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SOBRE O BLOG EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase aos estudos sobre História da Educação e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou um ano de atividades na rede Web no último dia 08 de dezembro. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”. Durante os primeiros 12 meses, o blog recebeu 21.717 visitas. Atualizado diariamente, o blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 76 outros importantes endereços da rede Web e publicou informações sobre 24 eventos. Também foram publicados, nesse mesmo período, 298 textos sob a a forma de artigo, 51 notícias e 14 resenhas bibliográficas
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h30
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS VI
Buscando ocupar uma posição de importância entre os livros estudados nas escolas, o Compêndio de Civilidade publicado pelos Salesianos brasileiros no início do século XX propunha que a sua aplicação fosse entregue à responsabilidade dos professores mais hábeis, sugerindo a metodologia de uso que via como mais adequada:
Tais professores, em vez de fazerem conferências ou preleções, devem explicar passo a passo o compêndio, fazer dele um como catecismo cívico-moral, mandar decorar em resumo os preceitos gerais, acompanhar a aula teórica com as lições práticas em que se façam movimentos e entabulem diálogos, se manuseiem objetos etc. etc; e tudo isso repetido até se formar na criança e no jovem o hábito de civilidade (p. 4).
Por isto, o Compêndio considerava inútil o trabalho da aula, se depois não fosse possível verificar se o aluno praticava ou não o que lhe foi ensinado, seguindo as prescrições nas suas relações com os seus superiores hierárquicos, com os iguais e com os subalternos, nas suas conversações, na igreja, nas aulas, nos recreios, na sala de jantar, no dormitório etc. Para os autores do Compêndio, deste modo seria possível demonstrar que os colégios católicos sabiam formar os seus alunos para a vida na sociedade contemporânea.
Nos cinco capítulos do Compêndio que discutem os deveres, estão elencados os seguintes: Deveres para com Deus; para com os pais; para com os superiores; para com todos; e, para consigo mesmo. Já os 30 capítulos que dizem respeito aos procedimentos, orientam quanto aos seguintes modos de proceder: na igreja; na aula; na sala de estudo; na mesa; na conversação; nos recreios; fora de casa; nas visitas; nas reuniões, teatros e atos acadêmicos; no asseio; no vestuário, porte e hábitos pessoais; na saudação; nas viagens; como hóspede. Desses capítulos, um deles é dedicado aos procedimentos específicos dos rapazes e um outro aos procedimentos das meninas.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h29
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS V
O Compêndio tomava como ponto de partida a idéia de que “a civilidade nada mais é do que uma parte da caridade – virtude cristã basilar na doutrina católica – e que, por conseguinte, não podemos ser bons católicos se não praticarmos a mais Cortez urbanidade” (p. 3). Essa associação entre a civilidade e as virtudes cristãs era uma preocupação moral que a Igreja Católica esboçava na Europa desde o século VI. Inicialmente, inclusive, em relação aos próprios membros do clero, quanto a determinados hábitos sociais, como o dos quartos de dormir.
O quarto de dormir, que é na sociedade atual um dos mais importantes dentre os espaços privados que dizem respeito à vida íntima do indivíduo, nem sempre teve tal característica. Na sociedade medieval era comum receber visitas nos quartos de dormir e as camas eram símbolo de prestígio social, traduzido pela opulência estética. Muitas pessoas dormiam à noite no mesmo quarto e na classe alta era comum que os serviçais dormissem com o seu senhor, enquanto no quarto da dona da casa dormiam suas damas de companhia. Nos extratos inferiores da sociedade, muitas pessoas – homens e mulheres, inclusive hóspedes – ocupavam o mesmo quarto à noite. Alguns dormiam vestidos, outros inteiramente nus.
Os hábitos em relação ao modo de dormir faziam com que as ordens monásticas impusessem regras que obrigavam seus integrantes a dormirem completamente vestidos, enquanto nos espaços laicos da sociedade a prática social era a de despir-se para dormir. Mas, num determinado momento, mesmo as ordens religiosas afrouxaram tais regras. A partir do século XII muitos monges beneditinos se tornaram prósperos e poderosos, relaxaram o ascetismo e tiveram permissão para dormir sem roupas, rompendo com normas que datavam do século VI e os obrigavam a dormir completamente vestidos, inclusive com os cintos. Não existiam roupas de dormir para religiosos, ou mesmo para homens e mulheres da sociedade laica, na qual se suspeitava serem portadores de alguma doença aqueles que não se despiam ao ir para a cama e passavam a noite com a roupa de uso diário. A suspeita era de que estivessem ocultando o corpo por alguma razão.
Essas relações entre religião e civilidade, tradicionais na Igreja Católica, levavam, no início do século XX, o Compêndio de Civilidade dos Salesianos a afirmar: “sendo, muito embora, verdade que pessoas há extremamente corteses, sem, no entanto, praticarem o catolicismo, podemos asseverar que a sua urbanidade é forçosamente falha e superficial, porque não se inspira na caridade cristã e não atinge a sua força e eficácia na escola dessa sublime virtude. (...) Um católico convicto e praticante, que seja ao mesmo tempo o tipo do cavalheiro, é destinado a tornar-se o ídolo da sociedade. Eis o ideal que com todas as veras desejamos possam atingir os nossos jovens alunos” (p. 4).
O objetivo do Compêndio era o de ser, assim, uma aula de civilidade, do mesmo modo que os manuais de civilidade para meninos publicados desde o século XVI, a exemplo do trabalho de Erasmo de Roterdã, que começou a circular em 1522, embora à época a Igreja Católica houvesse considerado o livro de Erasmo uma leitura inadequada aos católicos. O texto de Erasmo, publicado sob o título de Familiarum Colloquiorum Formulae non Tantum ad Linguam Puerilem Expoliandam, Verum Etiam ad Vitam Instituendam (Colóquios familiares, destinados não só a aprimorar a língua dos jovens, mas também a educa-los para a vida), foi colocado no Index Librorum Proibitorum e considerado ofensivo a instituições e ordens da Igreja, sob a afirmação de que continha imoralidades.
Do ponto de vista da prática social geral, os Colóquios de Erasmo não apresentam nenhuma estranheza quando confrontados à realidade na qual foram produzidos. O texto, assim como muitos trabalhos humanistas do período, apenas não se ajustava ao padrão de sociedade religiosa defendido pela Igreja Católica Romana naquele momento, mas era o ponto de vista das relações sociais seculares (NASCIMENTO, 1997: 39).
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h28
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS IV
O COMPÊNDIO DOS SALESIANOS
Os primeiros manuais de comportamento mais assemelhados com aqueles que conhecemos atualmente dos quais se tem notícia foram redigidos por religiosos cultos, em Latim, desde o século XII. Normas que por volta dos séculos XIV e XV eram aprendidas de cor, como Tischzuchten, ou hábitos à mesa. Esse era um meio de condicionamento muito importante, principalmente na sociedade medieval, em face da escassez de livros. Os preceitos eram transformados em rima para que fossem decorados com maior facilidade quanto ao que se devia fazer ou não fazer à mesa. Os Tischzuchten não eram livros de boas maneiras à moda dos trabalhos produzidos hoje por autores individuais, mas sim a reunião de fragmentos de várias tradições orais, reflexo dos costumes coletivos que descreviam a tipicidade social.
Esses manuais se multiplicariam na Europa, nos séculos seguintes, e se difundiriam de maneira muito acentuada na América, durante os séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, inclusive no Brasil. Não causa qualquer estranheza, portanto, que, durante a primeira metade do século XX tenham sido numerosos os manuais de civilidade que circularam no Brasil, boa parte deles produzida para atender a necessidades escolares. Foi com este intuito que os padres salesianos publicaram, no início da década de 20, o seu Compêndio de Civilidade, para uso das famílias e dos institutos educativos. Em 1930, o livro estava circulando em sua sétima edição, com 42 mil exemplares. O trabalho era uma das principais publicações da coleção P.S.S. Através dessa coleção, a Livraria Salesiana Editora, que funcionava em São Paulo, distribuía em todo o país 28 títulos de livros escolares. O Compêndio continha 115 páginas, no formato 12 X 18,5 centímetros.
O trabalho estava dividido em 35 capítulos, uma “página negra” e um apêndice, além de conter um prefácio dos editores. Os cinco primeiros capítulos eram dedicados aos “Deveres”, enquanto os 30 capítulos restantes eram reservados aos “Procedimentos”, dos quais o último tratava exclusivamente das meninas. A “página negra” trazia uma lista das grosserias mais comuns, enquanto o apêndice ensinava a escrever cartas.
Entre as décadas de 20 e 60 do século XX, o Compêndio foi adotado em escolas salesianas e em outras instituições de ensino, principalmente católicas, posto que destinado quase exclusivamente “a alunos de colégio e aos jovens filhos de família” (p. 3). O propósito da publicação era muito claro, buscando suprir “a falta de um compêndio de civilidade suficientemente desenvolvido e adaptado às famílias e colégios católicos, no qual os preceitos fossem acompanhados de considerações morais, formando assim um pequeno tratado de boa educação” (p. 3). Portanto, a pretensão era a de aliar aos princípios religiosos mecanismos de autocontrole dos impulsos que se consolidassem cada vez mais, reduzindo e internalizando os conflitos entre os impulsos e as tendências socialmente pouco admissíveis e aquilo que é desejado de cada um.
O Compêndio tomava como ponto de partida a idéia de que “a civilidade nada mais é do que uma parte da caridade – virtude cristã basilar na doutrina católica – e que, por conseguinte, não podemos ser bons católicos se não praticarmos a mais Cortez urbanidade” (p. 3). Essa associação entre a civilidade e as virtudes cristãs era uma preocupação moral que a Igreja Católica esboçava na Europa desde o século VI. Inicialmente, inclusive, em relação aos próprios membros do clero, quanto a determinados hábitos sociais, como o dos quartos de dormir.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h47
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS III
Foi também em nome da civilização que o Brasil aprofundou um vigoroso debate educacional a respeito do ensino agrícola durante a segunda metade do século XIX. Essas discussões persistiram, atravessando as primeiras décadas do século XX. Um debate que reunia juristas, políticos, médicos, clérigos, militares e professores, dentre outros. Todos eles buscando apoiar-se em preceitos cientificistas.
Tratava-se, antes de tudo, de uma verdadeira cruzada civilizatória a que se atiravam os eugenistas, estes arautos dos tempos modernos. Na sua missão, ocuparam todos os espaços possíveis: as academias médicas, as sociedades filantrópicas, as casas legislativas, as escolas, as delegacias de polícia, os tribunais de justiça, estabelecendo uma verdadeira rede de solidariedade entre discursos, instituições e personagens, entre estes o médico, o pedagogo, o jurista, os agentes do controle social repressivo, a dona de casa, o pai preocupado com o destino de sua prole (MARQUES, 1994: 15).
Sob a inflexão eugenista, os projetos que debatiam o ensino agrícola buscaram sua inserção no âmbito do debate educacional, questão que, de resto, mobilizava amplos setores da vida social, “conquistava participantes e para a qual confluíam aspectos diversos, delineando um rol temático que integrava os investimentos das elites urbanas em luta pela hegemonia” (OLIVEIRA, 2003: 58).
Contudo, os ideais civilizatórios não foram exclusividade do ensino agrícola. Outros discursos acerca da escolarização adotados no início do século XX, como o das escolas de aprendizes e artífices buscavam tal finalidade. Segundo Vera Regina Beltrão Marques, partia-se do pressuposto que somente a instrução do povo propiciaria a conquista da cidadania, culminando na transformação do país em uma nação civilizada (MARQUES, 1994). No mesmo período, a Associação Brasileira de Educação (ABE) enfatizava em seus discursos “a educação moral e disciplina para o trabalho como pressupostos indispensáveis para alcançar a civilização” (MARQUES, 1994: 105). Esse mesmo entendimento civilizatório que contaminou a nação foi responsável pela criação de uma rede nacional de patronatos agrícolas que, através de suas práticas educativas, buscava formar cidadãos civilizados.
Civilizar significava também proteger a sociedade contra a desordem, capacitando e ocupando os desocupados e ociosos, os então chamados “desfavorecidos da fortuna”, de modo a propagar os valores atribuídos à sociedade industrial, associando o conceito de civilização aos ideais do progresso e da democracia (CUNHA, 2000: 94).
Todos estes discursos levavam em consideração o fato de que como espaço que reúne um grande número de pessoas e que tem objetivos civilizatórios de transmissão dos padrões culturais em circulação, a escola inclui dentre os seus procedimentos disciplinadores o ensino da renúncia à violência física, estabelecendo convenções destinadas a controlar a conduta, modelar os afetos e regular as maneiras. E ao faze-lo, pensava não apenas em alunos oriundos dos grupos sociais mais pobres. O sentido civilizatório estava presente nas diversas escolas, fossem elas destinadas ao atendimento de alunos mais pobres ou aos filhos das famílias mais abastadas.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h00
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS II
A difusão dos manuais de civilidade se acentuou ao longo do século XIX. Porém, nenhum outro momento da história registra um entusiasmo tão acentuado para com essas práticas quanto a primeira metade do século XX. Naquele período, em 1939, apareceram os dois volumes do clássico texto de Norbert Elias Prozess der Zivilisation. Soziogenetische und Psychogenetische Untersuchungen (O Processo Civiilzador. Investigações Sociogenéticas e Psicogenáticas). O trabalho do sociólogo alemão surgiu quase que contemporaneamente aos clássicos O outono da Idade Média, de Huizinga, e O amor e o Ocidente, de Denis de Rougemont. Apesar da importância do trabalho de Elias, a sua primeira edição francesa é de 1973, tendo sido publicado pela primeira vez em inglês somente no ano de 1978. O primeiro volume da edição brasileira – a primeira em língua portuguesa – é de 1990.
A obra de Norbert Elias tem importância para a Sociologia, para a História, para a Filosofia, para a Psicologia, para a Pedagogia e para a Ciência Política. O seu referencial sociológico é construído a partir da investigação das aparências do comportamento do chamado homem educado.
Ele se dedica a entender como os homens se educam, como adquirem boas maneiras. Na sua trajetória de estudos, Norbert Elias incorporou influências importantes na direção do esclarecimento do seu objeto. Assim é, ao mesmo tempo, entusiasta de Nietzsche e de Freud. Do primeiro trabalha bem com a idéia de moralidade como algo adquirido “por um processo de adestramento que terminou fazendo, do homem um animal interessante, um ser previdente e previsível”. De Freud incorpora a idéia de que a infelicidade do homem como indivíduo é tanto maior quanto mais aumenta a sua própria civilização (NASCIMENTO, 1996: 20).
O DISCURSO CIVILIZATÓRIO NO BRASIL
Sob a monarquia do século XIX, principalmente a do Segundo Império, foi muito forte o discurso civilizador. Em 1841, um relatório do Ministério da Justiça distinguia os habitantes do litoral, os civilizados, dos demais habitantes do sertão, tidos como bárbaros pelas autoridades monárquicas (MATOS, 1987: 33), principalmente no período de governo dos dirigentes Saquaremas. Era muito caro a este grupo de senadores, magistrados, ministros, conselheiros de Estado, bispos, professores, médicos, jornalistas, literatos e os ocupantes de cargos nos mais distintos escalões administrativos do Império, além daqueles que poderiam ser classificados como agentes “não públicos”, a preocupação em justificar suas ações pelos parâmetros fixados tanto com base na adesão aos princípios de ordem e civilização quanto pela ação visando a sua difusão. Os cidadãos que viviam o momento de consolidação do Império do Brasil, os homens livres, tanto precisavam se reconhecer quanto serem reconhecidos como membros de uma comunidade – o mundo civilizado – animada pelo ideal do progresso. O Império vendia a imagem de ocupar um lugar distinto entre as nações, no mundo civilizado, pela sua posição geográfica (MATOS, 1987: 13).
O discurso civilizatório fazia com que até mesmo alguns elementos de crítica ao regime monárquico fossem tomados em favor da Monarquia. Assim, providências como a repressão ao tráfico, adotadas a partir da década de 50 do século XIX, apareciam como uma ação civilizadora da Coroa, apresentando a esta na condição de uma entidade que agiria sempre acima dos partidos e dos interesses particulares e imediatos, e preocupada em depurar sua maior criação – o Império, face iluminada da classe senhorial (MATOS, 1987: 227).
A preocupação em civilizar o Brasil fez com que, no mesmo século XIX, se discutisse a imigração de estrangeiros. Esta era entendida como uma forma de trazer novos hábitos culturais, de difundir o cultivo de outros produtos e técnicas agrícolas e industriais ou, ainda, de acordo com a mentalidade vigente, aumentar o contingente demográfico de europeus e seus descendentes – os únicos capazes de produzirem uma sociedade civilizada, segundo o entendimento à época dominante.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h37
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MATRIZES DO PENSAMENTO LIBERAL
http://jorge.carvalho.zip.net
Data: 23/02-21/12/2007
Local: Auditório do Arquivo do Poder Judiciário do Estado de Sergipe
APRESENTAÇÃO O pensamento liberal é o ponto central de articulação deste seminário. O Liberalismo foi, certamente, durante o século XX, o projeto de organização da sociedade e do Estado que recebeu a maior quantidade de críticas. A contundência desse tipo de crítica tem resultado num desinteresse crescente em face dos clássicos do pensamento liberal. A sistemática deste evento consistirá na realização de reuniões mensais nas quais serão apresentadas e debatidas as principais obras que fundaram o pensamento liberal. O seminário destina-se aos membros do grupo de pesquisa e também a todos aqueles que queiram participar dos debates. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES • 23/02/2007 - ROTTERDAM, Erasmo de. Elogio da loucura. In: Erasmo e Thomas More. São Paulo: Abril Cultural, 1984. (Os Pensadores). Apresentador: Prof. Cristiane Vitório de Souza. • 30/03/2007 - COMENIUS, John Amos. Didática magna: tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966. - Apresentador: Profª. Drª. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (Professora do Departamento de Educação e do Mestrado em Educação – UFS) • 27/04/2007 - HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. In: HOBBES. São Paulo, Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores). - Apresentador: Profª. Vera Maria dos Santos (Técnica do Mestrado em Educação – UFS) • 22/05/2007 - MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990. Apresentador: Prof. Samuel Barros de Medeiros Albuquerque (Aluno do Mestrado em Educação – UFS) • 22/06/2007 - LOCKE, Johnn. Segundo tratado sobre o governo. In: Locke. São Paulo, Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores). Apresentador: Prof. Dr. Francisco José Alves (Departamento de História – UFS) • 27/07/2007 - ROUSSEAU, Jean Jacques. O contrato social. Apresentador: Prof. Antônio Samarone de Santana (Departamento de Medicina – UFS) • 31/08/2007 - COMTE, Augusto. Curso de Filosofia Positiva. In: COMTE. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os Pensadores). - Apresentador: Prof. Elder Teixeira (Aluno do Doutorado em Sociologia - UFBA) • 28/09/2007 - MONTESQUIEU. Do espírito das leis. In: Montesquieu. São Paulo, Abril Cultural, 1983. (Os Pensadores). - Apresentador: Prof. Joaquim Tavares das Conceição (Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão) • 26/10/2007 - TOCQUEVILE, Aléxis. Democracia na América. Vol. I. São Paulo: Martins Fontes, 2001. - Apresentador: Prof. Dr. Franz (Departamento de Sociologia – UFS) • 30/11/2007 - TOCQUEVILE, Aléxis. Democracia na América. Vol. II. São Paulo: Martins Fontes, 2001. - Apresentador: Prof. Dr. José Rodorval Ramalho (Departamento de Sociologia – UFS). • 21/12/2007 - WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 5ª ed., São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1987. Apresentador: Profª. Drª. Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento (Universidade Tiradentes). Inscrições e maiores informações, enviar e-mail para jorge@ufs.br
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 20h26
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SOBRE O BLOG EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase aos estudos sobre História da Educação e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou um ano de atividades na rede Web no último dia 08 de dezembro. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”. Durante os primeiros 12 meses, o blog recebeu 21.717 visitas. Atualizado diariamente, o blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 76 outros importantes endereços da rede Web e publicou informações sobre 24 eventos. Também foram publicados, nesse mesmo período, 298 textos sob a a forma de artigo, 51 notícias e 14 resenhas bibliográficas
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 20h24
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BOLÍVAR, A. Educación para la ciudadanía. Algo más que una asignatura. Barcelona: Graó, 2007, 216 págs.
Panorámica introductoria hecha por una persona que domina el tema tanto en su dimensión filosófica y ética –no en vano su autor fue durante muchos años Catedrático de Filosofía en un Instituto de Bachillerato– como didáctica. Los nueve capítulos del libro se estructuran en dos grandes bloques. En la primera parte –"Una ciudadanía activa y responsable en un marco comunitario”– se presenta sintéticamente el marco teórico dentro del cual se fundamenta actualmente la educación para la ciudadanía; al entenderse desde una perspectiva comunitaria, en los capítulos cuarto y quinto se detalla su articulación con las dinámicas del centro escolar y del conjunto de la sociedad. En el segundo bloque –"La educación para la ciudadanía en el currículo”– A. Bolívar aborda en tres capítulos lo siguiente: el diseño del currículo, haciendo una lectura crítica del discurso de las competencias; los contextos y dimensiones que pueden emplearse en su organización y, tras una escueta mirada hacia el pasado, la posición de esta nueva asignatura en los niveles obligatorios de enseñanza. Hay también dos útiles anexos en los que se glosan los Decretos de Mininos de la Educación primaria y de la Educación secundaria obligatoria. El libro, publicado por Graó en su colección "Crítica y Fundamentos" se cierra con una bibliografía muy actual respecto a los asuntos que se tratan. Resumiendo: un trabajo de lectura provechosa firmado por un estudioso que conoce desde dentro iniciativas como la del Proyecto Atlántida y es bien consciente de las muchas limitaciones de la LOE. Pese a ello, y desde perspectivas defensoras de una escuela que ayude a garantizar la equidad, apuesta por la creación de equipos de trabajo y redes de centros cuyas prácticas –siguiendo en cierto modo la estela de las realizadas en aquellas escuelas democráticas de las que se nos hablaba en un libro compilado por M. Apple y J. A. Beane publicado por Morata hace ya una década– pongan de relieve que la educación para la ciudadanía es, justamente, algo más que una materia escolar: ¡un buen reto!
Resenha elaborada por Alberto Luis Gómez (Departamento de Educación - Universidad de Cantabria - Edificio Interfacultativo, despacho 335 - Avda. de los Castros, s/n - E-39005 Santander)
Categoria: Informação bibliográfica
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 20h23
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AS BOAS MANEIRAS COMO VIRTUDE CRISTÃ: O COMPÊNDIO DE CIVILIDADE DOS PADRES SALESIANOS
O savoir vivre não é invenção isolada de quem quer que seja. As boas maneiras que a aristocracia ocidental do século XVI incorporou resultam da aglutinação de padrões de comportamento observáveis em elementos de origem social diversificada, em face do progresso econômico que as camadas médias da sociedade começaram a experimentar – fato que ganharia transparência no século XVIII.
O clero ficou bastante entusiasmado com a incorporação de vários padrões de comportamento e foi, a partir do século XVIII, um grande agrupamento social que se dedicou a divulgar os costumes da corte. A Igreja via nos novos hábitos mecanismos que se prestavam ao controle das emoções, a disciplinar o comportamento e que traziam para o catolicismo aquilo que se desenvolvera como fenômenos seculares. Com isto, a civilidade incorporou alicerces cristãos e foi, cada vez mais, um padrão desejado e imposto a extratos sociais menos privilegiados. A Igreja Católica que, no século XI, enxergara heresia no uso do garfo, teve no século XVIII uma posição diametralmente oposta, como percebe Norbert Elias nas regras de civilidade cristã divulgadas pelo padre La Salle:
É surpreendente que a maioria dos cristãos considere o decoro e a civilidade como uma qualidade puramente humana e mundana e, não pensando em elevar mais ainda sua mente, não a considere uma virtude relacionada a Deus, ao próximo, a nós mesmos. Isto mostra bem quão pouco cristianismo existe no mundo (ELIAS, 1990: 111).
Responsável por boa parte da educação escolar no mundo ocidental, a Igreja Católica criou condições para que, principalmente a partir do século XVIII, diferentes sociedades fossem invadidas por uma onda de civilidade. Livros sobre o assunto foram distribuídos às crianças, juntamente com as primeiras lições e os manuais de leitura e escrita, criando na elite social um certo desdém em face de determinados padrões.
Muitas razões morais cumprem o mesmo papel exercido por razões de higiene, por exemplo, no condicionamento das crianças à aceitação de padrões sociais. O indivíduo assume o comportamento socialmente desejável, convencido de que, através do seu livre arbítrio, está optando por aquilo que é mais adequado para que tenha uma vida saudável e digna (NASCIMENTO, 1997: 37).
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h00
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