Paulo: Editora UNESP, 2002. p. 110). De acordo com o que propõe Roger Chartier, “os livros são vistos aqui como produtores de um universo de inter-relações humanas que se estabelecem a partir das diversas e variáveis maneiras de se abordar a arte da leitura” (Cf. CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Tradução de: Mary Del Priori. Brasília: Editora Universitária de Brasília, 1999). Ainda para Chartier, não existe separação entre a função do livro e a sua materialidade. Muito pelo contrário, elas se completam, tornando-se realidades físicas, e assim passam a existir.

Na mesma direção de Chartier, Munakata compreende o livro didático como objeto material, constituído basicamente de tinta e papel. É um tipo de livro transportado, constantemente, da casa do seu leitor para um lugar específico que se chama escola e, desta para o ponto inicial - e isso quase diariamente. Dentro dessa mesma perspectiva, Carvalho defende a idéia do livro como um objeto cultural que guarda as marcas de sua produção e de seus usos sendo estas reveladoras de modelos, práticas e condicionamentos sociais que vigoraram numa determinada época na sociedade.

No estudo sobre os livros didáticos de Geografia, realizado por Vera Maria dos Santos, é possível identificar muitos trabalhos sobre essa disciplina produzidos em outros países e que circularam no Brasil durante o século XIX. A 13a edição do Manual Enciclopédico, de Emílio Achilles Monteverde, adotado em Sergipe desde 1854, é exemplo de um livro português que circulou em Sergipe. Essa obra, produzida pela Imprensa Nacional de Lisboa, foi indicada para o uso da instrução primária brasileira. O comentário do editor do livro afirma que o Manual Enciclopédico “é uma das melhores obras do Conselheiro Monteverde, preencheu na época da sua primeira apparição uma grande lacuna nos livros clássicos portuguezes, merecendo por issso o prompto, benevolo e largo acolhimento do público, tanto em Portugal como no Brazil, a ponto de se terem publicado doze edições, de muitos milhares de exemplares de cada uma: facto pouco vulgar entre nos” (Cf. MONTEVERDE, Emilio Achilles. Manual Enciclopédico. Lisboa: Imprensa Nacional, [189?]. p. 10).

(Continua).



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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h07
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A BIBLIOTECA DO POVO E DAS ESCOLAS E A GEOGRAFIA GERAL PARA PORTUGUESES E BRASILEIROS

Por Jorge Carvalho do Nascimento e Vera Maria dos Santos 

 

 

 

Geografia Geral foi o segundo livro da Biblioteca do Povo e das Escolas, coleção que começou a circular em 1881 publicando uma História de Portugal. A coleção de 237 livros da Editora David Corazzi, de Lisboa, circulou durante 32 anos, entre 1881 e 1913, em Portugal e no Brasil. Francisco Guilherme de Sousa, autor do segundo livro da coleção, apresentou aos estudantes portugueses e brasileiros uma Geografia Geral na qual desfilam a descrição das raças, religiões, governos e Estados à época existentes e destacou ainda que o texto era ilustrado com um mapa mundi. Este trabalho analisa a circulação da Geografia Geral no contexto da coleção. A análise buscou compreender o discurso do autor e também as estratégias da Casa Editora David Corazzi.

            Os livros da coleção Biblioteca do Povo e das Escolas circularam no Brasil desde o seu lançamento, na década de 80 do século XIX. Os autores deste artigo entraram em contato com a coleção ainda no ano de 1996, quando Jorge Carvalho do Nascimento recebeu trinta e oito exemplares encontrados em um casarão de Salvador e vendidos a um colecionador de Aracaju. Segundo o vendedor, os livros pertenciam aos seus familiares, desde o início do século XX. O exame dos exemplares revelou um material da maior importância. Desde então foram muitas as buscas com o objetivo de melhor entender aqueles trabalhos. No ano de 1997, em Portugal, percorrendo sebos, Jorge Carvalho do Nascimento recuperou vinte e quatro das vinte e nove séries que constituem a coleção.

Os volumes da Biblioteca do povo e das escolas eram publicados quinzenalmente, nos dias 10 e 25 de cada mês, cada um com rigorosas 64 páginas, em formato de 15,5 X 10 centímetros, de composição cheia.  A edição dos dois primeiros volumes foi de seis mil exemplares cada. A partir do terceiro volume começaram a ser impressos 12 mil exemplares de cada vez. A tiragem subiu para 15 mil exemplares a partir do volume 10. A cada oito volumes, os livros recebiam uma única encadernação de capa dura, constituindo uma série. Ao longo dos 32 anos em que a coleção circulou, foram encadernadas 29 séries.

Se do ponto de vista dos problemas que envolviam o mercado de produção e circulação de livros naquele momento, a Biblioteca do Povo e das Escolas é um documento da maior importância, extremamente mais rica se apresenta tal coleção quando pensamos acerca das possibilidades de compreensão do quadro de mentalidades existentes à época e do projeto que se punha à escola como centro de formação no Brasil das últimas décadas do século XIX e das primeiras décadas do século XX. Do mesmo modo, é fértil a contribuição que tais livros podem nos dar quanto aos olhares que temos lançado sobre o nosso passado, principalmente no que diz respeito aos estudos acerca de fenômenos como as práticas culturais e educativas no Brasil.

 (Continua).



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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h50
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   SOBRE O BLOG EDUCAÇÃO É HISTÓRIA


Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos cientí­ficos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase aos estudos sobre História da Educação e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou um ano de atividades na rede Web no último dia 08 de dezembro. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”. Durante os primeiros 12 meses, o blog recebeu 21.717 visitas. Atualizado diariamente, o blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 76 outros importantes endereços da rede Web e publicou informações sobre 24 eventos. Também foram publicados, nesse mesmo período, 298 textos sob a a forma de artigo, 51 notícias e 14 resenhas bibliográficas



Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h37
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS XI

            Na verdade, os manuais de civilidade imitavam as condutas e os padrões de comportamento de determinados grupos das sociedades européias, buscando estabelecer um determinado status social, os seus ideais, os seus gostos, os seus modelos, o refinamento dos modos, as habilidades peculiares que permitiam a conversação com todas as pessoas, um elevado autocontrole. A Igreja Católica brasileira, através dos Salesianos, estava integrada a esse projeto. O projeto de fazer do Brasil uma sociedade na qual fosse visível o distanciamento da barbárie na qual viviam ainda setores tidos como incivilizados, principalmente algumas comunidades rurais e moradores dos bairros periféricos das grandes cidades. Por isto, era fundamental que as escolas cristãs ensinassem o refinamento dos padrões sociais gerais, civilizando o Brasil. Era fundamental difundir a consciência civilizada, incorporada pelos padrões de desenvolvimento científico, tecnológico e artístico com os quais o país pretendia apresentar-se internacionalmente. Esta era a auto-imagem do Ocidente. Esta deveria ser a auto-imagem do Brasil, cristão como as demais nações ocidentais. A linguagem civilizada que os manuais estavam propondo que as escolas católicas adotassem encontrava forte expressão nos hábitos de higiene corporal, nos padrões estéticos da arte, nos padrões de comportamento coletivo, tudo fixado através dos valores morais estabelecidos pelo catolicismo.    

    

BIBLIOGRAFIA

  

CUNHA, Luiz Antonio Rodrigues da. “O ensino industrial-manufatureiro no Brasil”. In: Revista Brasileira de Educação. São Paulo, nº.14, mai/ago, 2000. p.89-107.

 ELIAS, Norbert. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1990.

 MARQUES, Vera Regina Beltrão. 1994. A medicalização da raça. Médicos, educadores e discurso eugênico. Campinas, Editora Unicamp, 1994.

 MATTOS, Ilmar R de. O tempo saquarema. São Paulo. Hucitec, 1987.

 NASCIMENTO, Jorge Carvalho do. “A formação do homem civilizado”. In: Revista Educar-SE. Aracaju, Ano I, nº. 3, março, 1997. p. 33-51.

             . “Contribuição à leitura de Norbert Elias”. In: Cadernos UFS História. São Cristóvão, Vol. 2, nº. 3, Jul/Dez, 1996. p. 19-32.

 OLIVEIRA, Milton Ramon Pires de. Formar cidadãos úteis: os patronatos agrícolas e a infância pobre na Primeira República. Bragança Paulista: Editora da Universidade São Francisco, 2003.

 ORLANDO, Evelyn Almeida. “João Paulo II, os manuais de catecismo, a educação moral e a civilidade”. Comunicação apresentada ao XI Encontro Sergipano de História: Ditadura militar – história e memória. São Cristóvão, Universidade Federal de Sergipe, 2005.

 PEREIRA, Cândido Augusto Sampaio. Entrevista concedida a Marco Arlindo Amorim Melo Nery, no dia 22 de fevereiro de 2004.

 SILVA, Laonte Gama da. Entrevista concedida ao autor no dia 24 de setembro de 2003.

   



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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h17
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