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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL V
Dentre os críticos brasileiros do pragmatismo e do pensamento de Dewey e Anísio Teixeira, Saviani foi, certamente, um dos mais cáusticos, principalmente ao analisar a Escola Nova e afirmar que esta afrouxou a disciplina e rebaixou o nível de ensino destinado às camadas populares, considerando tal movimento como mecanismo de recomposição da hegemonia burguesa, ameaçada pela participação política das massas: “a ‘escola nova’ desloca o eixo de preocupações do âmbito da política (relativo à sociedade em seu conjunto) para o âmbito técnico pedagógico (relativo ao interior da escola), cumprindo, ao mesmo tempo, uma dupla função: manter a expansão da escola nos limites suportáveis pelos interesses dominantes e desenvolver um tipo de ensino adequado a esses interesses. Com isto, a ‘escola nova’, ao mesmo tempo que aprimorou a qualidade do ensino destinada às elites, forçou a baixa da qualidade do ensino destinado às camadas populares já que sua influência provocou o afrouxamento da disciplina e das exigências de qualificação nas escolas convencionais.”[i] Certamente idiossincrasias como esta são devidas a ausência de estudos no campo educacional brasileiro a respeito do pragmatismo norte-americano, o que embaça a visão dos críticos quanto ao pensamento de autores como John Dewey e Anísio Teixeira. Críticas como as produzidas por Dermeval Saviani contribuíram para que os autores aqui analisados deixassem de freqüentar a bibliografia dos estudos educacionais no Brasil, a partir da década de 1970 e passassem a ser objeto da rejeição de outros estudos que sequer analisaram os trabalho de Dewey e Teixeira para rejeita-los com segurança. Somente a partir da década de 1990 começaram a aparecer no cenário da pesquisa educacional entre nós estudos que se detiveram de modo mais consistente sobre as idéias e as práticas da Escola Nova no Brasil, apontando os equívocos historiográficos de algumas análises precedentes. São bons exemplos, os textos produzidos por autores como Hugo Lovisolo, Mirian Warde, Clarice Nunes, Zaia Brandão, Marcus Vinicius Cunha, Ana Waleska Mendonça, Marta Maria Chagas de Carvalho, Bruno Bontempi Junior, Maria Rita de Almeida Toledo e Carlos Otávio Fiúza Moreira. Pouco ainda conhecemos do trabalho de John Dewey. Ainda precisamos amadurecer a compreensão que existe no Brasil a respeito do trabalho de Anísio Teixeira. Anísio Teixeira usou o pensamento de Dewey para discursar a respeito da necessidade de estabelecer no Brasil uma democracia que até então era inexistente. Para tanto, Anísio investiu na importância de se explicitar o papel do educador. Papel que ele próprio assumia. Como Dewey, Anísio produziu um conjunto de críticas não apenas aos problemas e fragilidades da chamada Escola Tradicional, mas também às inconsistências da Escola Nova. Na primeira criticou a impossibilidade desta relacionar os conteúdos objeto do seu ensino à experiência vivencial dos alunos. Na segunda, chamou a atenção para os riscos de conceber o ensino apenas como ciência aplicada; e as possibilidades de exaltação de um empirismo medíocre; ou, ainda, a possibilidade de levar a improvisação às últimas conseqüências, em nome do respeito à liberdade da criança. Anísio valorizou menos que Dewey a Psicologia Experimental e buscou uma maior aproximação entre a prática educativa, a Filosofia e a Arte. Questionou as análises quatitativas, muito valorizadas naquele momento, por considera-las empobrecedoras da compreensão da Filosofia e do julgamento dos valores na escola. “Dentro dessa perspectiva, Anísio chega a estabelecer diferenças entre Thorndike e Dewey. Uma delas, por exemplo, é o fato de que, para o primeiro, aprender seria casar estímulos determinados com determinadas respostas ou reações. Para o segundo, aprender, não seria reagir conformadoramente sobre tais estímulos, mas reconstrutivamente.”[ii] NOTAS
[i] Cf. SAVIANI, Dermeval. “Tendências e correntes da educação brasileira.” P. 31-32. [ii] Cf. NUNES. Op. Cit. p. 167. BIBLIOGRAFIA COSTA, Maria Luiza Andreozzi da. 1993. Psicologia da Educação: origens em Edward Lee Thorndike. São Paulo, PUC. (Tese de Doutorado). CUNHA, Luiz Antônio Rodrigues da. 1989. educação e desenvolvimento social no Brasil. Rio de Janeiro, Francisco Alves. DEWEY, John. Como pensamos (Como se relaciona o pensamento reflexivo com o processo educativo). 1959. São Paulo, Editora Nacional. GANDINI, Rachel. 1980. Tecnocracia, capitalismo e educação em Anísio Teixeira. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira. MONARCHA, Carlos. 1989. A reinvenção da cidade e da multidão. Dimensões da modernidade brasileira: a Escola Nova. São Paulo, Cortez/Autores Associados. MOREIRA, Carlos Otávio Fiúza. 2002. Entre o indivíduo e a sociedade: um estudo da Filosofia da Educação de John Dewey. Bragança Paulista, EDUSF. NUNES, Clarice. 2000. Anísio Teixeira: a poesia da ação. Bragança Paulista, EDUSF. SAVIANI, Dermeval. 1985. Escola e democracia. São Paulo, Cortez/Autores Associados. . 1983. “Tendências e correntes da educação brasileira.” In: MENDES, Durmeval Trigueiro. Filosofia da Educação Brasileira. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira. TEIXEIRA, Anísio. 1928. Aspectos americanos da educação.Relatório apresentado ao Governo do Estado da Bahia pelo Diretor-Geral de Instrução comissionado em estudos na América do Norte. Salvador, Tipografia de São Francisco.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h13
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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL IV
Após renunciar ao cargo de diretor da instrução pública do Distrito Federal, Anísio Teixeira publicou a versão que traduzira de Democracia e Educação. Neste livro estão os fundamentos teóricos adotados por Anísio no seu trabalho de reforma do sistema de ensino do Rio de Janeiro. Na década de 1950 ele supervisionou a tradução do livro Reconstruction in philosophy, realizada por Eugênio Marcondes Rocha e Jacob Thealdi. John Dewey ingressou na Universidade em 1882 e se entusiasmou com os estudos de lógica. Eram estudos hegelianos, inspirados nas sínteses sujeito-objeto, matéria-espírito, divino-humano. Em Hegel, Dewey rejeitou o caráter metafísico da formulação do pensamento. Era para os professores que John Dewey escrevia. Em How we think[i], que ganhou sua primeira edição brasileira em 1930, ele mostrou “ao professor que é possível aprender a pensar de forma conseqüente, isto é, elaborar métodos de julgamento adequados e planos de aperfeiçoamento que fizessem dos erros lições úteis, no sentido de deixar claros os métodos insuficientes de aplicação da inteligência.”[ii] Neste livro, Dewey estabelece as finalidades educacionais do pensamento: “criar pessoas conscientes da sua ação e criar a possibilidade de reinventar a ciência e a própria vida. Pensar bem, segundo seu ponto de vista, requer a curiosidade vigilante, a intensidade do interesse concentrado e o exame contínuo de cada passo projetado.”[iii] É no contexto desta obra que Dewey faz uma das mais caras afirmações do pensamento escolanovista. Adverte que o professor não pode ensinar a pensar, pois no seu entendimento esta é uma iniciativa do aluno, posto que aprender é próprio do estudante. Nesse âmbito a tarefa do professor seria apenas a de ensinar. E para isto é necessário o domínio do pensamento reflexivo, o pensamento científico experimental no dizer de Dewey. Trata-se de análise e síntese e não deve ser confundido com o pensamento empírico. O trabalho docente, sob essa ótica, impõe a conciliação rigorosa do lúdico e do trabalho. Pedra de toque do trabalho de John Dewey era a preocupação com as situações de mudança, uma das preocupações centrais da vida norte-americana daquele período. Tal preocupação pontuava o processo de transição entre a vida rural e a urbana dos Estados Unidos da América. Isso atraiu cada vez mais um número maior de leitores para a obra do autor. Público de diversas origens, uma vez que Dewey evitou uma forte polêmica do seu tempo: a que dividia as escolas seculares daquelas comandadas pelas diversas denominações protestantes. Tanto foi crítico do radicalismo ateísta quando da exacerbação dos elementos sobrenaturais. Recusou-se a comungar dos discursos que contrapunham a ciência à religião. Preferiu dar uma interpretação secular aos problemas morais e religiosos. Da mesma maneira que fugiu do embate entre os diferentes agrupamentos políticos, tentando dar ao seu trabalho um caráter de universalidade, o fato de o autor conseguir aplicar o vocabulário filosófico aos problemas vividos no universo escolar facilitou a sua aceitação pelos profissionais do ensino. O entendimento de democracia e mudança social, para Dewey, tem a criança como centro. As possibilidades das mudanças estão postas na infância. Portanto, o caráter democrático da educação reside na possibilidade de desenvolver nos indivíduos a consciência da mudança de hábitos. John Dewey combateu as filosofias tradicionalmente adotadas na história da educação: o platonismo, o racionalismo e o idealismo. Acusou-as de reduzir os objetivos educacionais. Além disso afirmou que elas impedem o desenvolvimento natural da criança, divorciando-a da cultura e da vida social. É a partir de tais pressupostos que ele examina problemas como o currículo e a metodologia. É a educação para a democracia. Articula esses ideais a uma psicologia do comportamento de base biológica. Ainda no âmbito da discussão sobre a democracia, Dewey tece considerações sobre o papel do Estado, rejeitando o dogma da soberania do Estado nacional, valorizando os partidos políticos, as sociedades comerciais, as organizações científicas e artísticas, os sindicatos, as igrejas, as escolas e os clubes. Para ele esse grupos seriam as verdadeiras unidades da soberania social. EM BUSCA DO PRAGMATISMO É comum nos textos sobre educação brasileira nos quais aparece a figura de Anísio Teixeira, ou em qualquer debate a respeito do problema da Escola Nova, referência a John Dewey. Ocorre que são raros, neste país estudos que cuidem de analisar o pensamento de um dos filósofos da educação que mais influenciou toda uma geração de intelectuais da educação no Brasil. O trabalho que Anísio Teixeira fez no sentido de divulga-lo desapareceu ao longo da década de 1970, após a morte do intelectual brasileiro. O conjunto de críticas produzido nos programas de pós-graduação em educação ao longo das décadas de 1970 e 1980 acerca do pensamento escolanovista brasileiro levou Anísio Teixeira, John Dewey e as idéias do pragmatismo norte-americano a caírem no esquecimento no que diz respeito ao debate acadêmico sobre este problema. Criticou-se a ideologia liberal, o capitalismo, a tecnocracia, através de vozes autorizadas como as de Dermeval Saviani[iv], Luiz Antônio Rodrigues da Cunha[v] e Rachel Gandini[vi].
[i] Cf. DEWEY, John. Como pensamos. 1959. Tradução de Anísio Teixeira. São Paulo, Editora Nacional. [ii] Cf. NUNES. Op. Cit. P. 145. [iv] Cf. SAVIANI, Dermeval. 1985. Escola e democracia. [v] Cf. CUNHA, Luiz Antônio Rodrigues da. 1989. educação e desenvolvimento social no Brasil. [vi] Cf. GANDINI, Rachel. Tecnocracia, capitalismo e educação em Anísio Teixeira.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h10
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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL III
TEIXEIRA NA AMÉRICA Anísio Teixeira viajou para os Estados Unidos da América pela primeira vez em abril de 1927, após haver sido diretor de instrução pública do Estado da Bahia, onde trabalhou na implementação de uma reforma educacional moldada pelo que entendia ser, àquele momento, o discurso educacional renovador. Matriculou-se no Teachers College da Columbia University, onde permaneceria até o final de agosto, para em seguida visitar as instituições educacionais de seis Estados norte-americanos, como convidado do International Institute do Teachers College. Esta viagem por diferentes regiões dos Estados Unidos da América se encerrou no mês de novembro e possibilitou a Anísio Teixeira produzir o relatório publicado sob o título de Aspectos americanos da educação.[i] Nesse documento Anísio faz referência as idéias de John Dewey e de Edward Lee Thorndike. Reconhecendo em ambos a mesma importância, Teixeira demonstra ser indispensável levar em consideração “a concepção quantitativista do segundo, cuja proposta era tudo avaliar, calcular e medir, criando métodos de investigação cuja aplicação geral fora realizada em 1911, por iniciativa da Junta para a Economia de Tempo, organizada pela Sociedade Nacional de Educação dos Estados Unidos.”[ii] Ao final do ano de 1927, os estudos de Anísio Teixeira na Columbia University davam-lhe a certeza de que era cada vez mais necessário estudar Dewey e Thorndike. Com o primeiro era possível aprender os sentidos moral e social da democracia e com o segundo o controle dos resultados dos serviços escolares. É importante anotar que naquele momento John Dewey ainda não era o mais importante dentre os pedagogos do país e suas idéias ainda não haviam sido adotadas de modo mais amplo. Ele ainda estava sendo descoberto. O acompanhamento da criança e de todo o seu processo de aprendizagem, desde o momento em que se inicia o trabalho escolar. Era neste âmbito que se colocava o sistema de inspeção escolar adotado nos Estados Unidos da América que tinha, para Anísio Teixeira, o sentido de orientação pedagógica. Como os americanos, ele estava fascinado com os testes de capacidade mental, de aquisição educativa, de situação econômica e social, de saúde e capacidade física. Instrumentos que, na sua opinião, poderiam contribuir para equalizar os diferentes níveis de aprendizagem existentes na escola, contribuindo para com a organização do trabalho do professor. A viagem que fez no segundo semestre do ano levou Anísio a valorizar a organização docente e as experiências das instituições escolares da zona rural norte-americana. A aprendizagem proporcionada aos estudantes dos hábitos de direção e auto-governo, representadas pelos conselhos escolares de alguns estabelecimentos de ensino. Do mesmo modo, os estímulos ao espírito de investigação e a valorização das práticas de leitura. Teixeira enxergava nesses elementos a possibilidade de renovação espiritual que pretendia para a escola brasileira. Ao retornar ao Brasil, no final do ano de 1927, Anísio Teixeira trouxe na bagagem um forte entusiasmo pelas idéias pedagógicas norte-americanas, especialmente aqueles formuladas por Dewey e Thorndike, além de uma sólida amizade que estabelecera com o escritor Monteiro Lobato, à época adido comercial do Brasil em Nova York. Em 1928 ele retornou outra vez aos Estados Unidos. Agora, para permanecer durante dez meses, como bolsista do Macy Student Fund do International Institute, outra vez matriculado no Teachers College, em Nova York. Estudou currículo, educação comparada, análise do trabalho escolar em áreas rurais e teoria filosófica geral da educação. Neste último campo teve Kilpatrick como orientador de estudos. Dentre os autores que leu nesse período, importa anotar os estudos dos textos de William James, Bertrand Russel, Edward Thorndike e John Dewey. Este último fora professor de Kilpatrick. Edward Lee Thorndike se entusiasmara com a obra de William James após haver lido o seu Principles of Psychology. Em 1895, estudando em Harvard, Thorndike teve a oportunidade de ser aluno do próprio James e iniciar sua própria trajetória científica. Foi James que despertou nele o entusiasmo pela Psicologia Experimental, uma vez que este trouxera os fundamentos desse tipo de pesquisa dos laboratórios que conhecera na Alemanha, ao estudar com Wilhelm Wundt. Os laboratórios tinham como fundamento a idéia evolucionista de que o homem é uma espécie animal mais evoluída. Foi justamente esta a concepção que os pragmatistas norte-americanos se empenharam em reformular. Começou a fazer experim,entos comportamentais com pintos, frangos, patos, peixes, ratos, macacos e outros animais. Em 1898 concluiu a sua tese de doutorado na Columbia University, com o título de Animal Intelligence. Discute as possibilidades de aprendizagem dos bichos. Tomou esses experimentos como ponto de partida para formular uma psicologia educacional. Passou aestudar a atividade mental do homem. Em 1899 assumiu o posto de professor do Teachers College da Columbia University. Foi a partir dessa posição que ele pesquisou as diferenças individuais, elaborando testes de medidas destas, a partir da influência dos trabalhos de Galton. Para Thorndike havia uma necessidade fundamental: tratar cientificamente as diferenças individuais. “Ao elaborar trabalhos quantitativos através do uso de testes para medir as diferenças individuais, aperfeiçoou por um lado os testes como critério de medida, e por outro, os experimentos psicológicos, direcionando-os para uma perspectiva cada vez mais científica.”[iii] Nas leituras que fizera de Dewey durante a sua segunda viagem aos Estados Unidos da América, Anísio encontrou um crítico dos impasses da democracia americana diante de problemas como a imigração crescente que sufocava o país diante da enorme quantidade de estrangeiros que ali chegavam a cada ano. Como intelectual militante, Dewey se caracteriza por atuar assistindo instituições com fins filantrópicos e voltadas para o auxílio material e educacional aos imigrantes pobres. Ele afirmava que os estrangeiros não representavam nenhum perigo ao seu país e que o problema estava nas próprias instituições norte-americanas. O discurso pragmatista de Dewey era otimista diante do fenômeno da imigração, por ver nele possibilidades concretas de alteração da estrutura de classes sociais do país e um intenso movimento de ascensão social. Por outro lado, a imigração vinha forçando uma expansão na oferta da escola pública por parte do governo o que provoca também um crescimento das associações e movimentos docentes. Anísio Teixeira conheceu as idéias de Dewey quando este já era um professor universitário importante que havia trabalhado em universidades como Vermont, John Hopkins, Michigan, Chicago e Columbia. A sua obra se espraiava por campos como filosofia, ética, psicologia, ciência política, sociologia e educação. Já havia participado de experiências pedagógicas importantes, como a escola elementar da Universidade de Chicago e a Hull House. Anísio se empenhou, entre o final da década de 1920 e a década de 1950, a divulgar a obra de Dewey no Brasil. Clarice Nunes informa que um dos primeiros trabalhos publicados foi Vida e educação, reunindo dois ensaios: “um sobre a teoria da educação deweyana na sua perspectiva de reconstrução da experiência, e outro que discutia o programa escolar e trabalhava as noções de interesse e esforço. Ambos eram precedidos por uma apresentação de Anísio que, à época, era professor de filosofia da educação na Escola Normal de Salvador.”[iv]
[i] Cf. TEIXEIRA, Anísio. Aspectos americanos da educação. [ii] Cf. NUNES, Clarice. Anísio Teixeira: a poesia da ação. P. 117. [iii] Cf. COSTA, Maria Luiza Andreozzi da. Psicologia da Educação: origens em Edward Lee Thorndike. P. 11. [iv] Cf. NUNES. Op. cit. . P. 158.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h19
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Modernidad, republicanismo y democracia: una historia de la educación en España (1898-2008)
PUELLES BENÍTEZ, Manuel de, "Modernidad, republicanismo y democracia: una historia de la educación en España (1898-2008)", Valencia, Tirant lo Blanch, 2009. ISBN: 978-84-9876-411-6.
No estamos ante una historia más de la educación en la España del siglo XX, sino ante una historia interpretativa de la educación en España desde una fecha tan significativa, para este país, como 1898 hasta el presente. En palabras del autor, desde la crisis de 1898 hasta las elecciones legislativas de 2008, aunque haya dos capítulos previos sobre los conceptos de modernidad, modernización, republicanismo y democracia y las reformas educativas ilustradas y decimonónicas). Estamos ante una historia interpretativa porque no es contada o descrita sin más, sino explicada, interpretada, a la luz del proceso de modernidad y de las fuerzas y grupos sociales y sobre todo políticos que lo han promovido (liberales, republicanos, demócratas) frente a aquellas, de índole conservadora, que lo han frenado. El libro consta de tres partes: "Modernidad y resistencias", "Republicanismo y frustración" y "Democracia: una apuesta por la modernidad". A lo largo de ellas, quien haya leído otros trabajos anteriores del profesor Puelles en forma de artículo o libro (por ejemplo sobre los regeneracionismos, los debates presupuestarios y parlamentarios de principios del siglo XX, la secularización de la enseñanza, la nueva derecha española de finales del siglo XX y el influjo en la misma de la Nueva Derecha inglesa, el consenso político y al Ley Orgánica de Educación de 2006), podrá encontrar huellas y reinterpretaciones de algunos de ellos a la luz de los conceptos antes citados y, al mismo tiempo, otros totalmente nuevos o escasamente tratados, desde esta perspectiva. En definitiva, parece como sí Puelles se hubiera decidido a sacar a la luz, de un modo más explícito, las ideas básicas que subyacen e iluminan buena parte de su producción escrita de los últimos años ofreciendo una obra interpretativa de conjunto que da sentido y coherencia a la misma. Todo ello, además, contextualizando de modo continuo el "caso" español en el marco de la evolución política y educativa de los países de nuestro entorno cultural. Antonio Viñao
Categoria: Informação bibliográfica
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 21h02
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SEMINÁRIO ANUAL 2009 - PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
http://jorge.carvalho.zip.net
Data: 27/02 a 27/12/2009
Local: AUDITÓRIO DO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE
A trajetória intelectual de Pierre Bourdieu foi marcante pela originalidade dos seus estudos acerca dos camponeses, dos artistas, da escola, dos clérigos, dos patrões, das classes sociais, contribuindo para os campos da Etnologia, da Sociologia, da Filosofia, da Sociolingüística, da Economia e da História. Desde a publicação do seu primeiro livro, Sociologia da Argélia, em 1958, de modo original ele demonstrou que a crise do campesinato não encontrava sua explicação apenas no debate sobre o capitalismo agrário, mas também nos mecanismos muito mais sutis que se relacionam com a sua própria reprodução, estabelecendo a partir de então o conceito de habitus. Com base neste ponto de partida, desenvolveu um acervo teórico que evidenciou o papel do capital cultural, aprofundou a noção de capital cultural e analisou as funções sociais das práticas culturais. Este tema Bourdieu retomariaquando já intelectual maduro, em 1992, publicou As regras da arte, propondo uma teoria geral dos campos e refletindo sobre a revolução simbólica ao tratar da função social dos intelectuais. A sua primeira análise mais densa sobre Educação aconteceu em 1970, quando publicou A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, em parceria com Jean-Claude Passeron. Não obstante as críticas que o trabalho recebeu, ele foi fundamental para o aprofundamento da noção de violência simbólica, o que permitiu a Pierre Bourdieu desenvolver melhor as suas discussões acerca de idéias como a do mercado dos bens simbólicos, dando sentido a conceitos como campo de produção simbólica em sentido estrito. Para o autor, este é um espaço de produção erudita no qual os produtores têm por público, essencialmente, os outros produtores, seus concorrentes diretos. Neste debate, Bourdieu delimitou também a idéia de campo da grande produção cultural, explicitando os papeis que exercem o jornalismo e a indústria de bens culturais. Foi ainda estudando o campo de produção simbólica que o autor discutiu a especificidade do campo científico e as condições sociais do progresso da razão, observando tal campo de produção em sentido estrito e rompendo com a tradição dominante na Sociologia da Ciência, ao introduzir os conceitos de campo científico e capital científico e demonstrando a lógica do mercado científico, no qual os clientes mais importantes são os próprios concorrentes. Esgrimindo idéias originais, Bourdieu buscou, com o amadurecimento das suas reflexões, a incorporação de contribuições originárias da perspectiva neokantiana, como em A Distinção: crítica social do julgamento, que publicou em 1979, ara afirmar a sua teoria do conhecimento sociológico. O tema da Educação retornou fortemente às suas reflexões, sib tra perspectiva, em 1984, quando publicou Homo academicus, estudando o corpo docente e a instituição universitária da França, subinhando o academicismo, as lutas entre as disciplinas e a perspectiva escolástica. Tal análise ganhou maior aprofundamento em 1989, quando Bourdieu colocou em circulação o livro A nobreza do Estado, analisando as grandes escolas e o corporativismo. CRONOGRAMA DE DEBATES Data Texto Expositor 27/02 A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1970. Jorge Carvalho 27/03 Sociologia da Argélia. 1958. Samuel Albuquerque 24/04 Os herdeiros. 1964. Jônatas Menezes 29/05 A distinção: Crítica social do julgamento. 1979. Anamaria Bueno de Freitas 26/06 Homo academicus. 1984. Joaquim Tavares 31/07 A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª edição. Ester Fraga 28/08 A nobreza do Estado. 1989. Vera Santos 25/09 O Desencantamento do Mundo: Estruturas Econômicas e Estruturas Temporais. São Paulo: Perspectiva. Rodorval Ramalho 30/10 Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Luiz Eduardo Oliveira 27/11 As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. Dinamara Feldens 27/12 Razões Práticas sobre a Teoria da Ação. Campinas: Papirus, 1997. Antônio Samarone Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Inscrições: Enviar e-mail para jorge@ufs.br
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h54
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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL II
A esta, somava-se a idéia da necessidade de trabalhar arduamente para sobreviver, sempre com muita introspecção. Eles defendiam a idéia de coesão social e autocontrole, ou, no máximo um eficaz controle informal. Os Estados Unidos estavam consolidando a expansão da fronteira agrícola do Oeste e, com ela, a visão de que os fazendeiros dedicados tinham todas as chances, porque o trabalho era uma fonte de oportunidades sem limitações. As dificuldades econômicas que surgiam enfrentavam reações do pragmatismo, que se dispunha a construção de um novo tipo de liberalismo, com fundamento num sólido otimismo e propondo reformas que priorizavam a ação individual. Os pragmatistas faziam um discurso que representava um tipo de reação à crise da ordem social, propunha mudanças e não abria mão da idéia de que quem controla a sociedade é ela própria – o social control. Eram o ativismo e as lutas por reformas sociais que forneciam o alento do qual o pragmatismo se nutria. “Uma coisa, entretanto, não deve ser esquecida, a complexa relação entre uma visão coletivista e o compromisso com os indivíduos. Trata-se de uma tensão que não se resolve com facilidade, e aparece tanto no pragmatismo – considerado como uma filosofia social ou como uma filosofia da educação – quanto na tradição sociológica que se formou sob sua influência.”[i] Toda esta configuração se apresentava numa sociedade que vivia, dentre os seus dramas, o espetáculo do inchaço das cidades, uma repressão cruel ao movimento dos trabalhadores, a expansão dos cortiços ao redor das minas de carvão e das indústrias. Havia, da parte de muitos pastores protestantes uma certa ansiedade no sentido de adaptar melhor o país à pregação moral do cristianismo. Ademais, boa parte do clero vinha perdendo prestígio político e econômico após a Guerra Civil. A doutrina religiosa recebia uma forte contestação da teoria evolucionista. Assumir a bandeiras das reformas sociais era uma tentativa de recompor o prestígio que se fora. Por outro lado, este período foi também marcado pela formação da vigorosa é influente camada média de profissionais que se consolidou no país. O pragmatismo dirigia, assim, o seu discurso às pessoas que buscavam ascender socialmente com base nos seus méritos profissionais. Principalmente aos intelectuais que buscavam, através das universidades, colaborar com o desenvolvimento da nação. Esse grupo sensibilizava políticos e homens de negócios que liberavam somas cada vez maiores para as instituições universitárias. Os últimos anos do século XIX foram um período de criação de grandes universidades norte-americanas. Modernas, sem o compromisso das tradicionais universidades européias, instituições como a John Hopkins University e a Universidade de Chicago foram instaladas, respectivamente, em 1876 e 1892. Esta última, a Universidade de Chicago, se transformou num centro de pesquisas científicas que amparou os intelectuais pragmatistas, principalmente John Dewey e George Herbert Mead. O debate intelectual realizado na Universidade de Chicago era pródigo em críticas ao “formalismo e fatalismo dos sistemas filosóficos europeus: o apriorismo de Kant, a metafísica formal de Hegel, o mecanicismo de Spencer, etc. Era preciso passar do formalismo para a experiência, pois afinal de contas todos esses sistemas eram produtos da vida humana.”[ii] O pensamento filosófico de John Dewey, de George Herbert Mead e de outros intelectuais da Universidade de Chicago incorporou boa parte das críticas de Charles Peirce às idéias do formalismo cartesiano e também da psicologia de William James. Trabalhando em Harvard, James fora professor de Herbert Mead, através de quem suas idéias chegaram ao debate dos intelectuais de Chicago. É a contribuição dele que ajuda a superar a clássica dicotomia entre a realidade externa do mundo e a realidade interna da mente. Os pragmatistas propõem que todo o conhecimento resulta da atividade que muda a mente e o mundo conhecido. A atividade é biológica, psicológica e ética. Mantém relação com o conceito de função e com a noção de processo orgânico. “Isto envolve a idéia de um agente que deseja, sente e tem emoções, e implica um objeto ou fim em vista do qual o movimento está dirigido. Mas nesta visão de atividade concreta a função biológica não é apenas um processo mecânico, nem o agente um ser espiritual sobrenatural, nem o fim é qualquer tipo de absoluto.”[iii] Na opinião de John Dewey, George Herbert Mead foi o mais importante intelectual do grupo de pragmatistas que trabalhou em Chicago. Ele abriu para a ciência a possibilidade de investigar o nexo existente entre os processos sociais e as ações dos indivíduos. Ao falar durante os funerais dele, em 1931, Dewey disse que Mead “passou a vida tentando resolver a antítese proposta por Wilhelm wundt – ‘o problema da mente e da consciência individual em relação ao mundo e à sociedade.’”[iv] George Herbert Mead estudou em Leipzig, com Wilhelm Wundt.
[i] Idem, ibidem. P. 198. [iii] Cf. RUCKER apud MOREIRA. Op. cit. P. 202. [iv] Cf. MOREIRA. Op. cit. P. 203.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h45
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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL
Anísio Teixeira foi, dentre os intelectuais que constituíram o chamado grupo dos Pioneiros da Educação Nova, aquele que mais se empenhou na divulgação e na aplicação à realidade social brasileira dos padrões de organização escolar correspondentes ao pensamento pragmatista norte-americano. Foi esse movimento que permitiu, nos Estados Unidos da América, durante primeira década do século XX, a redefinição do estatuto da Pedagogia como programa de reconstrução social. Tal redefinição projetou o seu principal teórico, John Dewey, de quem Anísio foi aluno, tradutor e divulgador da obra no Brasil. A obra de Dewey fez a síntese das aspirações sociais norte-americanas da segunda metade do século XIX, tomando como base o evolucionismo de Charles Darwin e o pragmatismo de William James. No prefácio do livro de Carlos Monarcha, A reinvenção da cidade e da multidão[ii], Mirian Warde acentua o caráter imediatista do pensamento educacional brasileiro, afirmando que nós, os pedagogos, temos horror à teoria e à história. Talvez esta fragilidade contribua de algum modo para a escassez de estudos no campo educacional brasileiro que discutam de modo consistente o pensamento pragmatista norte-americano e as idéias de Dewey e Anísio Teixeira, de modo a superar a dicotômica representação que o movimento escolanovista ganhou entre nós. De um lado, visto por alguns herdeiros da memória produzida pelos próprios Pioneiros, como portador de todas as possibilidades de superação das contradições sociais e, portanto, merecedor da imediata e irrefletida adesão. De outro lado, demonizado por algumas interpretações que emergiram a partir da produção acadêmica dos programas de pós-graduação em educação criados no Brasil a partir da década de 1970. Esta última visão, põe ênfase nos compromissos do escolanovismo com a reificação do pensamento burguês e, de plano, o rejeita. O PRAGMATISMO O pragmatismo é uma visão de mundo e uma corrente filosófica que se desenvolveu nos Estados Unidos da América a partir das três últimas décadas do século XIX. O conjunto de idéias que constitui essa correntes foi formulado inicialmente por Charles Peirce, William James, John Dewey e Herbert Mead. O discurso pragmatista gira em torno da idéia de interação social, tal como formulada pela filosofia social de Dewey e Mead. Essas idéias terminaram influenciando o conjunto de estudos sociológicos desenvolvidos entre os anos de 1915 e 1940, que ficaram conhecidos como Escola de Chicago. Segundo Carlos Moreira[iii], os intelectuais pragmatistas norte-americanos “têm em comum a idéia de que os hábitos e a consciência dos indivíduos são elaborados por meio das interações sociais. Dewey explorou tal perspectiva no âmbito da educação, tendo Mead dado um tratamento a essa questão mais próximo da linguagem da psicologia social.”[iv] Vale lembrar que a sociedade norte-americana do final do século XIX estava consolidando as características da sua formação cultural relacionadas ao individualismo moral de origem religiosa legado pelo puritanismo protestante. “Os puritanos desenvolveram uma religião onde a introspecção é um elemento nuclear. Eles eram ‘individualistas’, principalmente em sua versão evangélica, entendendo que as pessoas podiam ter uma relação direta com Deus, sem a necessidade da intermediação de instituições hierarquizadas ou regras formais.”[v]
[i] Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. [ii] Cf. MONARCHA, Carlos. 1989. A reinvenção da cidade e da multidão. [iii] Cf. MOREIRA, Carlos Otávio Fiúza. Entre o indivíduo e a sociedade: um estudo da Filosofia da Educação de John Dewey. [vi] Idem, ibidem. P. 198.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h56
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