EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
  
 
 

A organização do MDB

 

 

 

Efetivamente, foi José Carlos Teixeira quem materializou a idéia de fundar o MDB em Sergipe. Os riscos políticos assumidos por ele foram elevados e, algumas vezes, o ônus que assumiu foi muito alto. Nas eleições de 1970, candidato a deputado federal, ele obteve a segunda maior votação dentre todos os nomes que disputaram a vaga de deputado federal, porém não se elegeu porque o partido não obteve a legenda mínima necessária. Garantir o seu mandato no MDB era sempre bem mais difícil do que eleger um deputado federal pela Arena. Por isto, militantes do MDB à época, como Wellington Paixão, chegam a assumir um tom emocionado quando tratam do papel desempenhado pelo líder do partido:

 

 

Nenhum historiador ouse escrever a história da resistência à ditadura em Sergipe sem que comece e termine com José Carlos Teixeira. Quanto mais o tempo passa, quanto mais eu envelheço, a minha consciência se forja e eu tenho clareza de que José Carlos Teixeira é o político mais importante de Sergipe nos últimos 40 anos[1].

 

 

Com o desdobramento dos fatos políticos, ao longo dos anos de 1964 e 1965, José Carlos Teixeira relata a importância da interlocução e das discussões que travou com Mário Covas, Humberto Lucena, Fernando Santana, Cid Sampaio e Ulisses Guimarães.

 

 

Primeiro houve a fundação nacional do partido, o MDB. Eu sou um dos 200 signatários do documento que originou o partido. Nós reunimos um bloco todo, fora os que já estavam exilados. Conversei com Paes de Andrade, Ivete Vargas, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Mauro Borges e outros. Fizemos a subscrição necessária para alcançar o quorum exigido no plano federal. Fundar o MDB em Sergipe era a minha responsabilidade nesse processo[2].

 

 

Num Estado onde a política partidária tradicionalmente era dominada por grupos oligárquicos que se dividiam principalmente entre udenistas e pessedistas, era muito difícil a criação de um partido como o MDB que se propunha a ser, num momento delicado da vida brasileira, um instrumento de renovação dos métodos políticos. A atitude de José Carlos Teixeira ao fundar o MDB em Sergipe no ano de 1966, era um gesto ousado para um deputado que estava chegando ainda aos 30 anos de idade e que se encontrava no exercício do seu primeiro mandato parlamentar. Fora eleito a primeira vez pela legenda do extinto Partido Social Democrático – o PSD e agora aceitava a tarefa de organizar em Sergipe o partido que faria oposição à ditadura militar.

            Foram poucas as lideranças que resistiram ao ambiente de pressão criado em Sergipe, na tentativa de fazer com que as figuras de maior expressão na vida política, no mundo intelectual, no campo econômico aderissem ao novo partido governista. Todo tipo de pressão era utilizado em relação àqueles que recusaram os convites para integrar a Arena. No dia 13 de fevereiro o jornal Diário de Aracaju publicou uma foto do empresário Oviedo Teixeira, ao lado do ex-governador Leandro Maciel, anunciando que ambos haviam fechado entendimento em torno do novo partido e que o empresário estivera no Palácio Olympio Campos, participando da reunião na qual foram feitos os acordos para fundar a Arena. Oviedo reagiu e três dias depois, na edição de 16 de fevereiro, o periódico publicou a sua retratação, esclarecendo estar enganado e informando que, na verdade, a foto fora obtida durante a solenidade de inauguração da nova agência do Banco Mineiro da Produção, que ocorrera em Aracaju no dia 11 de fevereiro:

 

 

Revendo os originais das reportagens, os repórteres encarregados da cobertura da reunião, constataram haver incluído o nome do Sr. Oviêdo Teixeira entre os presentes por equívoco, confundindo-o com outro político pessedista. Registramos a retificação, confirmando que, efetivamente, o ilustre comerciante e líder político não fez parte da referida reunião.

   

 

            Na verdade, àquela altura Oviedo Teixeira já havia concordado com a posição do seu filho, o jovem deputado federal José Carlos Teixeira, de fundar o Movimento Democrático Brasileiro em Sergipe[3]. José Carlos buscou seduzir não apenas aqueles que lhe eram mais próximos, mas buscou alargar o horizonte dos quadros com os quais fundaria o MDB, mantendo contato com intelectuais, profissionais liberais e empresários que se dispusessem a integrar o partido oposicionista. Mas, o resultado desses contatos era sempre muito desanimador. Um bom exemplo dessas dificuldades é relatado por Ibarê Dantas, ao discutir a insistência com a qual José Carlos Teixeira cortejou o jornalista Orlando Dantas, tentando seduzi-lo a ingressar no novo partido, em face da sua posição política de vanguarda em Sergipe. Orlando Dantas foi fundador e dirigente do Partido Socialista Brasileiro, deputado federal pelo PSB e sempre buscou, através do seu jornal, formar novas lideranças. Todavia, Ibarê Dantas publicou um depoimento de José Carlos Teixeira sobre essas tentativas, quando o líder do MDB sergipano procurou o jornalista acompanhado de Ariosto e Eurico Amado, para

 

 

oferecer-lhe a presidência do partido ou a secretaria geral e numa segunda etapa que ele fosse candidato a senador ou deputado federal ou deputado estadual. Então ele dizia que agradecia, mas não aceitaria. Em primeiro lugar, com relação às candidaturas, ele afirmava que não podia se ausentar de Sergipe. Então só teria chances de ser candidato a deputado estadual. Mas o resultado da eleição de 1962, quando ele foi candidato a deputado estadual derrotado, fez com que desanimasse. Na ocasião disse: eu preciso de vinte mil cruzeiros e não tenho esse dinheiro. Eu retruquei e disse: Sr. Orlando deixe essa parte conosco. Nós vamos mobilizar em caráter prioritário a sua eleição à Assembléia Legislativa. (...) Ele então disse: Não, não vai dar certo. A minha preocupação, a minha prioridade, já que agora eu assumi a direção da Usina, é dedicar-me inteiramente a ela. Por outro lado esse governo revolucionário que aí está, militar, não aceitaria em hipótese nenhuma minha presença na oposição e vai dificultar através do IAA e do Banco do Brasil todas as minhas aspirações creditícias[4].

 

 



[1] Cf. PAIXÃO, Wellington da Mota. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 09 de agosto de 2008.

[2] Cf. TEIXEIRA, José Carlos Mesquita. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 10 de março de 2008.

[3] “O MDB de Sergipe foi criado graças a Zé Carlos Teixeira. Ele chegou em Brasília, jovem, deputado federal e se vinculou ao grupo de João Goulart. Talvez até, se Zé Carlos tivesse entrado na Arena, com o nome do pai e o prestígio da família, talvez tivesse sido governador de Sergipe. É inegável a importância do papel exercido por José Carlos Teixeira em defesa da democracia em Sergipe, ao fundar o MDB”. Cf. SILVA, João Augusto Gama da. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia cinco de julho de 2008.

[4] Cf. DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe, 1964/1984: partidos e eleições num Estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 43.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h07
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O partido da ditadura e a organização da oposição IV

 

 

 

Também se filiaram ao partido da ditadura quatro dos sete deputados federais da bancada de Sergipe, todos os senadores e todos os ex-governadores, à exceção de João de Seixas Dórea. Em relação aos deputados federais, três deles optaram pelo MDB: José Carlos Mesquita Teixeira, ex-PSD; Ariosto Mesquita Amado, ex PSB; e, Walter Batista[1]. Dos 74 prefeitos dos municípios à época existentes em Sergipe, apenas dois deixaram de se filiar à Arena: José Lavres da Fonseca[2], prefeito de Pedra Mole[3], e José Costa[4], prefeito de Moita Bonita[5]. Dos 21 vereadores que integravam a Câmara Municipal de Aracaju, apenas cinco optaram pela oposição. Durante muitos anos, foi difícil não apenas angariar militantes para o MDB em municípios no interior do Estado de Sergipe, como também convencer os eleitores de que votar nos candidatos do partido era uma decisão sem riscos, em face do tipo de pressão exercida sobre a cidadania contra o voto na oposição.

Como em todo o Brasil, também em Sergipe, a maior parte dos líderes do antigo Partido Social Democrático – o PSD não teve dificuldade de se juntar aos inimigos de ontem da antiga União Democrática Nacional – a UDN, formando a Arena, sustentando politicamente a ditadura.

A edição do Ato Complementar nº 54, em 1969, elevou o número mínimo de filiados necessários à organização dos diretórios municipais para que os partidos fossem considerados regulares e tivessem o seu registro validado. Em Sergipe, o governador Lourival Baptista mobilizou-se pessoalmente para reorganizar, sob a sua liderança direta, os diretórios da Aliança Renovadora Nacional em todos os municípios, coadjuvado pelo secretário geral do partido, Manoel Conde Sobral. A maior parte das forças políticas de Sergipe, com interesse de agradar o governador, se mobilizou para aumentar o número de filiados da Arena em cada município. O partido governista conseguiu se reorganizar, com facilidade, nos 74 municípios sergipanos.

A própria Associação Comercial de Sergipe se mobilizou para filiar lideranças do comércio na Arena. Os diretores da Associação fizeram pronunciamentos pelo rádio estimulando a filiação e vários empresários colocaram à disposição da campanha os espaços de publicidade que tinham contratado com as emissoras de rádio. O número de comerciantes que se filiou a Aliança Renovadora Nacional foi tão elevado (177 pessoas) que a Associação Comercial organizou chapa própria para concorrer aos cargos do Diretório Municipal de Aracaju do partido contra a chapa organizada pelos liderados do governador Lourival Baptista[6].

Conciliar os interesses dos diferentes grupos de arenistas em todos os municípios foi o maior problema enfrentado pelo governo para organizar o seu partido. Em vários municípios foi difícil chegar-se a um consenso e as disputas foram acirradas, como em Aracaju, Nossa Senhora das Dores, Itabaiana, Estância, Laranjeiras e Capela.

No final do ano de 1979, com a reforma partidária que restabeleceu o pluripartidarismo, as lideranças que ofereciam apoio aos governos militares se aglutinaram em torno do Partido Democrático Social – PDS. A agremiação teve como suas principais lideranças o então governador Augusto Franco, o vice-governador Djenal Queiroz, os senadores Lourival Baptista e Passos Porto, os deputados federais Raimundo Diniz e Adroaldo Campos e o prefeito de Aracaju, Heráclito Rollemberg. Do mesmo modo que aconteceu quando se organizou a Arena, a organização do PDS atraiu a maior parte das lideranças políticas em atividade no Estado de Sergipe. Todos queriam agradar o governo federal e o governador Augusto Franco.



[1] Walter Batista contava 48 anos de idade, em 1966, quando ajudou José Carlos Teixeira a fundar o MDB. Aos 25 anos de idade era instrutor de vôo do Aeroclube de Sergipe e cumpriu importante papel no resgate de vários sobreviventes e dos corpos dos náufragos do torpedeamento dos navios mercantes Baependi, Aníbal Benévolo, Araraquara e Bagé, atacados por submarinos alemães no litoral de Sergipe. Era funcionário da Sul América Capitalização. Por um período muito curto, chegou a exercer o cargo de prefeito de Aracaju, antes de se eleger deputado federal. Dedicado aos estudos de Química, Geologia e Mineração, fez um curso de fluidos para perfuração petrolífera e criou uma fábrica de gesso em Aracaju. Disputou a cadeira de deputado federal pelo PSD e, na condição de suplente, assumiu o cargo e exerceu o mandato por cerca de dois anos, marcando a sua atividade parlamentar pela defesa da exploração do salgema, do potássio e do enxofre de Sergipe e da produção de fertilizantes no Estado. Do mesmo modo, fez a defesa da irrigação das terras do Baixo São Francisco sergipano e a construção de um porto marítimo off-shore para o Estado. Cf. “Walter Batista: um novo líder popular em Sergipe”. Diário de Aracaju, Ano I, nº 263, 12 de novembro de 1966. p. 3.

[2] José Lavres da Fonseca era amigo pessoal e compadre de Oviedo Teixeira. Cf. TEIXEIRA, Luiz Antonio Mesquita. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia sete de junho de 2008.

[3] Pedra Mole à época era o município sergipano de menor densidade eleitoral. Cf. TEIXEIRA, Luiz Antonio Mesquita. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia sete de junho de 2008.

[4] José Lavres da Fonseca, prefeito de Pedra Mole, e José Costa, prefeito de Moita Bonita, ambos do PSD, foram os dois únicos prefeitos municipais sergipanos que não aderiram ao golpe militar de 1964 e não se filiaram à Arena, em 1966. A posição de José Costa levou o governador do Estado de Sergipe, Celso de Carvalho, a decretar intervenção no município, em 1965 e afastá-lo do poder. Cf. COSTA, José Wellington. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 12 de agosto de 2008. Idêntico problema seria enfrentado alguns anos mais tarde por José Lavres da Fonseca e pelo seu sucessor, João Batista Neto, também do MDB, no município de Pedra Mole. Em julho de 1973 o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe sugeriu e o governador Paulo Barreto de Menezes acatou a proposta de solicitar à Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe a intervenção no município, sob a alegação de que Batista não fizera a entrega das contas de Lavres em tempo hábil. O deputado Guido Azevedo, contudo, juntou documentação demonstrando que a entrega fora feita no prazo legal. Cf. “MDB não contesta o Tribunal e diz que não se justifica intervenção”. In: Diário de Aracaju, Ano VII, nº 3.219, 13 de julho de 1973. p. 1. O prefeito João Batista Neto conseguiu que o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe suspendesse a realização da sessão na qual a Assembléia decidiria pela intervenção no município. Cf. “Paulo pede que Assembléia não mais se reúna na segunda”. In: Diário de Aracaju, Ano VII, nº 3.226, 21 de julho de 1973. p. 1.    

[5] Moita Bonita foi um povoado do município de Itabaiana até 1963, quando uma lei estadual o desmembrou, transformando-o em município. O seu primeiro prefeito foi Pedro Paes Mendonça. José Costa foi o segundo prefeito de Moita Bonita. Cf. COSTA, José Humberto. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 12 de agosto de 2008.

[6] Renovação foi o nome com o qual os empresários batizaram a chapa que organizaram para concorrer à direção da Arena em Aracaju. Cf. Diário de Aracaju, nº. 997, 26 de julho de 1969. p. 2.



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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h49
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O partido da ditadura e a organização da oposição III

 

 

 

Quadro I

DEPUTADOS À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SERGIPE  1966

João Teles

João Valeriano

José Almeida Fontes

José Onias

José Ribeiro

Manoel Teles

Ozeas Batista

Paulo Lima

Pedro Batalha

Pedro Paes Mendonça

Pedro Siqueira

Raimundo Araújo

Roosewelt Menezes

Santos Mendonça

Sebastião Figueiredo

Wolney Melo

Fonte: Diário de Aracaju, Ano I, nº. 280, 3 de dezembro de 1966. p. 3.

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h21
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O partido da ditadura e a organização da oposição II

 

 

 

Quadro I

DEPUTADOS À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SERGIPE  1966

Aécio Silva da Fonseca

Aloísio Tavares

Antônio de Jesus

Antônio Torres Junior

Cândido Dortas

Elísio Carmelo

Fernando Franco

Fernando Prado Leite

Francisco Leite

Francisco Paixão

Francisco Passos

Gilton Garcia

Hildebrando Costa

Horácio Góes

Jacomildes Barreto

João Teles

Fonte: Diário de Aracaju, Ano I, nº. 280, 3 de dezembro de 1966. p. 3.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h32
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O partido da ditadura e a organização da oposição

 

 

 

 

 

 

 

 

A nova estrutura partidária foi estabelecida com base no ato institucional número dois, editado em 27 de outubro de 1965, que extinguiu os 13 partidos até então em atividade e voltou a regulamentar as eleições indiretas para presidente e vice-presidente da República[1]. Todavia, não foi fácil reagrupar as diversas forças políticas em atividade no país, reunindo-as em apenas dois partidos: um de apoio à ditadura e outro de oposição. Por isto, foi necessário que ainda na primeira semana de janeiro de 1966 o presidente da República, marechal Castello Branco, editasse o Ato Complementar número seis, prorrogando o prazo para a regularização do registro dos dois partidos que se organizavam: a Arena e o MDB. Além disso, o ato complementar número quatro estabeleceu que cada partido, para requerer registro, deveria dispor de, no mínimo, 120 deputados e 20 senadores. O bipartidarismo da política brasileira sem raízes históricas, sem condições sociológicas, não conseguiu legitimar o regime de 1964. Mas, o fato é que a Aliança Renovadora Nacional – Arena aglutinou predominantemente as lideranças da antiga União Democrática Nacional – UDN, do antigo Partido Social Democrático – PSD e de organizações partidárias auxiliares como o PR, PSP, PTB e outros partidos menores. O Movimento Democrático Brasileiro reuniu militantes do antigo Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, do antigo Partido Socialista Brasileiro – PSB, uma parcela menor do antigo PSD, do PR e de organizações clandestinas como o Partido Comunista Brasileiro – PCB.

As principais lideranças políticas do Estado de Sergipe chamaram de conciliação as discussões que levaram a fundar, em 1966, a Aliança Renovadora Nacional – Arena, reunindo tradicionais adversários políticos em torno do partido que buscava sustentar a ditadura. A agremiação aglutinou quase todas as lideranças, amenizando antigas divergências políticas que cederam lugar ao diálogo imposto pelos comandantes do golpe que depôs o presidente João Goulart. A Arena surgiu, assim, com a característica de ser uma espécie de agrupamento de pessoas que tinham vinculações com o poder e já sabiam que aderir ao partido era ser governo enquanto a ditadura estivesse vigorando. Antagonistas extremados concordaram em buscar fórmulas para a divisão do poder estadual. Chefes políticos como Arnaldo Garcez, Dionísio Machado, Leandro Maciel, José Rollemberg Leite, Luiz Garcia, ex-governadores do Estado, e outras lideranças como Augusto Franco, Lourival Baptista, Júlio Leite, Heribaldo Vieira e Manoel Cabral Machado, sentaram lado a lado para fundar a Aliança Renovadora Nacional.

O partido destinado a apoiar o governo da ditadura se estruturou em Sergipe sem maior dificuldade, indicando-se para a presidência do diretório estadual o nome do ex-governador Dionísio Machado. Os 32 deputados que tinham assento à Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe aderiram ao governo, ficando a oposição sem uma cadeira sequer. A Arena se compôs a partir de grupos que aceitaram o regime ditatorial como meio para sobreviver e resistir às mudanças sociais que a população brasileira demandava.



[1] O Ato Institucional número dois estabeleceu também que as punições aplicadas aos adversários do regime seriam julgadas pela Justiça Militar. Cf. GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 

 

 

 

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h49
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ISCHE 32 (2010, Amsterdam)

http://www.ichs2010.org/register.asp

Data: 2010, August 26-27

Local: Amsterdam, the

Call for Proposals (extended deadline) ISCHE invites you to participate in and to submit proposals for its annual conference in 2010, August 26-27, in Amsterdam, the Netherlands. This conference is part of the 21st International Congress of Historical Sciences (ICHS), 2010, August 22-28, Amsterdam, the Netherlands, of which ISCHE is an Affiliated International Organisation. Because of ICHS rules, the submission deadline for this ISCHE conference is June 1, 2009 (and not the regular December 31). Important Dates ISCHE 32 (2010) conference: August 26-27, 2010 ICHS 2010 conference: August 22-28, 2010 Submission Deadline for ISCHE conference: June 1, 2009 Registration: as soon as possible Conference Theme: Discoveries of Childhood in History Discovering childhood: that `eureka´ moment experienced all sorts of people time and again in the course of history. From religious moralists to educational practitioners, from scientific pedagogues to philosophers, from poets to painters and other artists, from lawmakers to children´s rights adherents, and each new generation of parents: all discovered childhood. Indeed, people have discovered childhood many times in history, and from various angles, both inside and outside science. As a result, this longterm phenomenon in the history of education shaped a major part of educational theory and practice. Participants at this conference will explore discoveries of childhood in history from multiple points of view and from multiple practices. We suggest the following subthemes: 1: Child focused space: from learning environments to playgrounds and amusement parks 2: The development of children´s rights and the interest of the child 3: Child focused child science: behavioural, medical, juridical 4: Child focused concepts and practices on childhood disabilities 5: Child focused economic and advertisement culture 6: The historiography of the discovery of childhood Keynote Speakers at ISCHE 32 (2010) Prof. dr. Willem Frijhoff, Vrije Universiteit (Free University), Amsterdam Prof. dr. Rita Hofstetter, Université de Genève Venue Buildings of the Universiteit van Amsterdam (University of Amsterdam) in the historical centre of Amsterdam. Provisional Programme Thursday, August 26 (afternoon) Registration Opening Session Plenary Lecture: Willem Frijhoff Parallel Paper Sessions Friday, August 27(morning) Parallel Paper Sessions ISCHE General Assembly Friday, August 27(afternoon) Parallel Paper Sessions Plenary Lecture: Rita Hofstetter Closing Session Reception Submission Procedure All submissions should be sent by e-mail to dr. Bernard Kruithof, president of the organising Committee of ISCHE 32 (b.kruithof@uva.nl). Proposals of 300 words maximum can be submitted on the following subthemes of the conference theme of Discoveries of Childhood: 1: Child focused space: from learning environments to playgrounds and amusement parks 2: The development of children´s rights and the interest of the child 3: Child focused child science: behavioural, medical, juridical 4: Child focused concepts and practices on childhood disabilities 5: Child focused economic and advertisement culture 6: The historiography of the discovery of childhood The closing date for submission will be 1 June 2009. You will be informed about acceptation of your proposal by 15 June 2009. Registration As this ISCHE 32 conference is part of the 21st International Congress of Historical Sciences (ICHS), you should register as soon as possible as participant for ICHS 2010 (see website of ICHS: www.ichs2010.org/register.asp) . Registration for ISCHE 32 will only be possible at the beginning of the ISCHE conference on August, 26, 2010 (the ISCHE fee of € 50 can be paid at the conference desk This includes ISCHE membership, a conference programme booklet, and the special issue of Paedagogica Historica 2012, nos. 1/2 with a selection of the best papers of the conference. Organisational Committee Dr. Bernard Kruithof (University of Amsterdam), chair (b.kruithof@uva.nl) Prof. dr. Jeroen J.H. Dekker (University of Groningen) (j.j.h.dekker@rug.nl ) Dr. Bruno Vanobbergen (Ghent University) (bruno.vanobbergen@ugent.be) Prof. dr. Frank Simon (Ghent University (frank.simon@ugent.be) _______________________________________



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h29
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SEMINÁRIO ANUAL 2009 - PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

http://jorge.carvalho.zip.net

Data: 27/02 a 27/12/2009

Local: AUDITÓRIO DO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE

A trajetória intelectual de Pierre Bourdieu foi marcante pela originalidade dos seus estudos acerca dos camponeses, dos artistas, da escola, dos clérigos, dos patrões, das classes sociais, contribuindo para os campos da Etnologia, da Sociologia, da Filosofia, da Sociolingüística, da Economia e da História. Desde a publicação do seu primeiro livro, Sociologia da Argélia, em 1958, de modo original ele demonstrou que a crise do campesinato não encontrava sua explicação apenas no debate sobre o capitalismo agrário, mas também nos mecanismos muito mais sutis que se relacionam com a sua própria reprodução, estabelecendo a partir de então o conceito de habitus. Com base neste ponto de partida, desenvolveu um acervo teórico que evidenciou o papel do capital cultural, aprofundou a noção de capital cultural e analisou as funções sociais das práticas culturais. Este tema Bourdieu retomariaquando já intelectual maduro, em 1992, publicou As regras da arte, propondo uma teoria geral dos campos e refletindo sobre a revolução simbólica ao tratar da função social dos intelectuais. A sua primeira análise mais densa sobre Educação aconteceu em 1970, quando publicou A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, em parceria com Jean-Claude Passeron. Não obstante as críticas que o trabalho recebeu, ele foi fundamental para o aprofundamento da noção de violência simbólica, o que permitiu a Pierre Bourdieu desenvolver melhor as suas discussões acerca de idéias como a do mercado dos bens simbólicos, dando sentido a conceitos como campo de produção simbólica em sentido estrito. Para o autor, este é um espaço de produção erudita no qual os produtores têm por público, essencialmente, os outros produtores, seus concorrentes diretos. Neste debate, Bourdieu delimitou também a idéia de campo da grande produção cultural, explicitando os papeis que exercem o jornalismo e a indústria de bens culturais. Foi ainda estudando o campo de produção simbólica que o autor discutiu a especificidade do campo científico e as condições sociais do progresso da razão, observando tal campo de produção em sentido estrito e rompendo com a tradição dominante na Sociologia da Ciência, ao introduzir os conceitos de campo científico e capital científico e demonstrando a lógica do mercado científico, no qual os clientes mais importantes são os próprios concorrentes. Esgrimindo idéias originais, Bourdieu buscou, com o amadurecimento das suas reflexões, a incorporação de contribuições originárias da perspectiva neokantiana, como em A Distinção: crítica social do julgamento, que publicou em 1979, ara afirmar a sua teoria do conhecimento sociológico. O tema da Educação retornou fortemente às suas reflexões, sib tra perspectiva, em 1984, quando publicou Homo academicus, estudando o corpo docente e a instituição universitária da França, subinhando o academicismo, as lutas entre as disciplinas e a perspectiva escolástica. Tal análise ganhou maior aprofundamento em 1989, quando Bourdieu colocou em circulação o livro A nobreza do Estado, analisando as grandes escolas e o corporativismo. CRONOGRAMA DE DEBATES Data Texto Expositor 27/02 A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1970. Jorge Carvalho 27/03 A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª edição. Ester Fraga 24/04 A distinção: Crítica social do julgamento. 1979. Anamaria Bueno de Freitas 29/05 Os herdeiros. 1964. Jônatas Menezes 26/06 Homo academicus. 1984. Joaquim Tavares 31/07 Sociologia da Argélia. 1958. Samuel Albuquerque 28/08 A nobreza do Estado. 1989. Vera Santos 25/09 O Desencantamento do Mundo: Estruturas Econômicas e Estruturas Temporais. São Paulo: Perspectiva. Rodorval Ramalho 30/10 Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Luiz Eduardo Oliveira 27/11 As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. Dinamara Feldens 27/12 Razões Práticas sobre a Teoria da Ação. Campinas: Papirus, 1997. Antônio Samarone Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Inscrições: Enviar e-mail para jorge@ufs.br



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h23
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A volta das eleições diretas para governador e o malogro de 1982 III

 

 

 

Quadro XXXVII

PARLAMENTARES ELEITOS PELO PMDB EM 1982

CARGO

PARLAMENTAR

VOTOS OBTIDOS

Deputado Federal

 

José Carlos Teixeira

30.968

Jackson Barreto

19.992

Deputado Estadual

Leopoldo de Araujo Souza Neto

10.587

Guido Azevedo

9.204

Nelson Araujo dos Santos

7.929

Lauro Rocha de Andrade

7.244

Laonte Gama da Silva

5.713

FONTE: BRASIL. TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESTADO DE SERGIPE. 100 anos de eleições em Sergipe. Aracaju: TRE/SE, 2002. p. 48.

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h04
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A volta das eleições diretas para governador e o malogro de 1982 II

 

 

 

O deputado federal Jackson Barreto, primeiro vice-presidente do partido, manifestou-se publicamente contrário ao lançamento da candidatura Seixas Dórea, por considerar prematuro o anuncio de nomes. O nome do próprio Jackson chegou a ser cogitado como possível candidato por José Carlos Teixeira e pelo próprio Seixas Dórea. O quadro somente ganhou contornos mais claros no início do mês de setembro, depois que o Partido Popular se dissolveu em Sergipe e os deputados Guido Azevedo, Jonas Amaral, Reinaldo Moura, Tertuliano Azevedo e Celso de Carvalho, além do senador Gilvan Rocha anunciaram filiação ao PMDB. A partir daquele momento, o próprio José Carlos Teixeira anunciou que além de Seixas Dórea, Gilvan Rocha também era um nome possível como candidato a governador pelo PMDB. Nos primeiros dias do mês de outubro, o deputado federal Jackson Barreto anunciou uma festa, no dia 20, para celebrar a filiação do senador Gilvan Rocha ao PMDB e o lançamento oficial do seu nome como candidato a governador na convenção partidária do dia 22 de outubro. O deputado estadual Jonas Amaral também defendia o nome de Gilvan Rocha, com muita veemência. Em abril de 1982, finalmente, o ex-governador Seixas Dórea anunciou a desistência à condição de candidato e renunciou ao cargo de presidente do Diretório Regional do PMDB.

Até que Gilvan Rocha fosse aceito por todos os líderes do partido, houve necessidade de muitas negociações. Como resultado das conversações para o lançamento da candidatura de Gilvan e Benedito Figueiredo, na condição de vice, ao Governo Estadual formou-se uma chapa de candidatos a deputado federal cujos principais nomes eram os de José Carlos Teixeira, Jackson Barreto de Lima e Seixas Dórea. O partido apresentou seis candidatos a deputado federal e 15 nomes postulando o cargo de deputado estadual. O advogado Evaldo Campos foi o candidato do partido ao Senado. Além disso, o PMDB disputou eleições para prefeitos em 45 municípios, a maior quantidade de candidatos ao executivo municipal pela oposição em Sergipe desde 1966.

A campanha de 1982 foi das mais difíceis para o partido oposicionista, em face da dureza e dos procedimentos desleais impostos pelo PDS. Vários grupos organizados da sociedade foram levados a se engajar ao lado do PDS e bateram forte nos candidatos do PMDB. Os meios de comunicação existentes no Estado estavam predominantemente sob controle do empresário Augusto Franco, o líder do PDS. O controle era quase absoluto sobre jornais, emissoras de rádio e as duas emissoras de TV. Isto era visível nos generosos espaços que a mídia facultava aos candidatos que apoiavam o governo da ditadura e no modo como entrevistava os candidatos da oposição. Também no conteúdo das críticas que se dirigia aos oposicionistas e à luz lançada sobre as virtudes dos candidatos do PDS. Além de todos esses fatores, a pedra de toque: a vigência da chamada Lei Falcão impediu que Gilvan Rocha, hábil comunicador, conforme fora visto em 1974, estivesse impedido de utilizar a TV como eficaz palanque eletrônico.

Desde 1981 o Governo Federal vinha preparando as primeiras eleições diretas para o Poder Executivo Estadual. Era grande a expectativa após 19 anos de escolha indireta manipulada claramente pelos generais que governaram o país. Ainda no mês de outubro daquele ano, o Governo Federal estava empenhado na luta para re-implantar a sublegenda, o que as principais lideranças políticas do país consideravam um absurdo sob o sistema pluripartidário. Logo depois, o governo anunciou o chamado “pacote de novembro”, proibindo as coligações partidárias, com o claro objetivo de dificultar a ação oposicionista. À época, o presidente do PMDB em Sergipe, o ex-governador Seixas Dórea, manifestou-se indignado com o casuísmo: “Se não houver a sublegenda, em Sergipe a oposição vencerá com tranqüilidade”[1]. Mas, uma certa euforia tomou conta dos líderes peemedebistas, depois que o Congresso Nacional rejeitou a sublegenda, por 216 votos contra um. Lepoldo Souza chegou a afirmar: “Agora, temos todas as chances de vencer as eleições em Sergipe. (...) Tenho certeza que o povo sergipano votará maciçamente em nosso candidato a governador”[2].

Os militantes da oposição foram proibidos de promover concentrações a menos de 200 metros do Palácio Olympio Campos, então sede do governo, enquanto o PDS organizava comícios e shows na praça Fausto Cardoso, à porta do Palácio.

 

 

Os Pentecostais fecharam questão inspirados na Bíblia, argumentando com curioso silogismo: “Toda autoridade vem de Deus. Na política a autoridade é o governo e somente o PDS apóia o governo. Logo...”. Os evangélicos também cerravam fileira ao lado dos representantes da situação. (...) No programa da Hora Católica não faltavam elogios aos homens públicos distinguidos. (...) nos cursilhos da cristandade recomendou-se não votar no senador Gilvan Rocha por haver se manifestado pela aprovação do divórcio[3].

 

 

            Também foi visível o engajamento de repartições públicas federais na campanha do PDS, principalmente a Legião Brasileira de Assistência – LBA, então dirigida por Leonor Franco, casada com Albano Franco. O dirigente do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS em Sergipe, José Carlos Pinheiro, encaminhou cartas pedindo voto para os candidatos do Partido Democrático Social.

Uma das principais lideranças do PDS, Albano Franco era candidato ao Senado e também ocupava o cargo de presidente da Confederação Nacional da Indústria. Com isso, teve a possibilidade de buscar ajuda material junto a importantes lideranças do empresariado brasileiro, como Luiz Eulálio Vidigal, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e também junto a presidentes das federações das indústrias de outros Estados.

            As dificuldades do PMDB nas eleições de 1982 ficaram visíveis até mesmo na fiscalização do pleito. Em vários municípios o partido não contou com um fiscal sequer e em Aracaju foram 20 fiscais para dar conta de 360 urnas, contra cerca de mil fiscais do PDS. Essas dificuldades ficam evidentes, inclusive quando se considera que mesmo tendo que ceder à pressão popular e admitindo a eleição direta para governador e vice-governador, a ditadura continuou impondo casuísmos eleitorais à legislação regulamentadora e alterou, naquele ano, de modo substancial o instituto do voto vinculado. Nos municípios onde o partido não possuía diretórios, os votos dados aos seus candidatos eram anulados. À véspera da eleição, a Arena entrou com uma argüição junto ao Tribunal Regional Eleitoral e, assim, cerca de um terço dos votos obtidos pelo PMDB foram anulados.

 

 

No TRE, quando nós tomamos conhecimento de tal fato, à véspera da eleição, Gilvan Rocha virou-se para Guido Azevedo, que era o secretário-geral do partido e ficou com a responsabilidade de regularizar todos os diretórios, e perguntou: mas Guido, o que foi que houve? Guido respondeu: Eu me esqueci de fazer os diretórios. Gilvan, então deixou de ser votado em cerca de um terço dos municípios de Sergipe. Eu estava em casa ouvindo a apuração. As primeiras urnas abertas foram de Gararu, onde nós éramos bem votados. Lá foi computado zero voto para a nossa chapa. Este é um fato vergonhoso na História do MDB. É claro que nós iríamos perder a eleição, de todo modo. Mas, seria por um número de votos bem diferente daquela votação que está registrada[4].

 

 

            Em exatos 12 municípios o PMDB teve anulados todos os votos recebidos pelos seus candidatos: Gararu, Canindé do São Francisco, Feira Nova, Nossa Senhora de Lourdes, Monte Alegre, Pinhão, Cristinápolis, Areia Branca, Malhador, Canhoba, Campo do Brito e São Domingos. Mas, o partido elegeu os prefeitos de Própria, Cedro de São João e Graccho Cardoso. Além disso, em todo o Estado de Sergipe o Partido elegeu 65 vereadores, contra 479 do PDS.

Não obstante todos os problemas aqui apontados, o PMDB conquistou o governo em 10 Estados brasileiros. Mas, em Sergipe não obteve êxito com o seu candidato ao Poder Executivo. Da mesma maneira, também não conseguiu manter a cadeira que possuía no Senado Federal.

 

 



[1] Cf. “Sublegenda é contra interesse democrático – diz ex-governador”. In: Gazeta de Sergipe, Ano XXV, nº 6.917, 23 de outubro de 1981. p. 3.

[2] Cf. “Sem a sublegenda ganharemos: Souza”. In: Gazeta de Sergipe, Ano XXV, nº 6.918, 24 de outubro de 1981. p. 5.

[3] Cf. DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe, 1964/1984: partidos e eleições num Estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 243.

[4] Cf. FIGUEIREDO, Benedito de. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 13 de agosto de 2008.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h18
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