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A organização do Escotismo brasileiro como associação voluntária V
Mesmo em regiões do Brasil de acesso mais difícil, o Escotismo conseguiu se implantar ainda durante a primeira metade do século XX, como o território do Guaporé, atual Estado de Rondônia, onde o movimento escoteiro chegou em 1943, por intermédio do trabalho de Oldegar Franco Vieira.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h24
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A organização do Escotismo brasileiro como associação voluntária IV
A Associação Brasileira de Escoteiros foi responsável pela organização do primeiro congresso de Escotismo que se tem notícia no país, realizado no Estado de São Paulo em 1917, sob a coordenação de Américo Neto. Os congressos realizados nos anos de 1922 e 1923 na cidade do Rio de Janeiro pela Associação de Escoteiros Católicos do Brasil foram considerados por aquela entidade como o primeiro e o segundo do gênero realizados no país. No mesmo período dos congressos, ocorreram Jamborees. Enquanto o Congresso de 1917 em São Paulo não deixou registros, os dois da década de 20 foram registrados em dois longos relatórios que o presidente dos eventos, João Peixoto Fortuna, produziu: os seus anais (Livro dos Congressos Escoteiros do Brasil – 1922-1923. Primeiro e Segundo Jamboree Brasileiros. Theses e Relatórios). O congresso de 1922, secretariado por Amador José Lopes, teve início no dia seis de abril e foi encerrado no dia 15 de maio. Durante o evento aconteceram oito reuniões: uma preparatória, no dia seis de abril; cinco sessões ordinárias; uma sessão solene no dia 15 de abril; e, a sessão de encerramento, no dia 15 de maio. O conclave contou com a participação de 64 congressistas, representantes de 14 associações escoteiras, listadas pelo Almirante Bernard David Blower: Associação Brasileira de Escoteiros (São Paulo), Associação de Escoteiros do Alecrim (Natal), Confederação dos Escoteiros do Mar, Escoteiros do Estado do Pará, Escoteiros da Escola Pedro II (Petrópolis), Escoteiros do Fluminense Futebol Clube, Escoteiros de São Cristóvão, Associação dos Escoteiros Católicos de Botafogo, Baden-Powell Boys Scouts First Troop, Escoteiros de São Francisco Xavier, Associação de Escoteiros Municipais, Escoteiros de São Gonçalo, Liga Fluminense (Niterói) e Associação de Escoteiros Católicos do Brasil.
No Segundo Congresso, realizado um ano depois, tomaram parte 82 congressistas, representando as seguintes associações: Associação Brasileira de Escoteiros, Associação dos Escoteiros do Alecrim (Rio Grande do Norte), Liga Amazonense de Escoteiros, Associação dos Escoteiros do Pará, Escoteiros da Escola D. Pedro II (Petrópolis), Associação dos Escoteiros Católicos de Botafogo, Escoteiros de São Cristóvão, Escoteiros de Icaraí e Paquetá, Baden-Powell Boys Scouts 1 st troop, Escoteiros de São Francisco Xavier, Associação de Escoteiros Municipais, Liga Fluminense (Niterói), Escoteiros do Botafogo Futebol Clube, Escoteiros do Clube de Regatas Flamengo, Confederação dos Escoteiros do Mar e Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil.
Não apenas a Igreja Católica tomou iniciativas para organizar o movimento escoteiro e buscar reconhecimento internacional. A Igreja Metodista Americana do Rio de Janeiro fundou um grupo de escoteiros, em 1916, com o nome Union Church Boy Scouts que, em 1920, afastou-se da Igreja. Passou a funcionar de modo independente e, em 1921, adotou o nome de 1st Rio Baden Powell Boys Scouts, recebendo registro da Boy Scouts Association, de Londres. Seguia as normas do Escotismo inglês. Todas as suas publicações, uniformes e distintivos vinham diretamente da Inglaterra. Porém, aceitava não apenas jovens de nacionalidade inglesa, mas também brasileiros e de toda e qualquer nacionalidade, desde que falassem o idioma inglês. Um outro grupo com as mesmas características surgiu em Niterói: 1st Nictheroy Baden Powell Group. O funcionamento dos grupos sob tais condições foi permitido até o ano de 1942, quando foi decretada a nacionalização de todas as entidades estrangeiras.
Em 1914 começou a funcionar um grupo no Ginásio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. O grupo foi organizado pela professora Camila Furtado Alves e pelo Tenente do Exército Tancredo Gomes Ribeiro.
Ainda em dezembro de 1914 ocorreu a instalação do Grêmio dos Bandeirantes Mineiros, na cidade de Rio Novo, distante 45 quilômetros de Juiz de Fora, fundado pelo professor Alípio de Araujo. O Grêmio era dirigido pelo Tenente Alípio Dias. Em Minas Gerais, na década de 20, várias outras instituições organizariam grupos de escoteiros conforme o modelo das associações voluntárias: Colégio Arnaldo, Escola Italiana Dante Alihieri, Escolas Reunidas Lúcio dos Santos, América Football Club. O grupo escoteiro que funcionou neste clube fora fundado em 1921, pelo médico Henrique Marques Lisboa e funcionou na sua residência, até ser transferido para a sede do clube, em 1924. A prática de criar grupos de escoteiros continuou a ser adotada. Em Belo Horizonte, na década de 30, várias instituições escolares mantinham grupos de escoteiros em funcionamento, como o Colégio Afonso Arinos, que patrocinava, na época, o Grupo Escoteiro Afonso Arinos.
Também importantes intelectuais da Educação que atuavam no Brasil, como Helena Antipoff, buscaram contribuir para com a organização e difusão do Escotismo. Em 1934, ela convidou o chefe Azambuja Neves, para que este fosse a Minas Gerais dirigir um acampamento escola para chefes escoteiros.
No Estado do Espírito Santo, o Escotismo chegou em 14 de junho de 1915, com a Associação de Boys Scouts de Vitória, fundada pela Missão Batista daquele Estado, sob a liderança do reverendo Loren Reno[i]. A Associação fundada no Estado do Espírito Santo filiou-se a Boy Scouts of América, em Nova York. A Associação Brasileira de Escoteiros tomou conhecimento da sua existência em 1916, quando um seu representante, Erasmo Braga, em visita a entidade norte-americana, foi informado a respeito do seu funcionamento.
A expansão da quantidade de grupos escoteiros havia levado os militantes do movimento a dar início a organização de federações e entidades similares desde 1915, quando foram criadas a Associação Pernambucana de Escoteiros, a já citada Associação de Boys Scouts de Vitória, a Comissão Regional de Escoteiros do Paraná, a Associação Paranaense de Escoteiros e a Legião Amazonense de Escoteiros. A Comissão Regional de Escoteiros do Paraná foi criada na cidade de Paranaguá e era dirigida por Affonso Wanderley e Lydio Albuquerque. Era uma associação livre[ii].
Em 1917 foi a vez da Associação Maranhense de Escoteiros. A entidade do Maranhão foi fundada por Antônio Lopes da Cunha.
Em 1917, quando exercia a presidência da Liga de Esportes Terrestres do Pará, Benjamin Sodré implantou uma seção escoteira na entidade, para organizar grupos de escoteiros naquele Estado. O primeiro grupo paraense a funcionar efetivamente foi o Grupo de Escoteiros de Belém, patrocinado pelo Paissandu Sport Club, instalado em 1919, um ano antes da entrada em funcionamento dos grupos escoteiros do Instituto Lauro Sodré, uma escola técnica, e do Colégio Nogueira Travassos. No mesmo ano, funcionaram os grupos de Soure e Pinheiros, todos articulados em torno da Associação Paraense de Escoteiros.
No Estado do Rio Grande do Norte, em 1917, Luiz Soares de Araújo e Monteiro Chaves organizaram o Grupo de Escoteiros do Alecrim, transformado em Associação de Escoteiros do Alecrim – AEA, em 1919. A AEA foi criada pelo vice-governador Henrique Castriciano de Souza, a partir de uma carta enviada por Olavo Bilac, sugerindo a iniciativa.
Em outros Estados, como o Mato Grosso, o Escotismo também foi visto como prática de associativismo que possibilitava o estímulo à permanência dos alunos carentes na escola. No Mato Grosso do Sul, o movimento escoteiro chegou apenas na segunda metade do século XX. O primeiro grupo escoteiro do Estado foi o Oswaldo Cruz, denominação alterada quatro meses depois quando o grupo passou a se chamar Olavo Bilac/SESI, fundado em 16 de julho de 1966.
[i] Loren Reno introduziu a religião Batista no Estado do Espírito Santo e criou também o Colégio Americano Batista de Vitória.
[ii] A Associação Paranaense de Escoteiros foi criada em Curitiba, no mesmo ano de 1915. Tinha o caráter de política de Estado e funcionava nas dependências do Tiro Rio Branco, sendo constituída por tropas dessa instituição e da Escola Republicana Oliveira Bello. Esta Associação foi elevada à condição de sede central do movimento escoteiro do Paraná, a partir de 1918, sob a presidência de Enéas Marques dos Santos e secretariada por Olivier da Costa Lima. A partir de 1923 o Paraná introduziu o Escotismo em todas as escolas daquele Estado. Cf. BLOWER, Almirante Bernard David. História do Escotismo brasileiro. 1910-1924. Tomo I. Rio de Janeiro, Centro Cultural do Movimento Escoteiro, 1999. p. 54.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 05h43
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SOBRE O BLOG EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase nos estudos sobre História da Educação, História da Cultura e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou dois anos de atividades na rede Web no último dia 08 de dezembro de 2007. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”. Durante 24 meses, o blog recebeu 67.051 visitas, das quais 21.717 nos primeiros doze meses e 45.334 no seu segundo ano. Assim, no primeiro ano de funcionamento o blog recebia uma média de 1.809 visitas por dia, número que se elevou para 3.777 visitas diárias no segundo ano, superando o dobro de visitas diárias, que eram 60 no primeiro ano e passou para 123 neste segundo ano de atividades. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 90 outros importantes endereços brasileiros e estrangeiros da rede Web e nestes 24 meses de atividade publicou informações sobre 48 eventos nacionais e internacionais. Também foram publicados, nesse mesmo período, 596 textos sob a forma de artigo, 102 notícias e 28 resenhas bibliográficas. São 24 novos artigos a cada mês, além de 4 novas notícias, dois novos eventos e uma resenha bibliográfica inédita a cada 30 dias
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 05h37
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A organização do Escotismo brasileiro como associação voluntária III
A Associação Brasileira de Escoteiros trabalhou no sentido de difundir o Escotismo não apenas em São Paulo, mas buscou levá-lo também para os Estados de Minais Gerais, Paraná, Espírito Santo Paraíba, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Em muitos desses Estados, o Escotismo já estava funcionando antes mesmo da chegada do trabalho da Associação. Contudo, a ação da Associação colaborou para fortalecer o Escotismo, como é o caso de Pernambuco, onde Mário Cardim mantinha um bom relacionamento com José Chevalto, que cumpriu um papel importante na implantação do Escotismo naquele Estado. A Associação Pernambucana de Escoteiros, contudo, foi fundada em 1915 por Américo Netto, Luiz Pope (secretário do British College) e Anibal Fernandes.
Da mesma maneira, Cardim sugeriu que o seu amigo gaúcho Fernando Osório se articulasse com George Black, a fim de filiar o movimento escoteiro que funcionava no Rio Grande do Sul à Associação Brasileira de Escoteiros. Em Santa Catarina o Escotismo estava funcionando desde janeiro de 1913, quando o professor Curt Boettner fundou um grupo escoteiro em Blumenau.
Uma correspondência enviada pela Associação Brasileira de Escoteiros, encaminhando folhetos e material de orientação possibilitou que o professor José Chevalier organizasse, em 1915, a Legião Amazonense de Escoteiros, contando com a colaboração de Paulo Eleutério, Pedro Araújo Madeira, João Luiz Alencar e Raymundo Pinheiro.
A entidade de escoteiros do Estado da Bahia fez sua filiação à Associação Brasileira de Escoteiros no ano de 1915. Naquele Estado, o Escotismo se expandiu muito e nos anos 20 era um movimento que atraía a atenção de distintos grupos sociais. Um dos mais importantes pólos de expansão do Escotismo baiano foi o Colégio Antônio Vieira, estabelecimento católico jesuíta de formação de meninos filhos da elite dos Estados da Bahia e Sergipe, principalmente, mas que recebia alunos de diversos outros Estados brasileiros. Ali, o movimento escoteiro foi liderado pelo padre e professor sergipano Francisco Tavares de Bragança[i], que estudou no próprio Colégio e depois ingressou na Companhia de Jesus, tendo feito sua formação sacerdotal na Europa e viajado pela Inglaterra. Foi na Grã-Bretanha, durante a década de 20, que ele conheceu o Escotismo. Além do padre Bragança, o padre Sanchez também estimulou a organização do movimento escoteiro no Colégio Antonio Vieira. Para implementar a prática do Escotismo no Colégio Antônio Vieira, o padre Bragança contou com o apoio do arcebispo de Salvador, Dom Augusto Álvaro da Silva.
Na primeira metade da década de 30 estava em funcionamento, na cidade de São Paulo, a Federação de Escoteiros da Light, sob a direção de Mr. J. C. Herlyck. Além da Light várias outras empresas colaboravam com a manutenção de grupos de escoteiros. Em 1937, a Congregação Israelita Paulista colocou em funcionamento o Grupo Escoteiro Avanhandava e em 1941, sob a liderança de Wilhelm Speyer, decidiu criar mais grupos de escoteiros na cidade de São Paulo, agrupando adeptos do Escotismo no Bom Retiro, Vila Mariana, Cambuci, Ibirapuera, Mooca e Lapa. Todos estes grupos faziam suas reuniões em casas ou em sinagogas existentes nos próprios bairros.
Em 1916, no Rio de Janeiro, um grupo de escoteiros foi organizado no Departamento Infanto-Juvenil do Botafogo Futebol e Regatas, por Benjamin Sodré[ii]. Segundo sua filha, Dora Sodré,
entusiasmado com o objetivo do Movimento Escoteiro, de burilar o caráter e a educação do jovem, Papai teve a feliz idéia de botar em prática os ensinamentos de Baden-Powell, transmitindo-os àqueles jovens iniciantes no esporte, o que muito contribuiu para o espírito de lealdade e união que existia entre os jogadores[iii].
Tal grupo possibilitaria que, a partir de 1922, passasse a funcionar a seção escoteira do clube. Naquele mesmo ano de 1916, a cidade do Rio de Janeiro receberia o Grupo Escoteiro do Fluminense Football Club, criado por iniciativa de Jeronima Mesquita, Guilhermina Guinle, Arnaldo Guinle e Marco Pollo. No ano de 1922 entrou em funcionamento o Grupo de Escoteiros do Mar de Paquetá. Um ano depois, em 1923, foi fundada a Associação Fluminense de Escoteiros pelo capitão Virgílio de Brito.
A primeira tropa de escoteiros católicos do Brasil foi instalada em 15 de novembro de 1917, na Paróquia de São João Baptista da Lagoa, no Rio de Janeiro. Em 1919 apareceria a segunda tropa de escoteiros católicos, na Escola Popular de São Bento. As duas tropas foram implantadas por iniciativa de Peixoto Fortuna, presidente da União Católica Brasileira e criador de uma escola de instrutores que se instalou em primeiro de agosto de 1919. A escola obteve êxito nos seus objetivos e um ano depois já havia formado seis turmas e fundado a Associação de Escoteiros Católicos do Brasil.
A Associação de Escoteiros Católicos do Brasil se fortaleceu bastante em 1921, depois que organizou um Jamboree inter-grupos. Os seus estatutos foram aprovados em 11 de junho do mesmo ano pelo monsenhor Vigário-Geral do Rio de Janeiro, filiando-se logo após, à Organização Internacional do Movimento Escoteiro, com sede em Londres. A Associação dos Escoteiros Católicos do Brasil foi assim, bem antes da União dos Escoteiros do Brasil – UEB, a primeira entidade escoteira brasileira a receber reconhecimento no exterior. Tal reconhecimento possibilitou que esta Associação fosse co-fundadora, em 1922, do Office Internacional des Scouts Catholique, sediado em Roma e presidido pelo conde Mário de Carpegna, que liderava o Escotismo católico internacional. A Associação de Escoteiros Católicos do Brasil ganhou nova denominação em 1924: Confederação de Escoteiros Católicos do Brasil.
[i] Francisco Tavares de Bragança nasceu em 1907, no município de Laranjeiras, Estado de Sergipe e morreu em 1993, na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco. Além de estudar no Colégio Antônio Vieira, na Bahia, fez sua formação de padre em colégios da Companhia de Jesus sediados na Áustria, na Alemanha e nos Estados Unidos da América. Cf. ALMEIDA, Stela Borges de. Negativos em vidro: coleção de imagens do Colégio Antônio Vieira (1920-1930). Salvador: Edufba, 2002. p. 233.
[ii] A propósito do grupo de escoteiros do Botafogo, Benjamin Sodré fez, em 1922, a seguinte observação no seu caderno de notas pessoais: “Tomei aos ombros o encargo de organizar a Tropa de Escoteiros do Botafogo. Tem me dado um bom trabalho. Rouba-me os domingos e muito tempo de estudo mas eu não me arrependo. É um grande benefício que faço e que dá-me enorme prazer pela consciência de ser útil. Por esse pequeno trabalho, de educar os escoteiros, a que me entrego nas horas de folga, sinto ser mais útil do que no trabalho a que me obriga a minha profissão. Lá educo homens. Mas educar um homem é apenas educar um homem; educar uma criança é criar uma tábua de multiplicação. E, crente disso, entrego-me com entusiasmo à educação dos meus escoteiros”. Cf. SODRÉ, Dora. A Educação pelo exemplo: momentos da vida de Benjamin Sodré.Rio de Janeiro: EDC Didática e Científica Ltda, 1989. p. 43.
[iii] Cf. SODRÉ, Dora. A Educação pelo exemplo: momentos da vida de Benjamin Sodré.Rio de Janeiro: EDC Didática e Científica Ltda, 1989. p. 36.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h35
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DOIS ANOS DE EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
No dia oito de dezembro de 2007 o blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA completou dois anos de atividade ininterrupta. Durante 24 meses, o blog recebeu 67.051 visitas, das quais 21.717 nos primeiros doze meses e 45.334 no seu segundo ano. Assim, no primeiro ano de funcionamento o blog recebia uma média de 1.809 visitas por mês, número que se elevou para 3.777 visitas mensais no segundo ano, superando o dobro de visitas diárias, que eram 60 no primeiro ano e passou para 123 neste segundo ano de atividades.
O blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase nos estudos sobre História da Educação, História da Cultura e História da Ciência. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título “A Colônia do Quissamã”.
O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 90 outros importantes endereços brasileiros e estrangeiros da rede Web e nestes 24 meses de atividade publicou informações sobre 48 eventos nacionais e internacionais. Também foram publicados, nesse mesmo período, 596 textos sob a forma de artigo, 102 notícias e 28 resenhas bibliográficas. São 24 novos artigos a cada mês, além de 4 novas notícias, dois novos eventos e uma resenha bibliográfica inédita a cada 30 dias
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h32
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I ENCONTRO DE HISTÓRIA DO IMPÉRIO BRASILEIRO: Múltiplas visões - Cultura histórica no Oitocentos
http://www.ufpb.br
Data: 24 a 27 de setembro de 2008
Local: João Pessoa - PB
Promoção do Programa de Pós-Graduação em História UFPB e dos Grupos de Pesquisa: História da Educação na Parahyba Imperial e Sociedade e Cultura no Império. PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR 1º DIA (24/09/08) CREDENCIAMENTO - das 14:00 às 17:00 CONFERÊNCIA DE ABERTURA - às 19:00 - Manoel Luiz Salgado Guimarães (UERJ/UFRJ) 2º DIA (25/09/08) MINI-CURSOS - das 08:00 às 10:00 MESA REDONDA: das 10:30 às 12:00 1. IMPRENSA, IMPRESSOS E PRÁTICAS DE LEITURA: Socorro de Fátima Pacífico Barbosa (PROLING/UFPB), Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (NPGED/UFS), Maria Arisnete Câmara de Morais (PPGE/UFRN). COMUNICAÇÕES - das 14:00 às 17:30 MESA REDONDA: das 18:00 às 19:30 - INSTRUÇÃO E CULTURA ESCOLAR: Antonio Carlos F. Pinheiro (PPGE/PPGH/UFPB), Jorge Carvalho do Nascimento (NPGED/UFS) Maria Inês Sucupira Stamatto (PPGE/UFRN). ATIVIDADE CULTURAL - LANÇAMENTO DE LIVROS - NOITE (20:00) 3º DIA (26/09/08): MINI-CURSOS - das 08:00 às 10:00 h MESA REDONDA - das 10:30 às 12:00 h - ESCRAVIDÃO, TRABALHO LIVRE E POBREZA: Solange Rocha (UEPB), Marc Hofnagel (PPGH/UFPB), Luciano (UFCG) MESA REDONDA: das 18:00 às 19:30 - PODER, POLÍTICA E CONSTRUÇÃO DO ESTADO NACIONAL: Rosa Godoy (PPGH/UFPB), Lina Aras, Socorro Ferraz COMUNICAÇÕES - das 14:00 às 18:00 h ATIVIDADE CULTURAL - LANÇAMENTO DE LIVROS - NOITE (19:00 h) 4º DIA (27/09/08): MINI-CURSOS - das 08:00 às 10:00 h CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO – às 10:30 h - Diana Gonçalves Vidal (USP) ATIVIDADE CULTURAL – Visita à cidade de João Pessoa e arrabaldes. COMISSÃO ORGANIZADORA: Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas - NPGED/UFS Cláudia Engler Cury - PPGH/PPGE/UFPB Mauricéia Ananias - PPGE/UFPB Serioja Mariano - PPGH/ UFPB Socorro de Fátima Pacífico Barbosa - PROLING/UFPB Dilton Oliveira Araújo - PPGH/UFBA COMITÊ CIENTÍFICO: Antonio Carlos Ferreira Pinheiro - PPGH/PPGE/UFPB Jorge Carvalho do Nascimento - NPGED/UFS Rosa Godoy - PPGH/UFPB Durval Muniz - PPGH/UFRN Lina Aras - PPGH/UFBA José Ernesto Pimentel - PPGH/PPGCJ/UFPB Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento (UNIT) (Universidade Tiradentes – Aracaju-SE) COMITÊ DE APOIO: Cristiano de Jesus Ferronato/PPGE Guaraciane Lima /PPGH Naiara Ferraz /DH Carmelo Ribeiro Filho/ DH Paulo Henrique/DH MONITORES: Mariana Teixeira Itacyara Marcio Macêdo Moreira Rossana Cardoso de Araujo Ronaldo Duarte da Silva Maiara Ateciene dos Belo Solange Rocha - UEPB COMISSÃO DE EDITORAÇÃO: Carla Mary S. Oliveira - PPGH/ UFPB Carlos Adriano Ferreira de Lima – mestrando do PPGH. Andreza de Oliveira – mestranda do PPGH. PROPOSTAS DE EIXOS TEMÁTICOS (MÍNIMO DE 10 E MÁXIMO DE 30 INSCRIÇÕES POR EIXO) 1: INSTRUÇÃO E CULTURA ESCOLAR 2: PODER, POLÍTICA E CONSTRUÇÃO DO ESTADO NACIONAL 3: IMPRENSA, IMPRESSOS E PRÁTICAS DE LEITURA 4: ESCRAVIDÃO, TRABALHO LIVRE E POBREZA 5: FESTAS, VIDA COTIDIANA E RELIGIOSIDADES 6: POVOS INDÍGENAS 7: ESPAÇO, TERRITORIALIDADES E FRONTEIRAS 8. MEDO, INTOLERÂNCIA E VIOLÊNCIA PROPOSTAS PARA MINI-CURSOS: ABERTO AO PÚBLICO Os proponentes de mini-curso devem apresentar ementa, programa com bibliografia e metodologia de trabalho. COMPOSIÇÃO DAS MESAS: PERNAMBUCO; PARAÍBA; BAHIA; RIO GRANDE DO NORTE; PIAUÍ; CEARÁ; SERGIPE CRITÉRIO DO EVENTO: ENCONTRO VOLTADO PARA GRUPOS DE PESQUISA, ALUNOS E PROFESSORES INTERESSADOS NO PERÍODO IMPERIAL. PERÍODO DE INSCRIÇÃO (as inscrições serão feitas on-line): Inscrição de Resumos: de 24 de março a 02 de maio. 02 de junho – prazo final para os avaliadores analisarem os resumos. Envio de Proposta de Mini-Curso: 24 de março a 02 de maio. Divulgação dos resultados: 09 de junho dos trabalhos e mini-cursos aprovados. Inscrições para mini-curso: a partir de 21 de julho até a data do encontro se houver vaga. Prazo máximo para envio do texto completo: 21 de julho de 2008. TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 15,00 - estudante de graduação + R$ 10,00 mini-curso [até 10 de junho] R$ 25,00 - aluno de pós-graduação e professores da rede +R$ 10,00 mini-curso [até 10 de junho] R$ 50,00 – profissionais [até 10 de junho] US$ 30,00 - pesquisadores/ estudantes de instituições estrangeiras [até 10 de junho] A partir de 10 de junho os valores passam para: R$ 25,00 - estudante de graduação + R$ 10,00 mini-curso R$ 35,00 - aluno de pós-graduação e professores da rede +R$ 10,00 mini-curso R$ 55,00 – profissionais US$ 35,00 - pesquisadores/ estudantes de instituições estrangeiras
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h31
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A organização do Escotismo brasileiro como associação voluntária II
Residente em Paris, Jerônima Mesquita[i] mandou imprimir, com recursos próprios, milhares de folhetos de propaganda do Escotismo, tendo traduzido para a língua portuguesa a lei escoteira e a promessa. Além disso, traduziu vários textos de Baden-Powell e os encaminhou para o seu amigo Ascânio Cerqueira[ii], em São Paulo, sugerindo que este fundasse uma associação de escoteiros na cidade. Ascânio e Cardim participaram da primeira diretoria da Associação Brasileira de Escoteiros.
George Black participou do Festival de Ginástica de Munique, em 1913, como representante da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre – a Sogipa. Na cidade alemã conheceu a organização, os métodos e a orientação do Grupo de Escoteiros da Sociedade de Ginástica de Munique. No mesmo ano, assim que retornou ao Brasil, fundou um grupo escoteiro na Sogipa[iii], implantando o Escotismo no Estado do Rio Grande do Sul.
A Associação Brasileira de Escoteiros foi criada por nomes de destaque da vida política e cultural de São Paulo, diretores de estabelecimentos de ensino como o Colégio Mackenzie, o Colégio Anglo Americano, a Escola Americana, o Ginásio São Bento, o Diretor da Faculdade de Medicina, os secretários de Justiça e de Segurança Pública do Estado. Alguns nomes já foram aqui citados como o de Mário Cardim. O papel que ele desempenhou nesse processo foi da maior importância, tomando as providências necessárias para a efetivação da ABE; convidando rapazes de 11 a 18 anos para imediato engajamento no movimento escoteiro, redigindo os ante-projetos de Estatuto e Regulamento da nova instituição. O movimento recebeu também o apoio de personalidades de expressão na sociedade civil de São Paulo, como o jornalista Júlio de Mesquita, diretor do jornal O Estado de São Paulo. A primeira reunião preparatória do processo de fundação da ABE foi realizada em 15 de agosto de 1914. Na solenidade de fundação da entidade, realizada dia 29 de novembro de 1914, no Skating Palace, compareceram cerca de 600 escoteiros, além de representantes do Estado e do município, comandantes militares e diretores de escolas.
Para criar a Associação Brasileira de Escoteiros, Mário Cardim e Ascânio Cerqueira conseguiram reunir intelectuais e personalidades da vida política e da vida econômica de São Paulo como o já referenciado Júlio de Mesquita, Alcântara Machado[iv], Carlos Américo Sampaio Vianna, José Maurício Sampaio Vianna, Bento Bueno, William Waddell (diretor do Mackenzie College), Antonio Guerreiro (representante do Colégio Anglo Brasileiro), Paulo Moraes Junior, Le Gross (professor da Escola Americana), Luiz Fonseca, Seferino Velloso, Eloy Chaves (secretário de justiça e da segurança pública do Estado), Arnaldo Vieira de Carvalho (diretor da Faculdade de Medicina de São Paulo), tenente coronel Pedro Dias de Campos, Pedro Eygerat (diretor do Ginásio São Bento), Gelásio Pimenta, Amadeu Amaral e Luiz Silveira. Além destes, também participaram de cargos diretivos na Associação Brasileira de Escoteiros, em diferentes oportunidades, nomes como os de Washington Luiz Pereira de Souza (prefeito da cidade de São Paulo, governador do Estado de São e presidente do Brasil), Reinaldo Porchat, Gama Cerqueira, Ramos de Azevedo, Adolfo Pinto, João Mendes Junior, Cardoso de Almeida, Frederico Vergueiro Stardel, José de Almeida Prado Junior, Nestor Rangel Pestana, coronel Batista da Luz, Gabriel de Rezende, Altino Arantes e Antonio Pereira.
A Associação Brasileira de Escoteiros definiu a sua estrutura criando três instâncias de deliberação: o Conselho Superior, a Diretoria Geral e a Comissão Técnica Nacional. Yara Cristina Gabriel revelou que era pretensão da ABE instalar uma Comissão Regional em cada Estado no qual funcionasse um agrupamento de escoteiros. Em cada uma dessas comissões funcionaria uma Comissão Técnica Regional, com a função de nomear delegados técnicos e elaborar relatórios anuais para o Conselho Superior da ABE.
A ABE reunia em seu quadro duas categorias de sócios: contribuintes e constituintes. Na primeira categoria estavam enquadrados os cidadãos brasileiros que ofereciam contribuição monetária ou qualquer tipo de estímulo que servisse ao desenvolvimento do Escotismo. Eles tinham direito de, anualmente, em assembléia geral, eleger um quinto dos membros do Conselho Superior. Já os sócios constituintes eram todos aqueles que participavam do movimento como escoteiros ou escotistas.
Quando da sua fundação, a Associação Brasileira de Escoteiros definiu aquilo que à época se compreendia, no Brasil, como os objetivos do Escotismo:
1º- Eugenia, na parte referente à educação física, à saúde, ao vigor e à destreza das gerações novas, homens e mulheres;
2º- Civismo, não apenas reduzido a ensinamentos cívicos, mas o hábito de realizar os deveres cívicos, mercê das convicções adquiridas;
3º- Inteligência, isto é, o desenvolvimento de algumas das mais notáveis qualidades intelectuais, a urgência, a logicidade, a divisão pronta;
4º- Caráter, considerado como o hábito adquirido pela prática sistemática da bondade, em casos concretos, dia a dia, como o horror à mentira e correlato amor à verdade, à pontualidade.
Uma das grandes preocupações da Associação Brasileira de Escoteiros foi a busca de relações internacionais. Desde o início das suas atividades, a ABE manteve contatos com a Boy Scouts Association da Inglaterra, a Associacion des Eclaireus de France, The Boy Scouts of América, além das associações do Chile, Peru, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Manteve correspondência com o general Baden-Powell e enviou um seu representante, o professor Erasmo Braga[v], da Comissão Regional de Campinas para uma viagem por várias repúblicas da América do Sul e da América do Norte.
[i] Jerônima Mesquita nasceu em Leopoldina, no Estado de Minas Gerais, em 30 de abril de 1880. “Filha da baronesa do Bonfim, Maria José Villas Boas de Siqueira Mesquita, e do barão do Bonfim, José Jerônimo de Mesquita; era a mais velha de cinco irmãos. A família passava seis meses na fazenda Paraíso, em Leopoldina, e seis meses na cidade do Rio de Janeiro. Jerônima e seus irmãos fizeram os primeiros estudos com tutores. Todos, porém, aperfeiçoaram-se em colégios europeus. Jerônima fez os estudos secundários na França. Aos 17 anos casou-se, por imposição da família, com um primo, com quem teve um filho; separou-se do marido dois anos depois e nunca mais se casou. Viveu a primeira década do século XX na Europa, dividindo-se entre a França e a Suíça. Encontrava-se no Velho Continente quando explodiu a I Guerra Mundial, em 1914. Ingressou como voluntária na Cruz Vermelha de Paris e, posteriormente, participou dos trabalhos de assistência promovidos pela Cruz Vermelha da Suíça durante os conflitos. De volta ao Brasil, engajou-se em atividades de assistência social, participando da associação das Damas da Cruz Verde, com sua amiga Stella Guerra Durval e sua mãe, a baronesa do Bonfim. Por ocasião do surto de gripe espanhola, em 1918, as Damas coordenaram a assistência às vítimas da epidemia na cidade do Rio de Janeiro, onde improvisaram-se enfermarias de emergência em todas as salas dos hospitais. Dessa experiência nasceu o projeto da maternidade Pró-Matre, fundada por elas. Foi também uma das fundadoras, em 1920, da Federação das Bandeirantes do Brasil. Colaborou ativamente nas iniciativas de construção da cidadania feminina no país, como a luta pelo direito ao voto. Amiga de Berta Lutz, participou da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) desde a fundação da entidade em 1922, e nunca deixou de lado o trabalho em obras assistenciais. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1972”. Cf. SCHUMAHER, Schuma e BRAZIL, Érico Vital (Organizadores). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2000. p. 290.
[ii] Ascânio Cerqueira foi membro do primeiro Conselho superior e vice-presidente da Associação Brasileira de Escoteiros entre 1921 e 1924. Cf. GABRIEL, Yara Cristina. Prescrições cívico-morais e a formação do cidadão: um estudo sobre a introdução do escotismo nas escolas públicas de São Paulo (1917-1922). (Dissertação. Mestrado em Educação. Orientador: Prof. Dr. Bruno Bontempi Junior). São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2003. p. 37.
[iii] Atualmente, o Grupo Escoteiro George Black é o mais antigo em funcionamento no Brasil. Cf. BLOWER, Almirante Bernard David. História do Escotismo brasileiro. 1910-1924. Tomo I. Rio de Janeiro, Centro Cultural do Movimento Escoteiro, 1999. p. 52.
[iv] Alcântara Machado foi advogado, jornalista e escritor. Cf. GABRIEL, Yara Cristina. Prescrições cívico-morais e a formação do cidadão: um estudo sobre a introdução do escotismo nas escolas públicas de São Paulo (1917-1922). (Dissertação. Mestrado em Educação. Orientador: Prof. Dr. Bruno Bontempi Junior). São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2003. p. 37.
[v] Erasmo de Carvalho Braga nasceu em Rio Claro, Estado de São Paulo, no dia 23 de abril de 1877. Foi pastor da Igreja Presbiteriana, fundador da Associação Cristã de Moços no Brasil, professor e capelão do Mackenzie College e autor de livros didáticos para a escola primária. Morreu aos 55 anos de idade, em 1932. Cf. MATOS, Alderi. Os pioneiros presbiterianos no Brasil. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 419-425.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h14
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V CURSO DE EXTENSÃO DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA/UFS - "MODELOS DE HISTÓRIA CULTURAL"
Local: Museu do Homem Sergipano - Rua Estância, 228 - Centro - Aracaju/SE - Telefone: (79) 3211-5798
Apresentação: O diálogo com a História Cultural, redescoberta na década de 70 do século vinte, e as variedades de objetos e métodos de estudo, vêm ganhando relevo nas produções historiográficas e se constituem, por essa razão, o ponto central de articulação deste Curso de Extensão. Os diferentes modelos de História Cultural apontam para uma extensa e variada produção que suscita, entre os historiadores, simpatias e críticas que caracterizam as diferenças, os conflitos, os debates, e, também, os interesses e tradições compartilhados que regem e constituem a dinâmica do campo. De uma forma geral, a história da História Cultural "pode ser dividida em quatro fases: a fase clássica, que tem seu início no final do século XVIII; a fase da história social da arte, que começou na década de 1930; a descoberta da cultura popular, na década de 1960; e a nova história cultural" (BURKE, 2005, p. 15). Divisões estas não tão claras à época e que merecem atenção pela necessidade de se identificar as diferentes tradições que sustentam os trabalhos dos historiadores culturais. A organização deste curso consistirá na realização das reuniões quinzenais nas quais serão apresentadas Modelos de História Cultural por professores pesquisadores que vêm se conduzindo suas investigações por essas perspectivas de análise. O Curso é destinado aos alunos do Curso de Graduação em História, professores de História, pesquisadores e a todos que queiram participar dos debates. Calendário de Conferências: 23/04 - Tema: Gilberto Freyre como precursor da História Cultural Prof. Dr. Francisco José Alves (DHI/UFS) 07/05 - Tema: Norbert Elias, Historiador da Cultura Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (DHI/UFS) 21/05 - Tema: A História Cultural e os Estudos Biográficos Profª. Drª. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (DED/UFS) 04/06 - Tema: A História Cultura segundo Chartier Prof. Dr. Luiz Eduardo Meneses Oliveira (DLE/UFS) 18/06 - Tema: Pierre Bourdieu, a História Cultural e a pesquisa em História da Educação Profª. Msc. Evelyn de Almeida Orlando (DHI/UFS) 02/07 - Tema: Stuart Hall e o conceito de "cultura popular negra" Prof. Dr. Petrônio Domingues (DHI/UFS) 16/07 - Tema: A Psicologia Histórica de Jean-Pierre Vernant Prof. Dr. Alfredo Julien (DHI/UFS) 30/07 - Tema: Bakhitin: História e Literatura Prof. Dr. Fábio Maza (DHI/UFS) 06/08 - Tema: O Materialismo Histórico de Raymond Williams Prof. Dr. Fernando Sá (DHI/UFS) 20/08 - Tema: "Protagonistas anônimos" da História e "comunidades": reflexões teórico-metodológicas a partir da obra de Giovanni Levi Prof. Dr. Antônio Lindvaldo Sousa (DHI/UFS) Objetivos: Oferecer a graduandos e graduados em História, subsídios para reflexão do ponto de vista teórico-metodológico no exercício da pesquisa histórica. Complementar a formação de graduandos e graduados em História, aprofundando a História Cultural, teoria que vem ganhando relevo nas últimas décadas no campo acadêmico. Fomentar a investigação científica, contribuindo com o professor-pesquisador em suas produções historiográficas. Informações: O Curso terá carga horária de 30 horas e a obtenção do certificado estará condicionada à freqüência mínima de 75% da carga horária total. A periodicidade dos encontros será quinzenal. Horário: 15 às 18 horas Inscrições e informações: Secretaria do DHI 08h às 12h; 14h às 17:30 Telefone: (79) 2105-6739 Valor da inscrição: R$ 25,00 até 10/04/08 R$ 30,00 até 07/05/08 Realização: Universidade Federal de Sergipe Departamento de História Organização e coordenação: Prof. Dr. Fábio Maza Profª. Msc. Evelyn de Almeida Orlando Prof. Msc. Luiz Eduardo Pina Lima Apoio: ANPUH/SE Museu do Homem Sergipano Diretório Acadêmico Livre de História
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h12
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BRASIL-ESTADOS UNIDOS: ENCONTROS E DESENCONTROS - Seminário anual 2008
http://jorge.carvalho.zip.net
Data: 29 de fevereiro a 19 de dezembro de 2008 - Hora: 09:00
Local: Auditório do Arquivo do Poder Judiciário do Estado de Sergipe
O diálogo cultural Brasil-Estados Unidos é o ponto central de articulação deste seminário. As relações entre a cultura brasileira e a norte-americana, durante o século XX, foram objeto de uma grande quantidade de críticas. A contundência desse tipo de crítica tem resultado num julgamento apressado das relações culturais Brasil-Estados Unidos e das contribuições da cultura norte-americana à cultura brasileira. A sistemática deste evento consistirá na realização das reuniões mensais nas quais serão apresentadas e debatidas as principais obras que circulam no Brasil tratando desta temática. O seminário destina-se aos membros do grupo de pesquisa e também a todos aqueles que queiram participar dos debates. CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES 29.02.2008 – NASCIMENTO – Ester Fraga Vilas-Boas Carvalho do. Educar, currar, salvar: uma ilha de civilização no Brasil tropical. Maceió: Edufal, 2007. Apresentador: Profª. Drª. Ester Fraga Vilas-Boas Carvalho do Nascimento (Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes). 28.03.2008 – NASCIMENTO, Jorge Carvalho do. A cultura ocultada ou a influência alemã na cultura brasileira durante a segunda metade do século XIX. Londrina: Eduel, 1998. Apresentador: Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe). 25.04.2008 – GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Três viagens aos Estados Unidos. Belo Horizonte: s/ed., 1966. Apresentador: Profª. Simone Amorim (Mestre em Educação – UFS). 30.05.2008 – VIEIRA, David Gueiros. O protestantismo, a maçonaria e a questão religiosa no Brasil. 2ª ed. Brasília: Editora da UnB, 1980. Apresentador: Prof. Joaquim Tavares da Conceição (Mestre em Educação – UFS e professor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe). 27.06.2008 – NUNES, Clarice. Anísio Teixeira: a poesia da ação. Bragança Paulista: Edusf, 1998. Apresentador: Profª. Drª. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas (Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe). 25.07.2008 – DA MATTA, Roberto. Tocquevilleanas: notícias da América. Rio de Janeiro: Rocco, 2005. Apresentador: Prof. Dr. José Rodorval Ramalho (Núcleo de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe). 29.08.2008 – MORSE, Richard. O espelho de próspero: cultura e idéias nas Américas. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Apresentador: Prof. Dr. Luiz Eduardo Menezes Oliveira (Departamento de Letras da Universidade Federal de Sergipe). 26.09.2008 – GOLDMAN, Frank. Os pioneiros americanos no Brasil: educadores, sacerdotes, covos e reis. São Paulo: Pioneira, 1972. Apresentador: Profª. Vera Maria dos Santos (Mestre em Educação – UFS e Técnica em Educação do Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe). 31.10.2008 – JAMES, William. O Pragmatismo. São Paulo: Martin Claret, 2004. Apresentador: Profª. Drª. Dinamara Garcia Feldens (Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes). 28.11.2008 – MILLS, Wright. Sociologia y Pragmatismo. Buenos Aires: Ediciones Siglo Veinte, 1978. Apresentador: Prof. Antônio Samarone de Santana (Mestre em Sociologia – UFS e professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Sergipe). 19.12.2008 – WEBER, Max. Sobre a universidade. São Paulo: Cortez, 1989. Apresentador: Prof. Dr. Franz Brüseke (Núcleo de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe). Os interessados em participar do Seminário devem solicitar inscrição encaminhando mensagem para o endereço eletrônico jorge@ufs.br, informando nome completo e formação acadêmica.
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h10
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PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO EM PERNAMBUCO, EM FINS DO SÉCULO XVIII E PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX - ADRIANA MARIA PAULO DA SILVA -
Este livro apresenta o texto da tese de doutorado defendida em 2006, no Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco.
Fundamentando-se, principalmente nos registros governamentais referentes ao funcionamento, controle e manutenção das práticas públicas de instrução primária de Pernambuco – notadamente nas Séries Instrução Pública; Câmaras Municipais; Registros; Petições e Ordens Régias, sob a guarda do Arquivo Público Jordão Emerenciano–; este trabalho analisou os processos de criação e funcionamento das aulas públicas de Instrução Primária na Capitania e na Província.
Enfatiza-se que tais processos – não obstante à experiência colonial e a existência da escravidão–, estiveram sempre na dependência das decisões políticas das elites locais, mesmo posteriormente à Independência, e nunca abrigaram nenhum tipo de interdição legal específica no sentido de impedir o acesso da população livre e pobre, à condição docente e/ou discente.
Com relação aos professores públicos e particulares da capitania e da Província, demonstra-se o quão variadas foram as suas origens, cores, estratégias de atuação e o quanto eles também participaram dos usos e abusos da escolarização pública, secularmente utilizada como uma arma política nas mãos dos potentados locais. Demonstra-se, por fim, ter sido étnica e socialmente diversificado o alunado que freqüentou os espaços formais de instrução primária, em Pernambuco, durante a primeira metade do século XIX.
Categoria: Informação bibliográfica
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h36
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A organização do Escotismo brasileiro como associação voluntária
As designações escoteiro[i] e Escotismo[ii] foram utilizadas no Brasil, intensivamente, a partir de 1914, quando da fundação da Associação Brasileira de Escoteiros – ABE, em São Paulo. Até então, escoteiro era quem viajava livre, desembaraçado, sem comitiva, sem bagagem, enquanto Escotismo era a doutrina de Escoto, teólogo da doutrina de Santo Thomaz de Aquino. Ao final da década de 10, sob a alegação de natureza semântica, foi também adotado o termo Escoteirismo, que caiu em desuso pouco mais tarde. Segundo o almirante Bernard David Blower, a iniciativa de substituir Boy Scouts por Escoteiro foi tomada por Mário Cardim, fundador do Escotismo em São Paulo. Ele também teria traduzido para Sempre Alerta o Be Prepared do Escotismo inglês, depois de discutir o termo mais adequado com Olavo Bilac, Amadeu Amaral[iii] e Coelho Neto.
O método de Educação complementar proposto pelo lord Baden-Powell entusiasmou os militares brasileiros, principalmente depois que o sub-oficial Amélio Azevedo Marques matriculou o seu filho Aurélio Azevedo Marques em um dos vários grupos de escoteiros que existiam na Inglaterra. Isto fez de Aurélio, certamente, o primeiro brasileiro a integrar o movimento Boy Scout. Juntamente com o tenente Henrique Weaver e outros oficiais e praças da Marinha do Brasil, Amélio estava na Inglaterra, desde 13 de julho de 1907, na Comissão Naval do Brasil na Inglaterra, acompanhando a construção dos novos navios encomendados pela esquadra brasileira. De acordo com o programa de construção naval brasileiro, estavam em conclusão as obras de contratorpedeiros, cruzadores e dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo. Ainda na Inglaterra, o tenente Eduardo Weaver recebeu a visita do seu amigo Manoel Bonfim, pedagogo e médico brasileiro em missão de estudos pedagógicos pela Europa. Bonfim tornou-se também entusiasta do Escotismo e sugeriu a Weaver que escrevesse um trabalho sobre o assunto, a ser publicado no Brasil.
Um ano antes de o Escotismo chegar ao Brasil, o seu fundador, Robert Baden-Powell esteve anonimamente no Rio de Janeiro, como turista. Ele viajou no navio S.S. Aragon, que partiu de um porto inglês no dia 19 de fevereiro de 1909. A visita à cidade do Rio de Janeiro foi rápida, mas ele registrou impressões sobre a cidade no seu diário de viagem: “Rio de Janeiro foi melhor que todas as minhas expectativas”[iv]. De acordo com Rubem Süffert, “o Brasil foi o primeiro país da América Latina, visitado por B-P, após a criação do Escotismo”[v]. Ao final desse mesmo ano de 1909, o tenente Eduardo Henrique Weaver concluiu o seu texto sobre Escotismo, publicado pela revista Ilustração brasileira, enfatizando a importância do trabalho do fundador do Escotismo para a Educação dos jovens.
Foram os militares liderados pelo tenente Weaver que desembarcaram do Encouraçado Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em 17 de abril de 1910, trazendo na bagagem uniformes escoteiros[vi], e menos de dois meses depois, no dia 14 de junho, durante uma reunião em uma casa na rua do Chichorro, no Catumbi, fundaram o Centro de Boys Scouts do Brasil. Não obstante haver sido organizado por militares da Marinha, neste primeiro momento o Escotismo apareceu no Brasil como iniciativa da sociedade civil, sem qualquer tipo de tutela por parte do Estado.
Ao ser criado, em 1910, no Rio de Janeiro, o Centro de Boys Scouts do Brasil se apresentava como uma sociedade de instrução, diversões e esportes para meninos, semelhante em tudo que fosse possível a dos Boys Scouts da Inglaterra, solicitando o auxílio e a boa vontade da imprensa e das famílias, a fim de levar a todos os lares brasileiros o conhecimento sobre o Escotismo. O caráter de associação livre fez com que o Centro definisse que poderiam integrar a sociedade os adultos, de qualquer classe social.
Por diversas razões, a existência do Centro de Boys Scouts do Brasil foi efêmera. Entre tais razões os fundadores do Centro assinalaram que a falta de conhecimento dos pais sobre o alcance da instituição gerava alguns preconceitos em face das práticas do Escotismo. Esse tipo de dificuldade concorria para a freqüente ausência dos filhos às atividades escoteiras de campo. Por outro lado, os dirigentes do Centro, pela sua condição de militares da Marinha do Brasil faziam muitas viagens e alguns deles eram transferidos para unidades fora do Rio de Janeiro, em face das necessidades do seu ofício. Já em 1914 não mais existia o Centro. No entanto, a semente lançada já frutificara. Ainda na primeira metade da década de 10, o Escotismo havia se disseminado por quase todo o país.
Além do tenente Weaver e dos militares que juntamente com ele fundaram o Centro de Boys Scouts do Brasil, outros intelectuais brasileiros interessados em Educação entraram em contato com o método de Baden Powell nas primeiras décadas do século XX. Há registros que apontam os nomes de Mário Sérgio Cardim, Jerônima Mesquita e George Black. Os três fizeram esforços para implantar grupos de escoteiros no Brasil, depois que retornaram ao país.
Cardim estava na Holanda, em 1910, quando entrou em contato com um grupo de escoteiros franceses e obteve deles um folheto explicativo. De lá viajou a Londres e contatou pessoalmente o lord Baden Powell, em companhia do embaixador do Brasil na Inglaterra, Régis de Oliveira, aprofundando o seu conhecimento sobre o método. Na Inglaterra, onde permaneceu de primeiro de junho a quatro de julho, recebeu um curso para chefe escoteiro, oferecido a partir do dia 15 de junho daquele mesmo ano. Na primeira semana de julho viajou para a França, onde manteve contato com o Capitão Royet, um dos introdutores do Escotismo naquele país. Ao regressar a São Paulo, em 1913, escreveu uma série de artigos sobre o Escotismo, publicados pelo jornal O Estado de São Paulo, e um ano depois foi o principal fundador, em novembro de 1914, da Associação Brasileira de Escoteiros – ABE. No mesmo período, Cardim fez 18 conferências sobre Escotismo em 18 diferentes cidades do interior do Estado de São Paulo.
[i] A palavra Scout, empregada por Baden Powell, é de origem militar e significa esclarecedor, observador, batedor. É empregada para designar os que têm como missão avançar sobre o território do adversário sem ser notado, colhendo informações estratégicas.
[ii] Há registros que dão conta da dificuldade inicial de traduzir para a língua portuguesa a palavra inglesa Scout ou a expressão Scouting for boys. Por isto, no primeiro momento foi utilizado o verbo Escrutar (sondar, examinar a fundo os corações, a consciência, prescrutar, fazer o possível para entrar no perfeito conhecimento das coisas; procurar descobrir o que é oculto, encoberto; indagar).
[iii] Amadeu Amaral foi poeta, jornalista e professor. Dirigiu a Revista do Brasil, em 1921, e fundou, no mesmo ano, a Sociedade de Estudos Paulistas, com o objetivo de pesquisar o folclore do Brasil. Integrou o primeiro conselho superior e foi vice-presidente da Associação Brasileira de Escoteiros, no período de 1921 a 1924. Cf. GABRIEL, Yara Cristina. Prescrições cívico-morais e a formação do cidadão: um estudo sobre a introdução do escotismo nas escolas públicas de São Paulo (1917-1922). (Dissertação. Mestrado em Educação. Orientador: Prof. Dr. Bruno Bontempi Junior). São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2003. p. 39.
[iv] Do Rio, ele viajou para Buenos Aires, na Argentina, onde foi reconhecido e surpreendido pela recepção que teve. Foi homenageado pela colônia inglesa e pelo governo argentino. Da Argentina Baden-Powell viajou de trem até o Chile. Cf. BOULANGER, Antonio. O Chapelão. Histórias da vida de Baden-Powell. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2000. p. 126.
[v] Cf. SÜFFERT, Rubem. “A vinda de Baden-Powell à América do Sul”. Texto inédito. Agradeço a autorização que recebi do autor para utilizar o seu trabalho.
[vi] Os militares investiram 30 libras esterlinas na aquisição do material.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h32
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XII Encontro Sergipano de História
XII Encontro Sergipano de História promovido pela Universidade Federal de Sergipe está recebendo propostas para minicurso até o dia 28/04. Os interessados deverão encaminhar para o e-mail encontro.historia@bol.com.br um programa e um resumo da sua proposta. O programa deverá conter: Tema, Ministrante(s) (acompanhado da titulação e da vinculação institucional - o ministrante deverá ser, no mínimo, mestrando), Objetivo geral, Objetivos Específicos, Conteúdo, Metodologia, Recursos e Referências Bibliográficas. Em um arquivo separado, o resumo deverá conter: Título , abaixo do título o (s) nome do ministrante (s) acompanhado da titulação e do vínculo institucional e abaixo o resumo de até 10 linhas em fonte 12, Times New Roman, espaçamento simples. As propostas estarão sujeitas à aprovação da Comissão Científica do evento. O não cumprimento de algum dos requisitos anteriores impedirá o aceite do trabalho.
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h29
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O Escotismo como organização internacional III
Foi nas seções (ramos) dos grupos escoteiros que a prática da Pedagogia de Baden-Powell ganhou visibilidade, onde aconteceu diretamente a aplicação do método escoteiro na alcatéia (ramo lobinho, para crianças de sete a dez anos), na tropa escoteira (para jovens de onze a catorze anos), na tropa sênior (para jovens de quinze a dezessete anos) e no clã pioneiro (para jovens de dezoito a vinte e um anos). As seções, portanto, foram divididas de acordo com as características físicas, psicológicas e com os interesses próprios de cada faixa etária.
O Escotismo também foi organizado em modalidades, com o objetivo de satisfazer os desejos e interesses das crianças e dos jovens. Na modalidade básica predominaram as atividades em terra e em ambiente mateiro, praticadas por todos os ramos ou seções. Na modalidade do mar, as atividades predominantes foram orientadas para o ambiente náutico e destinadas somente para os ramos escoteiro e sênior. A modalidade do ar orientou as suas atividades para a aeronáutica, voltadas apenas para os ramos escoteiro e sênior.
No ano de 1920, durante o I Jamboree[i] Mundial, realizado na Inglaterra, estiveram presentes 20 mil jovens de 32 países, que deram a Baden-Powell o título de Escoteiro-Chefe Mundial[ii]. O título foi concedido por sugestão de James West, chefe-escoteiro executivo da Boy Scouts of América.
Os Jamborees revelaram que a vertiginosa expansão do movimento escoteiro registrada nas quatro primeiras décadas do século XX enfrentou problemas no final da década de 30, certamente em face da II Guerra Mundial, que perturbou a vida cotidiana em toda a Europa. Assim, de um total de 29 milhões de escoteiros atuando em 54 países, que estiveram representados no Jamboree da Holanda, em 1937, somente 24 milhões de escoteiros, de 38 países, tiveram representantes no Jamboree da França, em 1947. O número de escoteiros representados nesses conclaves continuou declinando, ao longo das décadas de 50, 60, 70 e 80, chegando ao Jamboree da Austrália, em 1988, com representantes de apenas 14,6 milhões de escoteiros. É verdade que o número de países participantes dos eventos mundiais cresceu, chegando a 105, nos Estados Unidos da América, em 1967. Em todo esse período, houve uma exceção visível, no ano de 1957, quando se celebrou o centenário do nascimento do lord inglês e o cinqüentenário do acampamento da ilha de Brownsea.
Uma das principais decisões tomadas durante o primeiro Jamboree foi a de realizar uma Conferência Internacional a cada dois anos, uma reunião congregando delegados de todos os continentes. A primeira delas aconteceu na Inglaterra, juntamente com o Jamboree. A Segunda Conferência, em 1922, aconteceu em Paris, nas dependências da Sorbonne, quando a tônica recaiu sobre a teoria e a justificativa dos programas, sua base e sua Filosofia. Durante a Terceira Conferência, ocorrida na Dinamarca, em 1924, a polêmica maior girou em torno do problema do reconhecimento das associações escoteiras internacionais.
Durante a Conferência de Paris, em 1922, todas as entidades nacionais foram reconhecidas sem nenhuma condição prévia. Contudo, em 1924, dois problemas se apresentaram com muita força: a questão religiosa e o problema da legitimidade da associação nos países em que existia mais de uma delas. Em vários países, como a França, a Itália, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Bélgica e os Países Baixos foi muito forte a influência das religiões na organização do movimento escoteiro. Do mesmo modo, em muitas outras nações o Escotismo foi organizado de modo laico, sem qualquer referência explícita aos compromissos para com Deus. Este tipo de problema permaneceu como controvérsia no movimento escoteiro internacional até o ano de 1977, quando foi tomada a decisão de respeitar a posição religiosa de cada uma das sociedades nacionais, colocando-se, contudo, ênfase sobre a dimensão espiritual da Educação escoteira, reconhecendo inclusive as religiões não monoteístas, tais como o Hinduismo ou aquelas que não reconhecem um Deus pessoal, como o Budismo.
Algumas vezes, o problema religioso apareceu mesclado com questões referentes a identidade nacional e cultural de cada povo, como no Canadá, onde os escoteiros católicos da Província de Quebec formaram uma associação dissidente da Boy Scouts of Canadá. Robert Baden-Powell discutiu o problema com o cardeal Villeneuve, buscando solucionar a divergência. O caminho foi o do estabelecimento de um acordo no qual a Associação de Quebec foi reconhecida como parte da Boy Scouts of Canadá, respeitando-se a sua identidade católica e francófona.
Definir a qual associação nacional reconhecer, quando existia mais de uma delas, foi também um grave problema do Escotismo internacional. A posição adotada foi a de resistir a fragmentação do movimento, desestimulando as dissidências. Todavia, algumas exceções foram admitidas.
A primeira – a Rússia foi reconhecida como país fundador, mas como caso especial, uma vez que os Escoteiros no exílio foram reconhecidos em 1928, embora a Associação deles tivesse desaparecido logo em seguida. Na prática, a Associação Russa de Exilados deveria ter sido incorporada à Associação Francesa, uma vez que operava em solo francês[iii].
Um outro caso excepcional foi o dos escoteiros armênios, que também atuavam na França e foram reconhecidos em 1929. Atualmente são os únicos que ainda gozam desse tipo de privilégio.
[i] Jamboree é a designação dada pelos escoteiros aos acampamentos que reúnem jovens de mais de um país. O primeiro acampamento mundial de Guias foi realizado em Foxlease, no ano de 1924, com a participação de representantes de 40 países. A expressão é, originalmente, uma gíria norte-americana que significa pândega, farra ou festa ruidosa. Cf. NAGY, Laszlo. 250 milhões de escoteiros. Porto Alegre: União dos Escoteiros do Brasil, 1987. p. 99.
[ii] Lady Olave Baden Powell recebeu o título de Chefe Mundial de Guias, em 1930. Ela permaneceu exercendo tal função até a sua morte, em 1976.
[iii] Cf. NAGY, Laszlo. 250 milhões de escoteiros. Porto Alegre: União dos Escoteiros do Brasil, 1987. p. 105.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h41
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III CIPA - Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica
http://www.ccsa.ufrn.br/cipanatal
Local: Natal-RN
O Prof. Dr. Elizeu Clementino solicitou divulgar a seguinte informação: Em nome da Comissão Organizadora do III CIPA - Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto)biográfica, encaminho informações sobre o congresso www.ccsa.ufrn.br/cipanatal As inscrições para trabalhos estarão abertas de 10 de abril a 26 de maio. Peço para divulgarem em outras listas. Grato, Elizeu Clementino esclementino@uol.com.br grafho@uol.com.br (71) 8765-4561
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h38
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O Escotismo como organização internacional II
O movimento escoteiro recebeu importantes apoios internacionais, ao longo de todo o século XX, como as manifestações do ex-presidente dos Estados Unidos da América Theodore Roosevelt, nas primeiras décadas, e de Ronald Reagan, nos anos 80. Este último celebrou os 75 anos de fundação do Escotismo oferecendo um almoço na Casa Branca, em oito de fevereiro de 1985.
As estatísticas divulgadas pela União dos Escoteiros do Brasil apontam que atualmente o movimento reúne 30 milhões de filiados em todo o planeta. Segundo a UEB, o projeto de Baden-Powell frutificou em 216 países e territórios. Contudo, destes, apenas 149 são reconhecidos pela World Organization of the Scout Movement – WOSM, (a Organização Mundial do Movimento Escoteiro). De acordo com tais registros, atualmente o Escotismo não é praticado em apenas sete países do mundo. No Brasil, o movimento escoteiro conta com 65.235 participantes[i], distribuídos em mais de 1.200 grupos. Dentre os militantes do movimento, cerca de 25 mil são mulheres e 40 mil do sexo masculino. Desse total, quase 30% (18.552) estão registrados no Estado de São Paulo[ii].
Consciente do caráter de associação voluntária que deve ter o movimento escoteiro, Baden-Powell tomou a iniciativa de organizar The Boy Scouts Association por sugestão da Associação Cristã de Moços, em face da necessidade de fiscalizar e disciplinar as tropas e também para evitar que estas fossem controladas por adultos com propósitos incompatíveis aos Filosofia escoteira. A resistência do fundador do Escotismo em face da burocracia fizera com que este, num primeiro momento, resistisse à idéia de criar uma entidade mundial de organização do movimento. Contudo a necessidade de evitar a degeneração do Escotismo se impusera.
Durante as primeiras décadas do século XX, por várias vezes, Baden-Powell necessitou enfrentar as oposições apresentadas ao movimento escoteiro. Algumas delas o surpreenderam, como as críticas apresentadas por autoridades da Igreja Católica, alegando que das 300 páginas do Escotismo para rapazes apenas duas tratavam de aspectos espirituais da Educação e dos deveres para com Deus.
Outras vezes, Baden-Powell buscava evitar os esforços que eram feitos pelos governos e pelas igrejas para se apropriarem do Escotismo.
Sem independência total, o Escotismo não pode sobreviver – declarou. – “O objetivo do Movimento” – escreveu “é melhorar a saúde e a forma do caráter e, como ele é amplo, estimular o senso de fraternidade entre os seus associados, sem distinção de nacionalidade, religião ou classe”[iii].
Ele costumava afirmar que o movimento escoteiro não tinha caráter partidário, mas sim aceitava todos os jovens sem levar em consideração as suas idéias políticas e a ideologia de cada um deles ou o posicionamentos dos seus pais.
Como organização internacional, o movimento escoteiro tem atualmente na Conferência Escoteira Mundial a sua maior autoridade. A Conferência equivale a uma assembléia geral das associações escoteiras de todo o mundo, que se reúnem a cada três anos. A partir de 1922, com a criação da WOSM[iv] (Organização Mundial do Movimento Escoteiro), as atividades do movimento escoteiro no mundo foram submetidas ao controle de um organismo central[v]. Quando da criação do Escritório Internacional, em 1920, Hubert S. Martins assumiu a função de diretor, até 1938, quando foi substituído por John Skinner Wilson.
Além de exercer controle sobre o registro internacional de escoteiros, a WOSM foi criada para dar assistência às organizações nacionais do movimento escoteiro. A WOSM tem suas diretrizes definidas pela Conferência Escoteira Mundial. Seja qual for o seu tamanho, cada organização nacional tem direito a seis votos na Conferência, que se realiza a cada dois anos. A Organização Mundial do Movimento Escoteiro trabalha em conjunto com a UNICEF, a UNESCO, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a OMS – Organização Mundial da Saúde, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e também com organizações não governamentais como a Cruz Vermelha, o Crescente Vermelho e o Fundo Mundial pela Natureza. Além disso, mantém estreitas relações com a Associação Mundial das Girls Scouts[vi].
O financiamento internacional das atividades escoteiras é gerenciado pela Fundação Escoteira Mundial, que fornece parte dos recursos financeiros necessários ao apoio e crescimento do Escotismo no mundo. A Fundação tem como presidente honorário o rei Carlos XVI, Gustaf, da Suécia, com a participação de líderes escoteiros de todos os continentes e vários países em sua direção executiva.
As atividades quotidianas do movimento são de responsabilidade do Comitê Mundial de Escotismo. O Comitê é composto por 12 representantes de diferentes países, eleitos pela Conferência Mundial, e representa a Conferência durante os intervalos entre as reuniões. Quando da criação do Comitê, Baden-Powell insistiu que os membros individuais fossem escolhidos não como representantes de um país, mas com base em suas próprias capacidades, seu caráter e seu conhecimento do Escotismo. Tal Comitê é responsável pela organização do Escritório Escoteiro Mundial (World Scout Bureau), sediado em Genebra, na Suíça. O Escritório é um órgão executivo permanente composto por profissionais chefiados por um Secretário-Geral. O Escritório central coordena as atividades de cinco escritórios regionais: o da Região Européia,com sede na Suíça; o da Região Africana, no Quênia; o da Região Árabe, no Egito; o da Região Ásia-Pacífico, nas Filipinas; e, o da Região Interamericana, no Chile.
Em cada país, o Escotismo é dirigido pela sua entidade nacional. No Brasil, a UEB - União dos Escoteiros do Brasil é o órgão máximo do movimento escoteiro no país. Ela é uma associação civil de âmbito nacional que reúne todos os praticantes do Escotismo. Seus órgãos dirigentes são a Assembléia Nacional (com representantes de todas as regiões escoteiras estaduais), o Conselho de Administração Nacional, a Diretoria Nacional, o Escritório Nacional (órgão executivo) e a Comissão Fiscal Nacional.
Em cada um dos Estados Brasileiros funciona uma Região Escoteira, representante da UEB. As Regiões Escoteiras, em alguns Estados, são divididas em Distritos, aos quais se vinculam os grupos de escoteiros. Quando o número de grupos escoteiros numa Região não é muito elevado, é dispensada a divisão distrital. O Grupo Escoteiro é a unidade na qual as práticas do Escotismo são exercitadas. Cada Grupo Escoteiro - GE possui uma assembléia de Grupo, que é o seu órgão máximo. A Diretoria do Grupo é eleita em assembléia, juntamente com a Comissão Fiscal.
[i] Os dados disponibilizados pela União dos Escoteiros do Brasil são referentes ao ano de 2001.
[ii] 80% dos escoteiros registrados na Brasil pertencem as Regiões Sul e Sudeste. Os estados da Região Norte do país possuem apenas 3% do total nacional.
[iii] Cf. NAGY, Laszlo. 250 milhões de escoteiros. Porto Alegre: União dos Escoteiros do Brasil, 1987. p. 75.
[iv] A WOSM foi criada durante a Conferência Escoteira Mundial (World Scout Conference), realizada pela primeira vez em 1922. A Conferência, o órgão máximo da WOSM, se reúne a cada três anos e elege o Comitê Escoteiro Mundial, composto por 12 membros de países diferentes.
[v] A WOSM é uma associação voluntária internacional da qual participam as organizações nacionais escoteiras.
[vi] A Associação Mundial das Girls Scouts. compartilha dos mesmos princípios do Escotismo e tem cerca de 8 milhões de meninas associadas, em 112 países.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h39
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