Gilvan Rocha, a TV e a surpresa de 1974
A eleição de 1974 foi preparada cuidadosamente pelo MDB, a fim de evitar a repetição dos problemas que correram em 1970. Em dezembro de 1973, José Carlos Teixeira definiu a sua estratégia eleitoral, que influenciaria as decisões partidárias, ao publicar o “Manifesto ao Povo Sergipano”:
Proclamados os resultados do pleito eleitoral de 1970, para a Câmara dos Deputados agradecia o apoio que me destes e afinal, pedia-vos uma licença para tratar de interesses particulares, em Brasília, onde iria tentar, por todos os meios ao meu alcance, reorganizar-me profissionalmente, como empresário, já que, àquela época, decorridos 10 anos de atividades políticas, não tinha qualquer emprego público.
E, realmente, a minha luta, desde então, foi sem tréguas. Porfiei dia a dia, por um lugar ao sol, nas duras pelejas da profissão empresarial tendo, graças a Deus, à minha família e a uma grande confiança em mim próprio, conseguindo um relativo êxito profissional.
Apesar disso, porém, em nenhum momento, desvinculei-me da política, diante da minha vocação inata para a vida pública e, por isso mesmo, dos compromissos que, desde muito jovem, assumi com Sergipe e com os meus conterrâneos. Haja vista que, durante esses últimos 3 (três) anos, nunca perdi os contatos com os correligionários da área federal, estadual e municipal, através da correspondência ou das minhas viagens periódicas ao Estado.
Faço estas considerações iniciais, para esclarecer que, bem ao contrário do que alguns comentaristas políticos disseram, sempre me mantive presente na política sergipana, mesmo sem mandato eletivo, numa conjuntura em que, os partidos vivem praticamente em torno dos que exercem atividades parlamentares.
Hoje, bem poderia acomodar-me apenas na empresa privada, assegurando a mim e aos meus familiares um ambiente de maior tranqüilidade e conforto. Conselhos não me faltaram nesse sentido. Mas vós me conheceis: sou homem de luta.
Já fiz a minha opção que, a esta altura da vida, afastado do Congresso por um mero acidente eleitoral, não poderia ser outra senão pleitear o meu retorno à Câmara dos Deputados onde, estou certo, ainda terei condições de servir a Sergipe, ao Nordeste e ao Brasil.
Assim, nas próximas eleições de 15 de novembro de 1974, serei candidato a deputado federal, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), esperando contar com o vosso apoio e a vossa solidariedade que, aliás, nunca me faltaram, pois, em 1970, como já repeti várias vezes, não me senti derrotado pessoal e politicamente O que houve foi a vitória de um esquema, com a escolha dos governadores pelo Presidente da República, sob o pretexto da eleição indireta.
Volto para servir a Sergipe e ao meu povo de que sou parte integrante, Volto para defender os interesses do Nordeste, numa fase em que a Sudene sofre os efeitos calamitosos de algumas medidas que esvaziam os seus planos de desenvolvimento regional. Volto para ajudar o meu partido, na sua batalha gloriosa pela democratização do Brasil, através de um modelo político moderno, em que o Executivo seja forte, mas o Judiciário respeitado e o Legislativo, independente e altivo. Volto para estudar, com os meus companheiros do MDB, a reformulação de nossa estratégia política. Volto para examinar, com empenho, as justas reivindicações dos assalariados de todas as categorias, do setor privado e do setor público. Volto para apoiar a política de modernização da empresa, sem prejuízo, porém, do pequeno e do médio empresário, cujo papel nos planos de desenvolvimento é, por demais, importante. Volto para pedir maior controle das inversões estrangeiras no Brasil. Volto para clamar pela implantação das reformas de nossas estruturas econômicas e políticas, as quais já não podem tardar. Volto para pugnar por uma democracia política e um desenvolvimento econômico que se preocupem, primordialmente com a pessoa humana, em toda a sua extensão.
Sergipanos!
Eis, em poucas palavras, as minhas intenções políticas neste final de ano, quando aproveito a ocasião para enviar-vos e às vossas famílias, os meus votos por um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, pedindo a Deus que inspire os nossos Governantes, os demais homens públicos civis e militares, os homens de empresa, os intelectuais, os sacerdotes de todos os credos religiosos, os líderes sindicais e estudantis, enfim todos os brasileiros para que juntos encontremos, o mais cedo possível, o melhor caminho que leve o Brasil a uma sociedade aberta, com o devido respeito aos princípios de liberdade, autoridade e justiça social, que são os alicerces mais sólidos de uma democracia autêntica e estável.
a) JOSÉ CARLOS TEIXEIRA
Presidente do MDB.
O partido oposicionista realizou sua convenção no dia 15 de julho de 1974, no plenário da Assembléia Legislativa, homologando os nomes dos candidatos ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa. Além do médico Gilvan Rocha e do suplente de sua chapa, Antonio Tavares, foram indicados os nomes de seis candidatos a deputado federal e 23 candidatos a deputado estadual.