EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
  
 
 

Gilvan Rocha, a TV e a surpresa de 1974 III

 

 

 

Quadro XXVII

CANDIDATOS DO MDB A CARGOS ELETIVOS - 1974

CARGO

CANDIDATO

Deputado Estadual

Adirani Santos

Antônio Mesquita

Aristides Pereira de Morais

Arnóbio Patrício de Melo

Azer dos Santos

Baltazar Francisco dos Santos

Gerson Argolo Filho

Guido Azevedo

Hildebrando Dias da Costa

Jackson Barreto

João Alves

João Santana Sobrinho

Jonas de Aguiar

José de Almeida Fontes

José Batalha de Góes

Leopoldo Souza

Costa Pinto

Arlete Barreto

Nivaldo Teles

Octávio Penalva

Oviedo Teixeira

Rosalvo Silva

Wellington Paixão

Fonte: Diário de Aracaju, Ano VIII, nº 3.378, 16 de julho de 1974. p. 1.

 

 

Outra vez o partido da oposição enfrentou uma campanha eleitoral necessitando driblar os obstáculos. As dificuldades eram as mais diversas. Contudo, boa parte delas dizia respeito a dificuldade de manter a chapa de candidatos, pelas dificuldades que apareciam a cada momento. Vários candidatos do partido enfrentaram graves problemas para figurar na chapa do MDB, como o padre Arnóbio Patrício de Melo que enfrentou um duro e conflituoso debate com o arcebispo de Aracaju que era contrário ao registro da sua candidatura. O vereador Jonas Amaral, indiciado em inquérito pela Polícia Federal e processado em 1970, outra vez foi indiciado em inquérito por iniciativa da mesma Polícia e processado em 1974. A Procuradoria Geral da República tentou impedir o registro da candidatura de Baltazar Santos.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h30
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Gilvan Rocha, a TV e a surpresa de 1974 II

 

 

 

Quadro XXVII

CANDIDATOS DO MDB A CARGOS ELETIVOS - 1974

CARGO

CANDIDATO

Senador da República

Gilvan Rocha

Suplente de Senador da República

Antonio Tavares

Deputado Federal

Cadmo Nascimento

José Carlos Teixeira

João Simões dos Reis

Jonas Amaral

Lauro Rocha

Umberto Mandarino

Fonte: Diário de Aracaju, Ano VIII, nº 3.378, 16 de julho de 1974. p. 1.

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h24
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Gilvan Rocha, a TV e a surpresa de 1974

 

 

A eleição de 1974 foi preparada cuidadosamente pelo MDB, a fim de evitar a repetição dos problemas que correram em 1970. Em dezembro de 1973, José Carlos Teixeira definiu a sua estratégia eleitoral, que influenciaria as decisões partidárias, ao publicar o “Manifesto ao Povo Sergipano”:

 

 

Proclamados os resultados do pleito eleitoral de 1970, para a Câmara dos Deputados agradecia o apoio que me destes e afinal, pedia-vos uma licença para tratar de interesses particulares, em Brasília, onde iria tentar, por todos os meios ao meu alcance, reorganizar-me profissionalmente, como empresário, já que, àquela época, decorridos 10 anos de atividades políticas, não tinha qualquer emprego público.

E, realmente, a minha luta, desde então, foi sem tréguas. Porfiei dia a dia, por um lugar ao sol, nas duras pelejas da profissão empresarial tendo, graças a Deus, à minha família e a uma grande confiança em mim próprio, conseguindo um relativo êxito profissional.

Apesar disso, porém, em nenhum momento, desvinculei-me da política, diante da minha vocação inata para a vida pública e, por isso mesmo, dos compromissos que, desde muito jovem, assumi com Sergipe e com os meus conterrâneos. Haja vista que, durante esses últimos 3 (três) anos, nunca perdi os contatos com os correligionários da área federal, estadual e municipal, através da correspondência ou das minhas viagens periódicas ao Estado.

Faço estas considerações iniciais, para esclarecer que, bem ao contrário do que alguns comentaristas políticos disseram, sempre me mantive presente na política sergipana, mesmo sem mandato eletivo, numa conjuntura em que, os partidos vivem praticamente em torno dos que exercem atividades parlamentares.

Hoje, bem poderia acomodar-me apenas na empresa privada, assegurando a mim e aos meus familiares um ambiente de maior tranqüilidade e conforto. Conselhos não me faltaram nesse sentido. Mas vós me conheceis: sou homem de luta.

Já fiz a minha opção que, a esta altura da vida, afastado do Congresso por um mero acidente eleitoral, não poderia ser outra senão pleitear o meu retorno à Câmara dos Deputados onde, estou certo, ainda terei condições de servir a Sergipe, ao Nordeste e ao Brasil.

Assim, nas próximas eleições de 15 de novembro de 1974, serei candidato a deputado federal, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), esperando contar com o vosso apoio e a vossa solidariedade que, aliás, nunca me faltaram, pois, em 1970, como já repeti várias vezes, não me senti derrotado pessoal e politicamente O que houve foi a vitória de um esquema, com a escolha dos governadores pelo Presidente da República, sob o pretexto da eleição indireta.

Volto para servir a Sergipe e ao meu povo de que sou parte integrante, Volto para defender os interesses do Nordeste, numa fase em que a Sudene sofre os efeitos calamitosos de algumas medidas que esvaziam os seus planos de desenvolvimento regional. Volto para ajudar o meu partido, na sua batalha gloriosa pela democratização do Brasil, através de um modelo político moderno, em que o Executivo seja forte, mas o Judiciário respeitado e o Legislativo, independente e altivo. Volto para estudar, com os meus companheiros do MDB, a reformulação de nossa estratégia política. Volto para examinar, com empenho, as justas reivindicações dos assalariados de todas as categorias, do setor privado e do setor público. Volto para apoiar a política de modernização da empresa, sem prejuízo, porém, do pequeno e do médio empresário, cujo papel nos planos de desenvolvimento é, por demais, importante. Volto para pedir maior controle das inversões estrangeiras no Brasil. Volto para clamar pela implantação das reformas de nossas estruturas econômicas e políticas, as quais já não podem tardar. Volto para pugnar por uma democracia política e um desenvolvimento econômico que se preocupem, primordialmente com a pessoa humana, em toda a sua extensão.

Sergipanos!

Eis, em poucas palavras, as minhas intenções políticas neste final de ano, quando aproveito a ocasião para enviar-vos e às vossas famílias, os meus votos por um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, pedindo a Deus que inspire os nossos Governantes, os demais homens públicos civis e militares, os homens de empresa, os intelectuais, os sacerdotes de todos os credos religiosos, os líderes sindicais e estudantis, enfim todos os brasileiros para que juntos encontremos, o mais cedo possível, o melhor caminho que leve o Brasil a uma sociedade aberta, com o devido respeito aos princípios de liberdade, autoridade e justiça social, que são os alicerces mais sólidos de uma democracia autêntica e estável.

a)      JOSÉ CARLOS TEIXEIRA

Presidente do MDB[1].

 

 

O partido oposicionista realizou sua convenção no dia 15 de julho de 1974, no plenário da Assembléia Legislativa, homologando os nomes dos candidatos ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa. Além do médico Gilvan Rocha e do suplente de sua chapa, Antonio Tavares, foram indicados os nomes de seis candidatos a deputado federal e 23 candidatos a deputado estadual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Cf. “Manifesto ao Povo Sergipano de José Carlos Teixeira – Presidente do MDB”. In: Jornal da Cidade, Ano II, nº 553, 30 de dezembro de 1973. p. 12.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h35
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A campanha de 1972 e os conflitos entre os comunistas V

 

 

 

Quadro XXVI

MUNICÍPIOS NOS QUAIS O MDB ELEGEU PREFEITOS NAS ELEIÇÕES DE 1972

Município

Prefeito

Barra dos Coqueiros

José Cândido dos Santos

Cedro de São João

Lealdo de Souza Fraga

Estância

Raimundo Silveira Souza

Monte Alegre de Sergipe

Jason Joaquim de Santana

Nossa Senhora do Socorro

Fortunato Mendonça

São Cristóvão

Cledivaldo de Oliveira Santos

Tomar do Geru

Ulisses Guimarães da Fonseca

Fonte: DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe, 1964/1984: partidos e eleições num Estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 151.

 

 

            Uma das vitórias que mais entusiasmou o partido foi a eleição do prefeito de Estância, Raimundo Silveira Souza, que já havia exercido o cargo anteriormente. O MDB apresentou três candidatos no município, aproveitando-se do artifício da sub-legenda, criado para beneficiar os candidatos governistas. Assim, o partido ficou em pé de igualdade com a Arena, em número de candidatos, superando a legenda situacionista por 230 votos. Pelo MDB concorreram, além de Raimundo Souza, Núbia Macedo e José Azevedo, que obteve somente 37 votos. Contudo, Núbia Macedo recebeu 760 sufrágios, enquanto Raimundo Silveira Souza obteve 1.900 votos. Raimundo fora prefeito de Estância no período de 1967 a 1970.

Um fato inusitado ocorreu no município de Barra dos Coqueiros, onde Hermes Pacífico, prefeito eleito pelo MDB sofreu uma obstrução coronariana logo após a eleição, vindo a falecer. Depois de várias tentativas da Arena para que fossem convocadas novas eleições, o Tribunal Regional Eleitoral determinou o cumprimento da legislação vigente à época e diplomou o segundo mais votado José Cândido dos Santos, uma vez que o partido disputara as eleições naquele município com três sublegendas.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h11
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A campanha de 1972 e os conflitos entre os comunistas IV

 

 

 

De acordo com Jonas Amaral, quase todas as lideranças da Juventude do MDB, principalmente aqueles líderes ligados ao Partido Comunista Brasileiro, ficaram ao lado da candidatura de Jackson Barreto.

 

 

Eu só tive um cabo eleitoral do movimento de esquerda que me ajudou: Agamenon. Os outros todos acompanharam a candidatura de Jackson, em nome da obediência à orientação do Partido Comunista, inclusive Wellington Mangueira e Jackson Sá Figueiredo. Eu não tive uma votação expressiva, mas fui eleito[1].

 

 

De fato, a primeira proposta para que os comunistas tivessem dois candidatos a vereador naquela eleição foi apresentada por Jackson Barreto de Lima e encampada com sagacidade por Marcélio Bonfim. Mas Jackson, habilmente, não apresentou a própria candidatura. O Partido Comunista consultou outros nomes, como o de Vivaldo Lima, irmão de Rosalvo Alexandre, à época importante liderança da juventude. Posteriormente se lançou o nome de Jackson Barreto. O projeto deu certo e os dois nomes dos comunistas foram eleitos: Jackson Barreto e Jonas Amaral, o primeiro com 1.766 votos, consagrado como o vereador mais votado daquele pleito na capital do Estado. Todavia, o próprio Jackson afirma que aquela foi uma campanha muito difícil:

 

 

Eu vivia muito nos bairros, fazia campanha para vereador em 1972 e não tinha carro. Saía de casa de manhã e tinha de comer nas casas dos outros mesmo. Almoçava num lugar, merendava num outro. Não tendo preconceito com a população pobre, em todo e qualquer lugar que eu chegava, eu comia, fosse no prato, fosse na mão[2].

 

 

Quadro XXV

CANDIDATOS AO CARGO DE VEREADOR PELO MDB ELEITOS EM ARACAJU – 1972

VEREADOR

NÚMERO DE VOTOS

Jackson Barreto de Lima

1.766

Antônio Mesquita

1.731

Maria Arlete Barreto de Melo

1.205

João Alves da Silva

1.115

Manoel Dórea

1.063

Jonas Amaral

1.061

Aristides Morais

1.041

José Ferreira de Melo

1.006

Fonte: DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe, 1964/1984: partidos e eleições num Estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 165.

 

 

O MDB concorreu às eleições municipais de 1972 em apenas 32 cidades do Estado de Sergipe, ficando sem nenhum representante nas câmaras municipais de 42 municípios. Em todo o Estado, o partido conseguiu eleger somente sete prefeitos.

 

 

 



[1] Cf. AMARAL Neto, Jonas da Silva. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 14 de agosto de 2008.

[2] Cf. SANTOS, Osmário. Memória dos políticos de Sergipe do século XX. Aracaju: Gráfica e Editora J. Andrade, 2002. p. 352.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h06
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SEMINÁRIO ANUAL 2009 - PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

http://jorge.carvalho.zip.net

Data: 27/02 a 27/12/2009

Local: AUDITÓRIO DO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE

A trajetória intelectual de Pierre Bourdieu foi marcante pela originalidade dos seus estudos acerca dos camponeses, dos artistas, da escola, dos clérigos, dos patrões, das classes sociais, contribuindo para os campos da Etnologia, da Sociologia, da Filosofia, da Sociolingüística, da Economia e da História. Desde a publicação do seu primeiro livro, Sociologia da Argélia, em 1958, de modo original ele demonstrou que a crise do campesinato não encontrava sua explicação apenas no debate sobre o capitalismo agrário, mas também nos mecanismos muito mais sutis que se relacionam com a sua própria reprodução, estabelecendo a partir de então o conceito de habitus. Com base neste ponto de partida, desenvolveu um acervo teórico que evidenciou o papel do capital cultural, aprofundou a noção de capital cultural e analisou as funções sociais das práticas culturais. Este tema Bourdieu retomariaquando já intelectual maduro, em 1992, publicou As regras da arte, propondo uma teoria geral dos campos e refletindo sobre a revolução simbólica ao tratar da função social dos intelectuais. A sua primeira análise mais densa sobre Educação aconteceu em 1970, quando publicou A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, em parceria com Jean-Claude Passeron. Não obstante as críticas que o trabalho recebeu, ele foi fundamental para o aprofundamento da noção de violência simbólica, o que permitiu a Pierre Bourdieu desenvolver melhor as suas discussões acerca de idéias como a do mercado dos bens simbólicos, dando sentido a conceitos como campo de produção simbólica em sentido estrito. Para o autor, este é um espaço de produção erudita no qual os produtores têm por público, essencialmente, os outros produtores, seus concorrentes diretos. Neste debate, Bourdieu delimitou também a idéia de campo da grande produção cultural, explicitando os papeis que exercem o jornalismo e a indústria de bens culturais. Foi ainda estudando o campo de produção simbólica que o autor discutiu a especificidade do campo científico e as condições sociais do progresso da razão, observando tal campo de produção em sentido estrito e rompendo com a tradição dominante na Sociologia da Ciência, ao introduzir os conceitos de campo científico e capital científico e demonstrando a lógica do mercado científico, no qual os clientes mais importantes são os próprios concorrentes. Esgrimindo idéias originais, Bourdieu buscou, com o amadurecimento das suas reflexões, a incorporação de contribuições originárias da perspectiva neokantiana, como em A Distinção: crítica social do julgamento, que publicou em 1979, ara afirmar a sua teoria do conhecimento sociológico. O tema da Educação retornou fortemente às suas reflexões, sib tra perspectiva, em 1984, quando publicou Homo academicus, estudando o corpo docente e a instituição universitária da França, subinhando o academicismo, as lutas entre as disciplinas e a perspectiva escolástica. Tal análise ganhou maior aprofundamento em 1989, quando Bourdieu colocou em circulação o livro A nobreza do Estado, analisando as grandes escolas e o corporativismo. CRONOGRAMA DE DEBATES Data Texto Expositor 27/02 A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1970. Jorge Carvalho 27/03 A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª edição. Ester Fraga 24/04 A distinção: Crítica social do julgamento. 1979. Anamaria Bueno de Freitas 29/05 Os herdeiros. 1964. Jônatas Menezes 26/06 Homo academicus. 1984. Joaquim Tavares 31/07 Sociologia da Argélia. 1958. Samuel Albuquerque 28/08 A nobreza do Estado. 1989. Vera Santos 25/09 O Desencantamento do Mundo: Estruturas Econômicas e Estruturas Temporais. São Paulo: Perspectiva. Rodorval Ramalho 30/10 Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Luiz Eduardo Oliveira 27/11 As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. Dinamara Feldens 27/12 Razões Práticas sobre a Teoria da Ação. Campinas: Papirus, 1997. Antônio Samarone Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Inscrições: Enviar e-mail para jorge@ufs.br



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h03
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