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As pressões contra o MDB
A história do partido ficou também marcada pelas diversas formas de discriminação que os seus militantes foram obrigados a enfrentar. Pressões para extinguir o partido; imposição de formalidades legais; discriminação social, praticada mesmo contra aqueles militantes situados em posição destacada na escala social; uso da imprensa para desqualificar o partido de oposição e seus militantes. As pressões para extinguir o partido foram recorrentes ao longo de todo o período da ditadura. Segundo Luiz Antonio Mesquita Teixeira, no final do ano de 1968, logo após a edição do Ato Institucional número cinco, o deputado federal Augusto Franco convidou Oviedo Teixeira, José Carlos Teixeira e Luiz Antonio Teixeira para uma reunião em sua casa. Oviedo Teixeira levou o jornalista Orlando Dantas para testemunhar a conversa. Durante a reunião, Oviedo e José Carlos Teixeira foram convidados a aderir à Aliança Renovadora Nacional: Papai disse: “Doutor Augusto, a Arena é um supermercado muito bonito, muito bacana, cheio de atração, tem muito doce, muita gente. O nosso MDB é um botequim pequenininho”. Papai inverteu a proposta: “se o senhor quiser participar de um negócio pequeno, um botequim, está convidado juntamente com o jornalista Orlando Dantas a se filiar ao MDB”. Esse tipo de sedução era tentando não apenas junto aos dirigentes do partido, mas a todos os seus militantes. Os quadros do MDB eram visitados com freqüência, recebiam ofertas de emprego e outras benesses do poder público, desde que aderissem à Arena. “Usavam o Estado, o poder público para corromper. Muita gente neste país fez patrimônio e se fortaleceu economicamente com as benesses do regime militar”. No MDB permaneceram os quadros que não sucumbiram diante das ofertas feitas pelos dirigentes arenistas e que assumiram os riscos do papel que desempenhavam em defesa da democracia e da condição de combatentes contra a ditadura militar. Muitas vezes, enfrentaram o risco das torturas, do desaparecimento e da morte. Sob a gestão de Paulo Barreto de Menezes no Governo do Estado de Sergipe, foi muito forte a pressão para que importantes lideranças do MDB abandonassem a legenda partidária, obtendo nova filiação na Aliança Renovadora Nacional. O caso de maior repercussão nesse processo ocorreu quando o deputado Pedro Garcia Moreno, eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro, decidiu integrar a bancada governista, em julho de 1971. As lideranças políticas ligadas a governo estadual anunciaram que aquele ato representava o início do que chamaram de avalanche adesista. A saída do parlamentar representou a redução da bancada oposicionista em um quarto, uma vez que o partido ficou com apenas três dos quatro deputados eleitos em 1970. O líder do MDB na Assembléia, Guido Azevedo, reagiu com indignação à atitude do deputado Pedro Moreno, cujo comportamento foi qualificado como “traição e carreirismo (...), puro ato de adesismo e de dominação pelas vantagens do Poder, (...) apenas para receber vantagens pessoais”. Em sua defesa, Pedro Moreno argumentava que “o MDB não estava mais cumprindo suas finalidades”. O Movimento Democrático Brasileiro emitiu Nota Oficial repudiando aposição do deputado Pedro Garcia Moreno: O Diretório Regional de Sergipe do Movimento Democrático Brasileiro comunica ao povo a lamentável adesão à Arena do Deputado Estadual Pedro Garcia Moreno. O parlamentar adesista elegeu-se com os votos do MDB; agora, na Assembléia Legislativa mudou de Partido; capitulou ao Governo em troca de favores pessoais. Ao protesto público contra tal atitude seguir-se-á a ação judicial para cassar o mandato do Deputado, hoje arenista. O procedimento do Governador Paulo Barreto de Menezes e da direção da ARENA, adotando tais processos, é censurável sob todos os aspectos, restaurando os velhos métodos de corrupção política. Infelizmente ainda existem os calabares. Esta nota significa o protesto veemente do Movimento Democrático Brasileiro. Aracaju, 20 de julho de 1971. A Comissão Executiva do Diretório Regional do Movimento Democrático Brasileiro. Antonio Cabral Tavares Guido Azevedo Otávio Martins Penalva
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 05h40
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Cortando a própria carne
A natureza de frente que tinha o Movimento Democrático Brasileiro - MDB impunha decisões corajosas, como a de cortar na própria carne, extirpando dos seus quadros alguns militante que deixavam de compreender o comportamento que se exigia do militante de uma agremiação como o MDB, principalmente em seus primeiros anos. Deste modo, em 1966 e 1967, foram vários os emedebistas excluídos do quadro partidário por infidelidade e por descumprimento dos padrões éticos exigidos pelos estatutos da organização. Dentre os nomes mais importantes que foram desligados do partido, vale citar José Neto, que foi candidato a deputado estadual em 1966 pelo MDB de Propriá; o radialista Silva Lima; um conhecido dentista militante em São Cristóvão; e, Walteces Sousa, que foi candidato a vereador em Aracaju nas eleições de 1967. O partido voltaria a promover desligamentos de militantes em 1976, por infidelidade partidária. Os vereadores José Ângelo Filho e Aureliano dos Prazeres da Silva, do município de Neópolis, tiveram suas filiações partidárias cassadas pela comissão executiva do MDB, em sessão tensa, da qual participaram o senador Gilvan Rocha, o deputado federal José Carlos Teixeira e os deputados estaduais Jackson Barreto, Oviedo Teixeira e Guido Azevedo. Os dois vereadores foram desligados do partido em função de apoiarem Carlos Torres, candidato a prefeito pela Arena. O Movimento Democrático Brasileiro tinha, portanto, muito claro que surgiu para ser uma espécie de “guarda-chuva” que abrigava todas as tendências políticas e ideológicas que se contrapunham ao regime militar e que dos seus militantes se exigia bem mais transparência que dos optantes pelo partido situacionista. Foi o nosso coração, foi o nosso pulmão, foi sem dúvida alguma a porta e a janela que nós encontramos para poder respirar e para poder ter uma atuação capaz de suportar os anos de chumbo. O MDB teve um papel extraordinário na vida de muitas pessoas em Sergipe e no Brasil.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 12h27
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Esquerdistas, jovens, autênticos e moderados V
Em Aracaju, no primeiro quadrimestre do mesmo ano, o MDB filiou mais de 250 jovens estudantes secundaristas e universitários ao partido. No mês de abril, os jovens militantes Carlos Alberto Menezes, Agamenon de Araujo Souza e Francisco Augusto Ramos participaram do Primeiro Congresso Nacional da Juventude Emedebista Brasileira, acompanhados do deputado Jackson Barreto e do vereador Jonas Amaral, realizado em Porto Alegre. O primeiro movimento jovem do MDB a ser institucionalizado no país foi o do Rio Grande do Sul. O de Sergipe foi o segundo. Em junho de 1975, o deputado federal Laerte Vieira, do Rio Grande do Sul, líder do partido na Câmara, fez uma conferência organizada pela Ala Jovem, no plenário da Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe. O fascínio era deste modo recíproco. A juventude encantava as lideranças do MDB, da mesma maneira que o partido atraía os jovens interessados na luta política: O MDB era o único partido legal existente que resistia à ditadura. O país estava organizado partidariamente em dois blocos: de um lado, a Arena, e do outro o MDB. Os ícones que atraiam a juventude estavam no MDB: Nelson Jobim, Danton Jobim, Nelson Weneck Sodré, Ulisses Guimarães, Mário Covas, José Carlos Teixeira, Jackson Barreto, Franco Montoro, Gilvan Rocha. Eu comecei a participar ativamente da vida política, trabalhando para ajudar o MDB, mesmo sem ser filiado, nas eleições de 1974. A Ala Jovem continuou a ser um grupo dos mais ativos do partido e no início da década de 80 foi reorganizado. No início do mês de setembro de 1981 o deputado federal Jackson Barreto organizou um evento no auditório da Associação Sergipana de Imprensa para instalar a ala jovem do PMDB, após a reforma partidária que transformou o MDB em Partido do Movimento Democrático Brasileiro. A festa contou com a participação do presidente da Executiva Nacional do PMDB Jovem, David Lobão; do secretário geral da União Nacional dos Estudantes, Luiz Falcão; e do presidente do PMDB Jovem da Bahia, Luiz dos Santos. Durante a solenidade discursaram os principais dirigentes do PMDB em Sergipe, como Seixas Dórea e José Carlos Teixeira. A fim de mobilizar a juventude de Sergipe para a festa, o deputado Jackson Barreto e David Lobão passaram todo o dia cinco de setembro visitando as salas de aula da Universidade Federal de Sergipe. O PMDB Jovem de Sergipe tinha Lealdo Feitosa como presidente.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h01
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EDUCAÇÃO É HISTÓRIA - 150.000 ACESSOS
O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA recebeu mais de 150.000 acessos desde a sua primeira publicação na rede Internet, no dia oito de dezembro de 2005 e o mês de junho de 2009. Este blog tem a pretensão de ser um espaço democrático destinado a publicação de textos, informações, artigos científicos, divulgação de eventos e comentários a respeito dos campos da Educação e da História, com ênfase nos estudos sobre História da Educação, História da Cultura, História da Ciência e Política. O blog é coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento (jorge@ufs.br), a partir do trabalho que realiza o Grupo de Pesquisa em História da Educação da Universidade Federal de Sergipe. O primeiro texto publicado, em 08 de dezembro de 2005, foi um artigo escrito por Jorge Carvalho do Nascimento, tendo como título "A Colônia do Quissamã". Durante esses 42 meses que está em atividade na rede Internet, o blog recebeu mais de 150.000 visitas, das quais 21.717 nos primeiros doze meses, 45.334 no segundo ano e 60.106 no terceiro ano. Assim, no primeiro ano de funcionamento o blog recebia uma média de 1.809 visitas mensais, número que se elevou para 3.777 visitas mensais no segundo ano, superando o dobro de visitas a cada dia, que eram 60 no primeiro ano e passou para 123 no segundo ano de atividades. No seu terceiro ano de funcionamento, o blog recebeu uma média de 5.008 visitantes a cada mês, praticamente triplicando a estatística dos primeiros 12 meses, enquanto o número médio de visitas por dia chega a 166. O blog EDUCAÇÃO É HISTÓRIA mantém link para 96 outros importantes endereços brasileiros e estrangeiros da rede web e nestes 42 meses de atividade publicou informações sobre 84 eventos nacionais e internacionais. Também foram publicados 1.040 textos sob a forma de artigo, 177 notícias e 49 resenhas bibliográficas. São 24 novos artigos a cada mês, além de 4 novas notícias, dois novos eventos e uma resenha bibliográfica inédita a cada 30 dias.
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h55
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Esquerdistas, jovens, autênticos e moderados IV
Mas, além de promover palestras e seminários, a Ala Jovem também mantinha uma ação política efetiva e se manifestou em diversas ocasiões, como no episódio da expulsão dos estudantes da Universidade de Brasília, em 1977: O Setor Jovem Estadual do Movimento Democrático Brasileiro de Sergipe, face aos últimos acontecimentos que culminaram com a expulsão e suspensão de 64 estudantes da Universidade de Brasília, por ato do capitão de fragata atual reitor daquela instituição de ensino, vem a público manifestar o seu total repúdio às práticas reiteradas de arbitrariedades contra a liberdade de manifestação da juventude estudantil, ao tempo em que se solidariza com os colegas vítimas dos instrumentos de exceção em vigor, reafirma a sua crença nos ideais e princípios sagrados que norteiam e iluminam os caminhos da democracia. Em particular registramos o nosso apoio e solidariedade ao nosso companheiro Agamenon Araujo Souza, membro do Diretório Estadual do MDB/SE e estudante daquela universidade, unido como tantos colegas arbitrariamente pelos repressores da livre manifestação de pensamento, direito inalienável à pessoa humana. Somos da opinião de que a aplicação de tal ato repressivo, ao invés de aproximar os diversos segmentos da sociedade brasileira, tende tão somente a acobertar os extremistas que procuram obstruir o processo de redemocratização do país, coisa que tanto anseiam todos os democratas e estudantes brasileiros. Aracaju, em 21 de julho de 1977 Antonio Fernando T. Santana Presidente A Ala Jovem emedebista se constituiu num grupo tão importante, que, depois de Aracaju, vários diretórios municipais do partido organizaram seções da Ala Jovem nos respectivos municípios. A primeira iniciativa dessa natureza foi tomada em Itaporanga d’Ajuda, em janeiro de 1976, sob a liderança de Mário Jorge Oliveira. Logo depois, em fevereiro, foi a vez do município de São Cristóvão. De acordo com Jackson Barreto de Lima, muitas filiações de jovens foram movidas pela indignação cívica, pelo sentimento de revolta contra a ditadura, muito forte dentre os jovens que votaram em Seixas Dórea para governador, em 1962: Tínhamos aquela mágoa, aquele ressentimento de ter visto o nosso governador deposto, o governador que foi eleito com tanta esperança na mudança política para o nosso Estado. Nós ainda não tínhamos formação ideológica, a gente era contra aquele regime militar, o golpe que tirou Jango, o presidente da República, o vice-presidente eleito democraticamente. Muitas vezes, a estratégia de atrair a juventude foi utilizada também para possibilitar a organização do partido em importantes concentrações do interior do Estado, uma vez que as lideranças mais consolidadas, em face dos interesses que defendiam, terminavam optando pela filiação à Arena. Há exemplos que ajudam na compreensão desse tipo de dilema, como a reorganização do diretório do MDB em Itabaiana, no ano de 1975. Com dificuldade para identificar nomes de líderes locais dispostos a empalmar a responsabilidade, José Carlos Teixeira encontrou no jovem bancário Abrahão Crispim de Souza o nome adequado para a tarefa, conforme ele mesmo relata: Fui convidado por José Carlos Teixeira a fundar o diretório do partido na cidade de Itabaiana. Eu era um rapazinho. Como candidato a prefeito, obtive apenas 105 votos. O eleito foi Antônio Telles, filho de Chico de Miguel, ficando Fernando Mendonça, ARENA 2, em segundo lugar. De um modo geral, a mobilização da juventude foi um dos elementos agregadores da maior importância para as principais lideranças do MDB. Por isto, esse tipo de trabalho entusiasmou tanto a políticos experientes como José Carlos Teixeira, quanto a lideranças que emergiram do movimento de juventude do partido, a exemplo do próprio Jackson Barreto. “Particularmente, José Carlos Teixeira era muito carinhoso na relação que mantinha com os militantes do MDB. Ele era algo meio paternal. Tinha o vício de todo e qualquer conselheiro, que era de apontar os caminhos que serviam a ele particularmente”. Para que se avalie, a prioridade dada aos jovens pelo MDB, no ano de 1975 o partido desenvolveu em Sergipe um trabalho, com base no seu programa de expansão, para criar departamentos jovens nos diretórios municipais do MDB. No caso aqui citado do município de Itabaiana, o diretório do partido foi reorganizado basicamente com militantes do movimento de juventude. No mesmo ano, o MDB de Sergipe mandou um grupo de jovens para Salvador a fim de participar de uma conferência proferida pelo senador emedebista pernambucano Marcos Freire sobre a participação da juventude no partido.
Cf. LIMA, Jackson Barreto de. Entrevista concedida a Jorge Carvalho do Nascimento no dia 17 de maio de 2008.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 19h02
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Revista Española de Educación Comparada
Estimada compañera, estimado compañero:
Como sabes, la Revista Española de Educación Comparada (REEC) es una publicación periódica publicada de forma conjunta por la Sociedad Española de Educación Comparada (SEEC) y la Universidad Nacional de Educación Comparada (UNED). La revista nació en el año 1995, y está abierta a la contribución de todos aquellos comparatistas, españoles o extranjeros, que deseen difundir los resultados de sus estudios o investigaciones más recientes. Nuestro esfuerzo actual por difundir en mayor medida esta publicación nos ha motivado a escribirte, y a animarte a conocer esta revista. Tienes toda la información de la misma, ahora completamente digitalizada, en http://www.uned.es/reec, y http://www.sc.ehu.es/sfwseec/reec.htm. Las áreas temáticas que cubre abarcan los ámbitos de: * Educación y Pedagogía Comparada *Educación Internacional * Globalización y educación * Cultura, conocimiento y pedagogía * Política educativa comparada * Sociología Comparada de la Educación * Historia y Filosofía comparada de la Educación * Postmodernismo * Postcolonialismo.
Te animamos, asimismo, a presentar una colaboración, en forma de artículo o de reseña a la revista, la cual será sometida a la prescriptiva evaluación por el sistema de doble juez ciego.
FECHAS IMPORTANTES:
Envío del artículo científico: 30 de septiembre de 2009
Publicación del volumen científico: primavera de 2010
BASES DE DATOS en que está indizada la REEC: ERIH, DIALNET, DICE, CINDOC, IRESIE, LATINDEX, REDINED.
Te agradecemos tu colaboración y tu interés. Ello, sin duda, contribuye enormemente a nuestra tarea de abrir en España a los estudios comparativos e internacionales un horizonte cada vez más amplio.
Un cordial saludo,
José Luis García Garrido
Director
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Categoria: Informação bibliográfica
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h27
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IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA
http://www.pph.uem.br/cih/
Data: 9 a 11 de setembro de 2009
Local: Maringá - Paraná - Brasil
A Universidade Estadual de Maringá,
através do Programa de Pós-Graduação em História e
do Departamento de História realizam o
IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA
O objetivo do evento, realizado a cada dois anos, é integrar historiadores, professores, alunos de pós-graduação e de graduação dos mais diversos países, promovendo atividades e debates sobre o atual estado da arte da produção historiográfica.
9 a 11 de setembro de 2009
Maringá - Paraná - Brasil
Mais informações: http://www.pph.uem.br/cih/
INSCRIÇÃO DE TRABALHOS - DATAS LIMITES:
Data limite para o envio dos resumos: até 19 de julho de 2009.
Envio do aceite para os autores que tiveram os trabalhos aprovados: até 27 de julho de 2009.
Data limite para o envio dos trabalhos completos: até 15 de agosto de 2009.
Inscrição de ouvintes: até 9 de setembro de 2009.
Contato
Contato: Programa de Pós-Graduação em História da UEM – PPH/UEM
Av. Colombo, 5.790 Bloco H-12, sala 16
Fone: 55-44-3261-4895 e-mail: cih@uem.br
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h14
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Esquerdistas, jovens, autênticos e moderados III
A disciplina e a obstinação de Jackson no cumprimento dos papéis que a política impunha eram muito grandes. Os militantes de outras organizações clandestinas, como a Ação Popular – AP o chamavam de “tarefeiro”, pelo fato dele levar a sério todas as responsabilidades que o PCB impunha. Essa sua característica foi muito forte e o acompanhou, inclusive no exercício do mandato de deputado federal: Tanto, que ele cumpriu até tarefas internacionais do Partido, como na questão da Nicarágua, que ele era encarregado de fazer os contatos do PCB com os sandinistas. Fez contatos para tirar do isolamento pessoas que estavam presas. Ele cumpriu tarefas internacionais da maior importância, fazendo contatos com o governo de Anastácio Somoza, usando as suas prerrogativas de deputado federal brasileiro, para evitar que os Direitos Humanos de pessoas que estavam presas pela ditadura de Somoza fossem violados. Jackson tem muitos méritos, cumpriu o papel dele diante da História, com muita competência. As jovens lideranças como Wellington Paixão, Jonas Amaral, Wellington Mangueira, Benedito de Figueiredo, João Augusto Gama, Abelardo Souza e Jackson Barreto, portanto, eram importantes pela radicalidade que assumiam ao contestar a ditadura. E para o MDB era importante valorizar e legitimar aquele grupo mais jovem. José Carlos Teixeira sabia da importância dos jovens para legitimar o MDB. Ele abria muito espaço. Em Aracaju, nós sempre tivemos muito espaço. O Diretório Municipal do MDB de Aracaju sempre teve uma forte participação da juventude e dos setores de esquerda. José Carlos Teixeira precisava desses militantes de esquerda ao seu lado, pois eles garantiam a legitimação ideológica do partido. Na avaliação de Benedito de Figueiredo, esse papel desempenhado por José Carlos Teixeira na História de Sergipe foi fundamental para alimentar a esperança e permitir que uma jovem geração de políticos emergisse: João Augusto Gama, Benedito de Figueiredo, Wellington da Mota Paixão, Wellington Mangueira, Jonas Amaral, Jackson Barreto de Lima e outros. Ele fez uma escola de políticos. Ele não deixou esmorecer, não deixou morrer a chama da esperança juvenil. Este foi o grande embate que a ditadura enfrentou em Sergipe. Mesmo tentando, a ditadura não conseguiu sufocar a esperança. Gente como José Carlos Teixeira não permitiu que isso acontecesse. Esse é o seu maior mérito. Ainda hoje estão aí os frutos disso: Edvaldo Nogueira é o prefeito de Aracaju. Marcelo Deda é o governador do Estado de Sergipe. É verdade que pelo PT. É verdade que Marcelo Deda nunca foi militante do MDB. Mas o trabalho daquela geração do MDB foi muito importante para que o PT empunhasse a bandeira que empunhou e assumisse a responsabilidade de mudar o Brasil. O Partido Comunista influenciou muito o Movimento Democrático Brasileiro, principalmente quando o MDB decidiu fundar a sua Ala Jovem. Em Sergipe, a Ala Jovem foi reconhecida pela direção do MDB, que não apenas aceitou a veiculação das teses dos militantes do PCB, mas também criou os meios para que estas fossem publicadas e entrassem em circulação. A Ala Jovem do MDB foi criada institucionalmente em agosto de 1974, marcando a sua estréia com um comício na praça Camerino. Todavia, um grupo que se denominava Ala Jovem já atuava no MDB desde 1970. O grupo foi visto como importante para a renovação dos quadros partidários, não obstante alguns articulistas, como o jornalista Ariosvaldo Figueiredo, insistirem em publicar artigos na imprensa ridicularizando a juventude emedebista. Institucionalizada, a Ala Jovem encontrou o seu núcleo central na turma que ingressou na Faculdade de Direito em 1973: Carlos Alberto Menezes, Luciano Oliveira, Francisco de Assis Dantas, Nilton Vieira Lima, Elias Pinho de Oliveira e Walter Dias Calixto. Carlos Alberto Menezes foi eleito presidente e Elias Pinho vice-presidente da Ala Jovem. À época havia crescido no MDB um debate acerca da militância jovem, estimulado principalmente a partir do Rio Grande do Sul, do Paraná e do Rio de Janeiro. Tal debate ganharia cada vez maior importância nos anos seguintes. Muitos líderes da oposição estavam preocupados com o que identificavam como um crescente desinteresse da juventude universitária pela participação na vida dos partidos políticos após a reforma de 1966. Em Aracaju, o noticiário do Jornal da Cidade à época afirmava: A questão – para muitos dos mais experimentados políticos brasileiros – se reflete na seleção de candidatos novos a postos eletivos, como correu em 1970 nas eleições ara o Legislativo carioca, quando 80% dos candidatos de ambos os partidos eram nomes da velha tradição política. As direções regionais dos partidos enfrentam grande dificuldade em adotar medidas eficazes e práticas que viriam facilitar a atração da juventude universitária em torno das agremiações partidárias. (...) Para o vice-presidente do MDB carioca e procurador do Partido junto ao Tribunal Regional Eleitoral, Sr. Flávio Preto, a agremiação está procurando desenvolver planos e programas para atrair ao seu seio a classe estudantil. No exercício do seu primeiro mandato como deputado estadual, em 1975, Jackson Barreto foi um grande entusiasta e responsável pela articulação de algumas atividades da Ala Jovem do MDB, a exemplo do Ciclo de Debates sobre Política Brasileira, aberto na noite do sábado, 14 de junho, no plenário da Assembléia Legislativa. A conferência de abertura foi proferida pelo deputado federal Laerte Vieira, líder do partido na Câmara e representante do Estado de Santa Catarina. O mesmo ciclo promoveu uma conferência do ex-senador do MDB baiano Josaphat Marinho, no dia 25 de agosto, com o tema “Problemas institucionais”. Em setembro foi a vez do senador Alencar Furtado falar sobre “Empresas multinacionais”. Na mesma direção, em 1977 o deputado Jackson Barreto ajudou a Ala Jovem a organizar um seminário na Assembléia Legislativa com a participação do líder do MDB em Pernambuco, deputado Roberto Freire. A palestra teve como tema “A Constituição como solução para o atual impasse”
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h01
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Esquerdistas, jovens, autênticos e moderados II
Os comunistas participaram da vida do MDB sem que, em nenhum momento, lhes fosse criado qualquer tipo de embaraço, mesmo nos momentos em que algumas lideranças do Partido foram obrigadas a responder aos inquéritos abertos pelos órgãos de segurança da ditadura. Alguns dirigentes comunistas como Cerivaldo Pereira mantiveram estreitas ligações com José Carlos Teixeira e participaram amplamente de importantes discussões e decisões engendradas no âmbito do MDB. O movimento estudantil, liderado pelo PCB nas décadas de 60 e 70, encontrou no MDB todas as condições favoráveis à sua organização e crescimento. O Partido Comunista exerceu, em duas campanhas eleitorais, através do advogado Wellington Mangueira, a coordenação do programa eleitoral do MDB no rádio. Do mesmo modo que o Partido Comunista Brasileiro – PCB, o Partido Comunista do Brasil – PC do B, mesmo mais de uma década depois, também decidiu pela filiação dos seus militantes ao Movimento Democrático Brasileiro. A mesma estratégia foi adotada por outras organizações políticas de esquerda que atuavam na clandestinidade durante a ditadura militar. Nem todos os agrupamentos de esquerda, contudo, aderiram ao MDB. Algumas organizações continuaram pregando o voto em branco. A conseqüência mais visível do processo de filiação dos partidos clandestinos ao Movimento Democrático Brasileiro foi a formação de duas correntes de militantes, em todo o país, no interior do MDB: os Autênticos e os Moderados. Os Autênticos eram mais vinculados a essas organizações de esquerda, ao movimento operário, ao movimento estudantil. Faziam um discurso mais duro e defendiam uma ação partidária mais radicalizada na contestação à ditadura. “A Ala Jovem era mais ligada aos autênticos, representados nacionalmente por Marcos Freire, Francisco Pinto e Fernando Lyra”. Os moderados eram, em sua maior parte, liberais, quadros remanescentes de antigos partidos como o PSD, o PSB e o PTB, dentre outros. A existência desses dois grupos no MDB de Sergipe era visível desde a fundação do partido. A partir de 1972 o grupo dos autênticos foi liderado por Jackson Barreto. Mas, até aquele ano o grupo mais à esquerda se apresentava como a Ala Jovem do MDB. Nós criamos a Ala Jovem do MDB para diferenciar do que a gente chamava o MDB moderado. Na prática, a Ala Jovem era o Partidão disfarçado. A presença de Jackson no MDB foi uma espécie de marco que permitiu ao partido falar em esquerda. Ele foi de importância fundamental. Ajudou José Carlos Teixeira, mas definiu: nós somos a esquerda do partido. No cenário nacional, José Carlos Teixeira se identificava mais com os Moderados. Em Sergipe, a corrente dos Autênticos encontrava sua maior expressão em Jackson Barreto, que, com um discurso e uma ação mais radicais, adquiriu com o tempo um forte poder de sedução e influência junto aos setores de juventude ligados ao MDB. Jackson Barreto e José Carlos Teixeira foram duas lideranças fortes e importantes no interior do partido, com objetivos convergentes, mas com estratégias distintas. Duas pessoas diferentes que deram vida e encarnaram o projeto do MDB, a partir de campos singulares. Jackson foi uma peça extremamente importante. Jackson desenvolveu e organizou a contestação. Ninguém contestou mais as oligarquias sergipanas, de forma contundente e firme, do que Jackson Barreto. Jackson Barreto tirava o couro de Augusto Franco, que era o grande representante das oligarquias no Estado. Bateu pesado. Ele tinha muita coragem, muita ousadia e muita firmeza. E isto dava a ele, dava ao MDB uma força extraordinária. Jackson Barreto sempre fez política com vigor e conseguiu impor sua liderança. Nascido no dia seis de maio de 1945, em Santa Rosa de Lima, vinha de uma tradição familiar de militância no PSD, desde seu pai, Etelvino, e sua mãe, Neuzice. No final da década de 40 seus pais se estabeleceram em Aracaju, com 16 filhos, a sua mãe trabalhando como professora no Grupo Escolar Manoel Luiz. O seu pai montou uma bodega no cruzamento das ruas Estância e Dom Bosco. Jackson foi militante da política estudantil secundarista no Colégio Estadual Atheneu Sergipe, juntamente com Jonaldo Santiago e Wellington Mangueira. Trabalhou como carteiro e ingressou na Faculdade de Direito em 1967, o mesmo ano no qual passou a militar no Partido Comunista Brasileiro. Para um trabalho como o desenvolvido por Jackson Barreto era fundamental o respaldo que a estrutura partidária e a força de José Carlos e Oviedo Teixeira ofereciam. Jackson surgiu com uma força avassaladora, uma força popular, eleitoral muito grande. Ligado ao Partido Comunista, ingressou no MDB e se transformou num marco importantíssimo dentro do partido. Forjou toda uma liderança política em Aracaju, que marcou a vida do MDB. José Carlos Teixeira enxergou em trabalhos como o de Jackson Barreto a possibilidade de atrair os jovens que despontavam como liderança para o partido. Jackson ajudou a popularizar mais ainda o partido. Jackson vem das ruas, Jackson vem dos bairros. Com ele o partido se espraiou em Aracaju. Isso aconteceu com a eleição dele para vereador em Aracaju, em 1972. Surgiu ali uma nova página do partido, um novo instante, um novo líder. Era uma liderança que chegou ao partido montado em uma popularidade incrível, algo inédito em Aracaju. A presença de Jackson aprofundou o caráter, a visão, a noção de esquerda do partido, com um discurso forte contra as elites.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 12h16
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Esquerdistas, jovens, autênticos e moderados
Dos grupos que se opunham à ditadura, os militantes do Partido Comunista do Brasil – PC do B, na clandestinidade, foram os grandes ausentes, no primeiro momento, uma vez que o Partido Comunista Brasileiro – PCB decidiu que seus militantes deveriam integrar o MDB logo quando da sua fundação. O PCB havia decidido claramente que o melhor caminho para se opor à ditadura era o do combate pacífico. Os comunistas do PCB se filiaram ao MDB de modo organizado e participaram já da sua primeira campanha eleitoral, em 1966. Dentre os comunistas que à época participaram da fundação do MDB em Sergipe, alguns deles como Wellington da Mota Paixão, justificam a necessidade de integrar o novo partido: O MDB viabilizava a necessidade se de fazer oposição à ditadura militar. Só existiam dois partidos. A ditadura extinguiu toda a história partidária brasileira e criou o bipartidarismo. Não tinha sentido para nenhum de nós, naquela formação inicial, com toda a indignação, fazer a opção de ficar de fora. O MDB foi o leito natural para canalizar a nossa indignação. Eu participei da fundação do MDB, eu me orgulho muito. Em toda a minha vida política, o meu grande orgulho foi ter ajudado a fundar o MDB. Participei da sessão do dia 22 de abril de 1966. Eu estava lá, era um dos 30 que assinou o livro do MDB. Desde a fundação do partido, em 1966, foi numerosa a quantidade de militantes comunistas que se filiou ao MDB, principalmente algumas lideranças do movimento estudantil, bem como outras lideranças que, mesmo sem relação orgânica, recebiam influência do PCB: João Augusto Gama da Silva, Benedito Figueiredo, Wellington Mangueira, Abelardo Souza, Jackson Sá Figueiredo, Jonas Amaral, Jackson Barreto de Lima e Francisco Varela. Havia uma característica muito importante nesse grupo de jovens estudantes de Direito que à época se filiou ao MDB: boa parte deles já tinha alguma experiência política, era oriunda do movimento estudantil secundarista e alguns já conheciam inclusive a experiência do cárcere político, desde a implantação da ditadura militar no Brasil, em 1964. Wellington Mangueira relata que alguns deles, em 1964, foram considerados subversivos pelo fato de militarem no movimento estudantil secundarista e foram expulsos do Colégio Atheneu Sergipense e presos. Jackson Barreto considera que para o MDB de Sergipe foi muito importante a contribuição do trabalho dos comunistas: Os comunistas atuavam, os comunistas tinham a palavra de ordem da unidade, os comunistas eram perfeccionistas no trabalho de organização da militância. Os comunistas conseguiam colocar através do MDB as palavras de ordem que o PCB defendia clandestinamente: a luta pela anistia, a constituinte. Eu estudei os temas da anistia e da constituinte, primeiro através dos documentos clandestinos do Partido Comunista e somente depois através das publicações do MDB. Quando o Movimento Democrático Brasileiro assumiu essas teses elas já estavam consolidadas nos documentos clandestinos do Partido Comunista.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h41
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