EDUCAÇÃO É HISTÓRIA
  
 
 

A organização do MDB XIII

 

 

 

Dentre as reformas políticas do governo Ernesto Geisel, em 1977, estava inclusa a prorrogação dos mandatos dos dirigentes dos partidos políticos. Isto levou os membros dos Diretórios Regional e Municipal de Aracaju do MDB a renunciarem coletivamente aos mandatos, no dia 21 de julho. O partido tomou posição contrária a prorrogação dos mandatos e resolveu forçar a realização de convenções através da renúncia coletiva. Após a renúncia, os membros do Diretório Regional publicaram Nota Oficial na qual esclarecem a posição adotada:

 

 

O Diretório Regional do Movimento Democrático Brasileiro em Sergipe, em reunião realizada hoje sob a presidência do Dr. Tertuliano Azevedo, decidiu por unanimidade:

1)      Renunciar coletivamente por não concordar com a prorrogação de mandatos por força da recente lei de iniciativa do partido do governo.

2)      Convocar uma convenção regional para 30 de agosto, com a finalidade de exame da situação Nacional e Estadual ao tempo em que elegerá o novo Diretório Regional.

3)      O Diretório decidiu  também por unanimidade:

a)      Intensificar sua luta pela democratização do país;

b)      Reafirmar seu compromisso programático em defesa de eleições livres e diretas em todos os níveis e em todo o país;

c)      Hipotecar total solidariedade ao líder, Deputado Alencar Furtado, violentamente cassado em seu mandato e direitos políticos;

d)      Subscrever integralmente os termos do seu pronunciamento e de todos os outros companheiros que falaram à nação em cadeia de rádio e televisão;

e)      Protestar contra o ato de violência praticado pelo reitor da Fundação Universidade de Brasília, que puniu e expulsou jovens Universitários entre os quais o nosso companheiro de Diretório Regional Agamenon de Araujo Souza;

f)       Cerrar fileiras na luta pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita livremente, única saída para o nosso impasse político.

4)      O Diretório decidiu requerer nos termos da legislação em vigor do Tribunal Regional Eleitoral, uma cadeia estadual de rádio e televisão, para transmitir a sessão de encerramento de sua convenção[1].

 

 

Os membros do Diretório Municipal de Aracaju também renunciaram ao mandato coletivamente e elegeram uma Comissão Provisória da qual participavam Francisco Dantas, Arnóbio Patrício de Melo, João Alves da Silva, Jackson Barreto e Marlene Amaral. Da mesma forma que o Diretório Regional, os membros do Diretório Municipal de Aracaju também emitiram Nota Oficial:

 

 

O Movimento Democrático Brasileiro, através do seu Diretório Municipal de Aracaju, tendo em vista deliberação tomada em sua reunião extraordinária realizada hoje, inspirado nos princípios e ideais democráticos e norteadores da sua existência, do seu funcionamento e da sua finalidade, leva ao conhecimento de suas filiados e ao do público em geral, o conteúdo de suas decisões aprovadas acreditando que, deste modo, informa e forma a opinião da grande maioria impedida de participar ativamente da vida política nacional pelas restrições impostas por uma legislação extravagante e por atos arbitrários dos mais variados matizes:

1º) Solidários ao ponto de vista do Diretório Nacional, por unanimidade, renunciamos coletivamente aos cargos aos quais fomos conduzidos por processos democráticos, baseados no principio de que em um governo democrático somente o povo tem poderes para conferir, prorrogar e cassar mandatos.

2º) Por esta nota,externamos o nosso voto de confiança na bancada emedebista na Câmara Municipal, transferindo para essa mesma bancada a responsabilidade pelos destinos do MDB no âmbito do Município, esperando que cada companheiro seja um fiel cumpridor das deliberações tomadas pela maioria, e, portanto, pelo partido.

3º) Lembrando o procedimento de alguns Reitores de Universidades, nomeadamente o de Brasília que vêm perseguindo de todas as formas aqueles estudantes que esboçam qualquer tipo de contestação, pelo que tornamos público o nosso voto de repúdio a esse procedimento antidemocrático[2].

 

 

A última executiva a dirigir o Movimento Democrático Brasileiro em Sergipe tinha, outra vez, na presidência o seu fundador, José Carlos Teixeira. No domingo, 14 de outubro de 1979, reunidos no plenário da Câmara de Vereadores de Aracaju, os principais líderes oposicionistas escolheram o seu Diretório Estadual, na última convenção partidária. Num clima muito emocionado, a tônica das manifestações era no sentido de manter a unidade do MDB sergipano como forma de protesto a reforma partidária do Governo. A escolha de José Carlos Teixeira como presidente do partido foi interpretada como a homenagem que se tributava àquele que foi o responsável pela fundação do MDB em Sergipe, quando ninguém queria ser oposição no Estado. O sentido político da convenção era o de escolher um comando capaz e experimentado para organizar a oposição sergipana com o advento dos novos partidos. Depois de 13 anos de atividade, o MDB sergipano deixava como seu legado uma representação parlamentar composta por um senador, dois deputados federais, seis deputados estaduais, sete vereadores na capital e alguns prefeitos e vereadores no interior do Estado.



[1] Cf. “Diretórios do MDB renunciam”. In: Gazeta de Sergipe, Ano XXI, nº 5.777, 22 de julho de 1977. p. 1.

[2] Cf. “Diretórios do MDB renunciam”. In: Gazeta de Sergipe, Ano XXI, nº 5.777, 22 de julho de 1977. p. 1.



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h30
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A organização do MDB XII

 

 

 

Quadro IX

            COMISSÃO EXECUTIVA REGIONAL DO MDB EM SERGIPE, ELEITA NO DIA 2 DE SETEMBRO DE 1977

CARGO

MILITANTE

Presidente

Tertuliano Azevedo

Primeiro Vice-Presidente

Gilvan Rocha

Segundo Vice-Presidente

Joaquim Antunes de Almeida

Secretário Geral

Jackson Barreto

Secretário

Marlene Amaral

Tesoureiro

Antonio Tavares

Vogais

João Augusto Gama da Silva

José dos Santos

Fonte: Gazeta de Sergipe, Ano XXI, nº 5.813, 2 de setembro de 1977. p. 1.

 

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h13
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A organização do MDB XI

 

 

 

Quadro VIII

COMISSÃO EXECUTIVA REGIONAL DO MDB EM SERGIPE, ELEITA NO DIA 28 DE AGOSTO DE 1975

CARGO

MILITANTE

Presidente

Tertuliano Azevedo

Primeiro Vice-Presidente

Gilvan Rocha

Segundo Vice-Presidente

José Silvério Leite Fontes

Primeiro Secretário

Wellington da Mota Paixão

Segundo Secretário

Jackson Barreto de Lima

Tesoureiro

Antonio Cabral Tavares

Vogais

Marcos Prado Dias

Jonas Amaral

Fonte: DANTAS, Ibarê. A tutela militar em Sergipe, 1964/1984: partidos e eleições num Estado autoritário. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 209.

 

 

Em julho de 1975, o partido renovara o Diretório Municipal de Aracaju, elegendo Lucilo da Costa Pinto, presidente; Arnóbio Patrício de Melo, vice-presidente; Jonas Amaral, secretário-geral; Francisco Ramos, tesoureiro. Além destes, também integravam o Diretório José Alves, José Batalha de Góis, Clóvis Barbosa de Melo, Benedito de Figueiredo e Francisco Dantas.

Nesse mesmo período, Jackson Barreto articulou com José Carlos Teixeira a instalação no MDB do Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais Dom Távora do Estado de Sergipe - Iepes, com o objetivo de reunir membros da legenda e intelectuais, produzindo estudos que buscassem oferecer subsídios à ação parlamentar. Instalado no dia seis de dezembro de 1975, com a presença do deputado federal gaucho Alceu Colares, presidente nacional do Iepes, do deputado federal sergipano José Carlos Teixeira e do senador Gilvan Rocha, o Instituto teve como seu primeiro presidente em Sergipe o professor José Silvério Leite Fontes. O vereador Jonas Amaral assumiu a função de vice-presidente, enquanto o estudante de direito Carlos Alberto Menezes assumiu o cargo de primeiro-secretário, ficando com o deputado estadual Jackson Barreto o encargo de tesoureiro. A primeira atividade do Instituto foi a organização de uma conferência, em Aracaju, do deputado Ulisses Guimarães, presidente nacional do Movimento Democrático Brasileiro.

Em 1976, o Instituto organizou o simpósio “O Homem e o problema social”, reunindo em Aracaju personalidades como o senador pernambucano Marcos Freire, que abriu o evento. Também participaram o deputado Alceu Colares e o senador Paulo Brossard, ambos do Rio Grande do Sul, bem como o jurista baiano Josafá Marinho e o conhecido economista Francisco de Oliveira, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O deputado Ulisses Guimarães encerrou o simpósio. Além disso, o Instituto teve uma ação ativa nos bairros de Aracaju durante a campanha eleitoral de 1976.

A cada renovação do seu Diretório o partido se oxigenava nos embates que eram travados entre os seus militantes para dar direção ao MDB. Em setembro de 1977, outra vez Tertuliano Azevedo foi reeleito presidente do Diretório Regional do Movimento Democrático Brasileiro em Sergipe.

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h05
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A organização do MDB X

 

 

 

Em 1972, José Carlos Teixeira foi novamente reconduzido à presidência da Comissão Executiva Regional:

 

 

Quadro VII

COMISSÃO EXECUTIVA REGIONAL DO MDB EM SERGIPE, ELEITA NO DIA 26 DE MARÇO DE 1972

CARGO

MILITANTE

Presidente

José Carlos Teixeira

Primeiro Vice-Presidente

Umberto Napoleone Mandarino

Segundo Vice-Presidente

Guido Azevedo

Secretário Geral

Antônio Cabral Tavares

Primeiro Secretário

João Santana Sobrinho

Tesoureiro

Otávio Martins Penalva

Fonte: Gazeta de Sergipe, nº. 4.686, 28 de março de 1972. p. 1.

 

 

Em agosto de 1975, o diretório Regional foi novamente renovado e Tertuliano Azevedo eleito presidente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h43
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A organização do MDB IX

 

 

 

Quadro VI

DIRETÓRIOS DO MDB/PMDB EM MUNICÍPIOS DO INTERIOR DO ESTADO DE SERGIPE (1966-1981)

ANO

DIRETÓRIOS

1966

17

1972

37

1975

46

1980

42

1981

63

1984

68

Fonte: Gazeta de Sergipe, Ano XX, nº. 5.123, 29 de julho de 1975. p. 2; Gazeta de Sergipe, Ano XXIX, nº. 7.798, 28 e 29 de outubro de 1984. p. 3.

 

 



Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h23
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SEMINÁRIO ANUAL 2009 - PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

http://jorge.carvalho.zip.net

Data: 27/02 a 27/12/2009

Local: AUDITÓRIO DO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE

A trajetória intelectual de Pierre Bourdieu foi marcante pela originalidade dos seus estudos acerca dos camponeses, dos artistas, da escola, dos clérigos, dos patrões, das classes sociais, contribuindo para os campos da Etnologia, da Sociologia, da Filosofia, da Sociolingüística, da Economia e da História. Desde a publicação do seu primeiro livro, Sociologia da Argélia, em 1958, de modo original ele demonstrou que a crise do campesinato não encontrava sua explicação apenas no debate sobre o capitalismo agrário, mas também nos mecanismos muito mais sutis que se relacionam com a sua própria reprodução, estabelecendo a partir de então o conceito de habitus. Com base neste ponto de partida, desenvolveu um acervo teórico que evidenciou o papel do capital cultural, aprofundou a noção de capital cultural e analisou as funções sociais das práticas culturais. Este tema Bourdieu retomariaquando já intelectual maduro, em 1992, publicou As regras da arte, propondo uma teoria geral dos campos e refletindo sobre a revolução simbólica ao tratar da função social dos intelectuais. A sua primeira análise mais densa sobre Educação aconteceu em 1970, quando publicou A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, em parceria com Jean-Claude Passeron. Não obstante as críticas que o trabalho recebeu, ele foi fundamental para o aprofundamento da noção de violência simbólica, o que permitiu a Pierre Bourdieu desenvolver melhor as suas discussões acerca de idéias como a do mercado dos bens simbólicos, dando sentido a conceitos como campo de produção simbólica em sentido estrito. Para o autor, este é um espaço de produção erudita no qual os produtores têm por público, essencialmente, os outros produtores, seus concorrentes diretos. Neste debate, Bourdieu delimitou também a idéia de campo da grande produção cultural, explicitando os papeis que exercem o jornalismo e a indústria de bens culturais. Foi ainda estudando o campo de produção simbólica que o autor discutiu a especificidade do campo científico e as condições sociais do progresso da razão, observando tal campo de produção em sentido estrito e rompendo com a tradição dominante na Sociologia da Ciência, ao introduzir os conceitos de campo científico e capital científico e demonstrando a lógica do mercado científico, no qual os clientes mais importantes são os próprios concorrentes. Esgrimindo idéias originais, Bourdieu buscou, com o amadurecimento das suas reflexões, a incorporação de contribuições originárias da perspectiva neokantiana, como em A Distinção: crítica social do julgamento, que publicou em 1979, ara afirmar a sua teoria do conhecimento sociológico. O tema da Educação retornou fortemente às suas reflexões, sib tra perspectiva, em 1984, quando publicou Homo academicus, estudando o corpo docente e a instituição universitária da França, subinhando o academicismo, as lutas entre as disciplinas e a perspectiva escolástica. Tal análise ganhou maior aprofundamento em 1989, quando Bourdieu colocou em circulação o livro A nobreza do Estado, analisando as grandes escolas e o corporativismo. CRONOGRAMA DE DEBATES Data Texto Expositor 27/02 A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1970. Jorge Carvalho 27/03 A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª edição. Ester Fraga 24/04 A distinção: Crítica social do julgamento. 1979. Anamaria Bueno de Freitas 29/05 Os herdeiros. 1964. Jônatas Menezes 26/06 As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. Dinamara Feldens 31/07 Sociologia da Argélia. 1958. Samuel Albuquerque 28/08 A nobreza do Estado. 1989. Vera Santos 25/09 O Desencantamento do Mundo: Estruturas Econômicas e Estruturas Temporais. São Paulo: Perspectiva. Rodorval Ramalho 30/10 Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Luiz Eduardo Oliveira 27/11 Homo academicus. 1984. Joaquim Tavares 27/12 Razões Práticas sobre a Teoria da Ação. Campinas: Papirus, 1997. Antônio Samarone Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Inscrições: Enviar e-mail para jorge@ufs.br



Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h14
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