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As pressões contra o MDB VII
O articulista fazia questão de se apresentar socialmente como um oposicionista. Porém, tinha dificuldades em assumir posições contrárias à Arena. Todavia, era enfático nas suas divergências com o Movimento Democrático Brasileiro: “Embora não sendo partidário, sou, nessas condições, de oposição. Por ser assim, sou contra o MDB sergipano, a oligarquia revestida de populismo, por isso mesmo mais farsante, mais perigosa”. Essa posição do jornalista contra o MDB era recorrente desde 1968, ano a partir do qual ficou mais visível sua virulência contra o único partido de oposição à ditadura, manifestada, algumas vezes em linguagem pouco elegante: O MDB nascido nas alcovas de Brasília, após manter relações presidenciais teve medo do povo e, às escondidas, apelou para o aborto... é um marginal da democracia. Um maconheiro da representação popular. O MDB nem fede nem cheira, ou melhor, cheira pouco, fede demais. Nasceu para amante, mas nunca passou de um gigolô fracassado. Sob a sua opinião, não havia qualquer necessidade da existência do MDB. Escrevendo na Gazeta de Sergipe durante o mesmo período no qual o diretor do periódico, Orlando Dantas, flertou com o governador Lourival Baptista e oficializou sua filiação a Arena, Ariosvaldo Figueiredo foi impiedoso: O MDB existe para a ARENA viver. (...) Não há, por isso, em termos práticos, uma oposição federal, nem, muito menos, oposição nos Estados. Não há oposição porque para o MDB, econômica e socialmente, nada há a opor. Ele, apenas, joga pensando nos interesses a proteger, nas eleições a conquistar, ou melhor, nos mandatos a resguardar. Artigos como os publicados por Ariosvaldo Figueiredo repercutiam mal entre os grupos mais esclarecidos e articulados, como intelectuais formadores de opinião. O próprio jornal no qual atuava o autor do texto se encarregava de esclarecer a sua posição, para que a opinião do redator dos discursos do candidato Augusto Franco não se confundisse com a posição do periódico: O Sr. Oviedo Teixeira, segundo boas fontes de informações, resistiu ao que pode para, lançar-se novamente, candidato ao Senado Federal. Tentou, de todas as maneiras, convencer aos Srs. Walter Batista e Otávio Penalva para concorrerem ao cargo de senador. Mas eles resistiram ao máximo a oferta dessas candidaturas. Todavia, uma batalha das mais difíceis, dentre as várias enfrentadas por Oviedo, mais difícil das batalhas enfrentadas por Oviedo foi o embate, em 1977, contra o jornalista Souza Filho, proprietário do jornal O Estado de Sergipe. Mantendo estreitas ligações com pessoas ligadas diretamente ao então governador, várias vezes acusado de envolvimento em negócios escusos e em tentativas de extorquir recursos públicos e também de empresas privadas, o jornalista costumava reagir com virulência àqueles que se interpunham contrariamente aos seus interesses. E foi o que aconteceu com o deputado Oviedo Teixeira, quando este denunciou os negócios do jornalista na Assembléia Legislativa e cobrou do governador uma tomada de posição. O jornalista reagiu publicando um texto no qual caluniava o deputado e assacava várias agressões contra a sua honra, fato que provocou uma reação em cadeia, com entrevistas e notas de solidariedade emitidas pela Associação Comercial do Estado de Sergipe, Federação dos Clubes de Diretores Lojistas do Estado de Sergipe, Clube de Diretores Lojistas de Aracaju, além da bancada do Movimento Democrático Brasileiro na Assembléia Legislativa: A bancada do Movimento Democrático Brasileiro na Assembléia Legislativa de Sergipe, pela integralidade dos seus deputados, sente-se no dever de vir a público apresentar irrestrita solidariedade ao deputado Oviedo Teixeira alvo de calúnias das mais torpes em matéria publicada no jornal “Estado de Sergipe”, de responsabilidade do conhecido Souza Filho. Os sergipanos conhecem o passado do Sr. Oviedo Teixeira, homem probo de relevantes serviços prestados ao Estado. Por outro lado, sabem também que o aludido indivíduo encontra-se intimamente ligado a onda de crimes contra o patrimônio, a honra e ao tráfico de entorpecentes acontecidos ultimamente em Sergipe, e, se assim vem procedendo, tem ele o aval de figura intimamente ligada ao Governo Estadual. E quando fazemos esta afirmativa chamamos a atenção de Sua Excelência o Governador do Estado para o que vem ocorrendo nos bastidores de sua administração. Confiamos nas providências das autoridades para banir do nosso meio elemento que só tem trazido intranqüilidade a família sergipana. Guido Azevedo Jackson Barreto Leopoldo Souza.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h33
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As pressões contra o MDB VI
Segundo José Carlos Teixeira, na imprensa de Sergipe, apesar de o jornalista Orlando Dantas ter uma postura crítica em face de muitas das suas posições, o jornal Gazeta de Sergipe, de sua propriedade e sob a sua direção, era um dos poucos veículos que democraticamente lhe abria os espaços para a divulgação do seu trabalho político. Mas, segundo Wellington Mangueira, essa relação nem sempre era das mais confortáveis: Até mesmo no jornal Gazeta de Sergipe muitas vezes há manifestações contra o partido um pouco exaltadas, querendo exigir mais do que as circunstâncias da realidade poderiam permitir. Mesmo porque o MDB estava lutando contra uma estrutura ditatorial. A posição do jornal era, de fato, contraditória, e, várias vezes o periódico manifestou suas divergências com as posições do Movimento Democrático Brasileiro, inclusive de maneira preconceituosa: Aqui em Sergipe, por incapacidade política, ausência completa de espírito de luta, sem liderança capaz de reunir o povo descontente com a Revolução, não passa de um agrupamento político que, pensando em colher sardinhas com mão de gato, conseguiu reunir alguns elementos para a aventura. E não podia deixar de assim acontecer, desde o momento da constituição da sua Direção Estadual. Nunca os dissolventes de esquinas e de cafés, falastrões oportunistas e cavadores de bons empregos foram capazes de somar. Por isto que os emedebistas da Assembléia Legislativa não fazem oposição. Apenas, quando baixa muito o conceito de seus membros na opinião pública, ocorrem incursões de um ou dois deputados que simulam oposição. O desespero dos emedebistas vem se acentuando por falta de apoio da imprensa, sobretudo deste matutino. Gostariam os componentes da cúpula emedebista de repetir as jogadas do PSD-PR que, sem coragem para enfrentar o Sr. Leandro Maciel, viveram das nossas lutas contra o arbítrio e violência dos seus opositores. O pior vai ocorrer dentro em breve, quando sentirem que a Arena não se enfraquecerá. Sem mel nem cabaça, como será no amanhã, para esse grupo, senão entrar para a Arena? Vamos aguardar que o tempo explique tudo, depois da aprovação do projeto que cria as sublegendas. Jornalistas como Ariosvaldo Figueiredo, que até o início da ditadura atuou como um ativo militante de esquerda foram utilizados durante a campanha eleitoral de 1970 pelas lideranças da Arena para, de modo sutil, desqualificar o MDB e suas principais lideranças. Nos artigos que publicava periodicamente no jornal Gazeta de Sergipe, Ariosvaldo Figueiredo, que era àquela altura o principal redator dos discursos do empresário Augusto Franco, candidato arenista ao Senado, costumava produzir textos agressivos que buscavam induzir a população a evitar o voto no MDB: “emedebistas falam, mas só vivem do verbo e da verba. Principalmente da verba, orçamentária ou não. Quando não é a verba, é oportunismo e a frustração”. Os textos do jornalista Ariosvaldo Figueiredo eram especialmente grosseiros em relação ao empresário Oviedo Teixeira, candidato que disputava a cadeira de Senador da República contra o arenista Augusto Franco, e contra José Carlos Teixeira, a principal liderança oposicionista em Sergipe: se o MDB nacionalmente é uma droga, em Sergipe é o fim. Partido doméstico. Familiar. Miúdo. Rotineiro. Oligárquico. (...) A maioria dos seus membros não tem força eleitoral. Prestígio político. Espírito público. Sentido de renovação. O MDB sergipano é uma Arena frustrada. E ressentida porque não está no poder. Partido tradicional, comprometido com as forças mais reacionárias do Estado, é o outro nome ou sigla da Arena. Antes de tudo, o partido tem donos. As exceções não têm forças suficientes para democratizá-lo ou revitalizá-lo. Podendo prestar a Sergipe grandes serviços, como refúgio ou resistência de valores novos, de espíritos dedicados ao desenvolvimento, o MDB em Sergipe é mero trampolim para vantagens e negócios. É o aventureirismo com fachada de oposição. É gritaria em Sergipe e silêncio cômodo ou omissão rendosa em Brasília. Até nisso é, politicamente, ambíguo, hermafrodita, manhosamente heterodoxo. Um partido assim liquida qualquer um. Compromete qualquer Estado. Os poucos que no MDB sergipano têm inteligência, espírito público, mensagem popular, desenvolvimentista, não têm votos. Os que têm votos são despreparados, imediatistas, reacionários, aventureiros. (...) é reacionarismo com fachada popular. É o oposicionismo de mentira. É o MDB, síntese de tudo isso. (...). Informa-se, agora, que o Sr. Oviedo Teixeira é, novamente, candidato ao Senado. O erro, repetido, vira insensatez. Mas, em compensação, caracteriza o sentido familiar, doméstico, do partido. (...) o MDB sergipano é propriedade particular, tem donos. Os demais, são eleitores, só têm obrigação de votar nos candidatos indicados pela copa e cozinha. O Sr. Oviedo Teixeira pode ajudar, financeiramente, o partido, pode ser majoritário em sua participação nesta estranha sociedade anônima. Não discuto, tampouco que ele pode ser bom vereador, membro da Assembléia, mas Senador, paciência, é dose demais para um Estado que tem Universidade, que tem o dever de zelar pelas tradições de Tobias Barreto, de Sílvio Romero, de João Ribeiro, etc., etc. O MDB sergipano pode não ter cultura e espírito público para reformular sua política, mas, por sensatez, não deve tripudiar sobre o eleitorado. O eleitor de Sergipe merece melhor atenção, tem o direito, no mínimo, de ter bons nomes para votar. Como está não é possível.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 05h52
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As pressões contra o MDB V
A repercussão do episódio levou a MDB a emitir Nota Oficial de Solidariedade ao Padre Arnóbio Melo: Reiteramos a decisão de acatar a vontade do Padre Arnóbio Melo de se apresentar ao eleitorado sergipano, pelo MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO, como candidato a Deputado Estadual. O MDB se solidariza com o Padre Arnóbio Melo porque, domingo passado, foi injuriado por seu Bispo, D. Luciano Duarte, que lhe ofendeu a dignidade e o decoro de cidadão, publicamente. O MDB jamais discutirá as relações entre um sacerdote e o seu superior hierárquico. Contudo, o MDB possui o dever partidário de defender qualquer companheiro quando publicamente atacado, seja o injuriado de qualquer profissão, mesmo Padre. A nota pública diocesana contra a honra de nosso correligionário Padre Arnóbio Melo, mesmo que atingisse o mais humilde emedebista, leva, em conseqüência, o nosso repúdio perante a população sergipana, em defesa da dignidade partidária e do seu companheiro atingido. O MDB possui em seus quadros tantos católicos quantos existem em todas as demais organizações. Por essa razão não admitimos que o dirigente ou o hierarca de qualquer organização civil ou religiosa possa denegrir publicamente a honra de qualquer emedebista pelo simples fato do injuriado ter tomado uma posição política, ingressando em nossos quadros. É disso que estamos convencidos: o Padre Arnóbio Melo encontra-se difamado por D. Luciano Duarte porque ingressou no MDB, e somente por isso. Sabemos que a Igreja Católica não é facciosa e que, como todas as organizações do mundo, não tem a verdade na boca do seu eventual dirigente. O MDB repudia as injúrias públicas assacadas contra o Padre Arnóbio Melo. Aracaju, 19 de março de 1974. Umberto Mandarino – Presidente em Exercício Deputado Guido Azevedo – Vice-Presidente Antonio Cabral Tavares – Secretário-Geral Deputado Octavio Martins Penalva - Tesoureiro A polêmica ganhou espaço também nos debates parlamentares da Assembléia Legislativa e da Câmara de Vereadores de Aracaju, com os deputados Octávio Penalva e Guido Azevedo fazendo a defesa do padre no parlamento estadual, enquanto na Câmara Municipal o porta voz da solidariedade ao sacerdote foi o vereador Jackson Barreto. O MDB e o Arcebispo de Aracaju voltariam a ter problemas na campanha eleitoral de 1976, quando o deputado Leopoldo Souza denunciou Dom Luciano Duarte por haver demitido o estudante universitário João Batista Rodrigues dos Santos do Movimento de Educação de Base – MEB. João era candidato a vereador em Estância, pelo MDB e, segundo o deputado Leopoldo Souza, o arcebispo metropolitano de Aracaju atendeu um pedido do candidato a prefeito de Estância pela Arena, Valter Cardoso Costa. A discriminação contra os militantes oposicionistas e o seu partido incluía, normalmente, o uso intensivo da imprensa com o objetivo de desqualificá-los. Além disso, os compromissos da mídia com os governos militares faziam com que a imprensa carregasse suas críticas nos candidatos do MDB e poupasse os arenistas. “José Carlos Teixeira e Oviedo Teixeira eram os mais visados. Articulistas, editorialistas, todos batiam nos candidatos oposicionistas”. Em Sergipe, quando os partidos políticos foram extintos pelo Ato Institucional número dois, o jornal O Nordeste era ligado ao PTB; o Diário de Sergipe, a coligação PSD-PR; o Correio de Aracaju, a UDN; a Folha Popular, ao Partido Comunista; e, A Cruzada, à Arquidiocese de Aracaju; Gazeta de Sergipe, propriedade do jornalista Orlando Dantas, ligado ao Partido Socialista Brasileiro – PSB. Com o bi-partidarismo, a Arena, no exercício do governo, controlou vários jornais, como o Diário de Aracaju e o Jornal da Cidade, enquanto o MDB ficou sem qualquer veículo de comunicação. José Carlos Teixeira sentiu, portanto, necessidade de criar o Jornal de Sergipe para ter uma voz própria na mídia, uma vez que era muito forte a crítica que o partido recebia dos veículos de comunicação existentes, muitos deles bem assistidos por verbas publicitárias públicas. Ele mesmo esclarece as suas motivações ao criar o jornal: “Criei para viabilizar o espaço para a oposição sergipana e para valorizar talentos e valores daquela época. O jornal trabalhou em processo de autogestão e, se não fosse a dedicação de Waldemar Bastos Cunha, não teria condições de sobreviver já que o diretor vivia em Brasília e Sergipe”. O Jornal de Sergipe cumpriu um papel da maior importância ao longo de todo o ano de 1978, expressando as opiniões partidárias através dos editoriais escritos por Arnóbio Patrício de Melo e Waldemar Bastos Cunha. O jornal foi vendido ao empresário Nazário Pimentel no final do mês de dezembro de 1978, conforme explica José Carlos Teixeira: Pimentel me procurou, manifestando o desejo de voltar a exercer o jornalismo em Sergipe. Ele tinha montado o Jornal da Cidade e vendido ao Grupo Franco. Ele me contou sobre as duas fases da sua vida. Uma, quando tinha um jornal, era considerado, respeitado e valorizado diante da sociedade aracajuana. A outra, sem o jornal, passou a ser menosprezado por todos aqueles que o valorizavam. Fizemos um entendimento. Ele tinha tempo para gerir um jornal e desenvolver. Ele tem essa gratidão, que é recíproca.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h07
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As pressões contra o MDB IV
Além das necessidades de superar as barreiras formais que a legislação eleitoral impunha, manter vivo o MDB implicava também em superar as discriminações sociais que a militância na oposição à ditadura sofria, mesmo empresários de sucesso como os da família Teixeira. Tarcísio revela que esse tipo de segregação política era visível quando convivia com setores ligados ao comando arenista: José Rollemberg Leite era muito ligado a mim. A esposa dele, Dona Lourdes Silveira Leite era irmã da minha sogra, a mãe de Aparecida, minha esposa. E era também prima da minha mãe, Alda. Além disso, José Rollemberg Leite e a esposa foram padrinhos do meu casamento. Em função dessa amizade eu freqüentava muito a casa de José Rollemberg Leite, mesmo porque com a ditadura ele viveu um período de isolamento político, apesar de ser um dos líderes da Arena. Quando José Leite, para surpresa de todos, em função da disputa, foi escolhido como um Tertius para ser o Governador do Estado, uma das primeiras pessoas para quem ele telefonou fui eu. Me fez o convite para que eu fosse até a casa dele à noite, pois ele ia comemorar, ia dar uma recepção. Eu o alertei: Dr. José, eu sou irmão de José Carlos. Ele insistiu dizendo que eu nunca deixara de ir à sua casa, mas ele insistiu. Eu fui, e como tinha intimidade com ele entrei pela área de serviço. Todos os chefes da Arena já estavam na varanda. Entrei pela cozinha, falei com Dona Lourdes, e pedi a Dona Lourdes para chamar Dr. José. Ele veio para a copa, eu o cumprimentei e me retirei, pois quando eu entrei vi todos os olhares dos chefes da Arena voltados para mim, como aquele ar de interrogação, de quem pensava: o que é que este irmão de Zé Carlos está fazendo aqui? Eu cumprimentei o Dr. José Leite, dei meu abraço e me retirei. Antes da indicação dele para governar o Estado, poucos chefes da Arena costumavam freqüentar a casa dele. Quando eu ia visitá-lo, os poucos que eu avistava por lá eram Francisco Paixão e Horácio Góes. Outras vezes, por intermédio da discriminação era tentado o impedido do registro da candidatura de alguns militantes. Em 1974, antes mesmo da convenção partidária, o primeiro candidato a enfrentar problemas desta natureza, de ampla repercussão, foi o padre Arnóbio Patrício de Melo. Tão logo se anunciou o seu nome como candidato oposicionista à Assembléia Legislativa, ele recebeu uma reprimenda por parte da autoridade eclesiástica. O arcebispo metropolitano de Aracaju, D. Luciano Cabral Duarte, anunciou no seu programa, “A Hora Católica”, transmitido no domingo 17 de março pela Rádio Cultura de Sergipe, a suspensão do padre das suas funções eclesiásticas por tempo indeterminado. De acordo com o jornal Gazeta de Sergipe, “O anúncio tomou de surpresa a Capital sergipana causando controvérsias, acreditando a população que tal medida se deu em virtude do Padre Arnóbio ser candidato pelo MDB. Formalmente, a medida foi tomada pelo Conselho da Arquidiocese, sob a presidência do arcebispo e composto por oito padres responsáveis por paróquias da capital e do interior. Durante o programa, D. Luciano abandonou seu habitual comedimento e atacou o padre de modo muito duro, afirmando que tal decisão foi tomada “pelo procedimento moral incompatível com as normas da Igreja”. O padre decidiu manter a sua candidatura, mas manifestou sua estranheza diante da decisão do arcebispo: Só não consegui entender o ato de D. Luciano Duarte, ao pretender me suspender, mesmo porque não pertenço a Arquidiocese de Aracaju, nem a nenhuma do interior do Estado. Há uma lei da Igreja que determina a incardinação (ou seja a inscrição) na Arquidiocese onde o padre mora há mais de 6 anos. Seria o meu caso, pois moro em Aracaju há bastante tempo, mas nem isso a Arquidiocese daqui providenciou. Do ponto de vista eclesiástico, o padre Arnóbio questionou a punição que lhe foi imposta, uma vez que por não ser inscrito na Arquidiocese estava vinculado e subordinado diretamente à Ordem Salesiana, à qual pertencia. Professor da rede pública estadual, lotado na Escola Normal, o Instituto de Educação Rui Barbosa, o padre Arnóbio solicitou uma audiência ao governador do Estado, Paulo Barreto de Menezes, para esclarecer a sua posição como funcionário público. Após recebê-lo, o governador também concedeu audiência ao padre José Carvaho, diretor do Colégio Arquidiocesano, membro do Conselho Estadual de Educação e também do Conselho Presbiterial da Arquidiocese, sendo conseqüentemente um dos signatários do documento que puniu Arnóbio.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 00h03
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SEMINÁRIO ANUAL 2009 - PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
http://jorge.carvalho.zip.net
Data: 27/02 a 27/12/2009
Local: AUDITÓRIO DO ARQUIVO DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE SERGIPE
AVISO A coordenação do Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação: Intelectuais da Educação, Instituições Educacionais e Práticas Escolares informa aos participantes do Seminário PIERRE BORDIEU E A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO que a sessão prevista para o dia 26 de junho fica suspensa, em face da celebração dos festejos juninos. Neste blog está publicada a reprogramação das sessões do seminário. A trajetória intelectual de Pierre Bourdieu foi marcante pela originalidade dos seus estudos acerca dos camponeses, dos artistas, da escola, dos clérigos, dos patrões, das classes sociais, contribuindo para os campos da Etnologia, da Sociologia, da Filosofia, da Sociolingüística, da Economia e da História. Desde a publicação do seu primeiro livro, Sociologia da Argélia, em 1958, de modo original ele demonstrou que a crise do campesinato não encontrava sua explicação apenas no debate sobre o capitalismo agrário, mas também nos mecanismos muito mais sutis que se relacionam com a sua própria reprodução, estabelecendo a partir de então o conceito de habitus. Com base neste ponto de partida, desenvolveu um acervo teórico que evidenciou o papel do capital cultural, aprofundou a noção de capital cultural e analisou as funções sociais das práticas culturais. Este tema Bourdieu retomariaquando já intelectual maduro, em 1992, publicou As regras da arte, propondo uma teoria geral dos campos e refletindo sobre a revolução simbólica ao tratar da função social dos intelectuais. A sua primeira análise mais densa sobre Educação aconteceu em 1970, quando publicou A Reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, em parceria com Jean-Claude Passeron. Não obstante as críticas que o trabalho recebeu, ele foi fundamental para o aprofundamento da noção de violência simbólica, o que permitiu a Pierre Bourdieu desenvolver melhor as suas discussões acerca de idéias como a do mercado dos bens simbólicos, dando sentido a conceitos como campo de produção simbólica em sentido estrito. Para o autor, este é um espaço de produção erudita no qual os produtores têm por público, essencialmente, os outros produtores, seus concorrentes diretos. Neste debate, Bourdieu delimitou também a idéia de campo da grande produção cultural, explicitando os papeis que exercem o jornalismo e a indústria de bens culturais. Foi ainda estudando o campo de produção simbólica que o autor discutiu a especificidade do campo científico e as condições sociais do progresso da razão, observando tal campo de produção em sentido estrito e rompendo com a tradição dominante na Sociologia da Ciência, ao introduzir os conceitos de campo científico e capital científico e demonstrando a lógica do mercado científico, no qual os clientes mais importantes são os próprios concorrentes. Esgrimindo idéias originais, Bourdieu buscou, com o amadurecimento das suas reflexões, a incorporação de contribuições originárias da perspectiva neokantiana, como em A Distinção: crítica social do julgamento, que publicou em 1979, ara afirmar a sua teoria do conhecimento sociológico. O tema da Educação retornou fortemente às suas reflexões, sib tra perspectiva, em 1984, quando publicou Homo academicus, estudando o corpo docente e a instituição universitária da França, subinhando o academicismo, as lutas entre as disciplinas e a perspectiva escolástica. Tal análise ganhou maior aprofundamento em 1989, quando Bourdieu colocou em circulação o livro A nobreza do Estado, analisando as grandes escolas e o corporativismo. CRONOGRAMA DE DEBATES Data Texto Expositor 27/02 A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1970. Jorge Carvalho 27/03 A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. 2ª edição. Ester Fraga 24/04 A distinção: Crítica social do julgamento. 1979. Anamaria Bueno de Freitas 29/05 Os herdeiros. 1964. Jônatas Menezes 31/07 As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. Dinamara Feldens 28/08 A nobreza do Estado. 1989. Vera Santos 25/09 O Desencantamento do Mundo: Estruturas Econômicas e Estruturas Temporais. São Paulo: Perspectiva. Rodorval Ramalho 30/10 Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. Luiz Eduardo Oliveira 27/11 Homo academicus. 1984. Joaquim Tavares 27/12 Razões Práticas sobre a Teoria da Ação. Campinas: Papirus, 1997. Antônio Samarone Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Inscrições: Enviar e-mail para jorge@ufs.br
Categoria: Evento
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 23h58
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As pressões contra o MDB III
A repercussão do episódio ocupou também o espaço dos debates na Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe, depois que o deputado emedebista Guido Azevedo leu a Nota do partido. Juntamente com o deputado Leopoldo Souza, reiterou o fato de o vereador Aristides Morais ser proprietário de uma construtora que prestava serviços à Prefeitura de Aracaju e de o vereador João Alves da Silva haver transformado uma de suas filhas em servidora pública municipal e haver recebido a concessão de cerca de 10 pontos de taxi. Quatro dias depois, outro vereador do MDB, Manoel Dórea, também abandonou o partido e transferiu sua filiação à Arena, aprovando, finalmente o projeto de empréstimo proposto pelo Poder Executivo. O vereador Jidenal Francisco dos Santos trocou o partido pela Arena no dia 12 de novembro de 1979. Em 1969, quando o Ato Complementar nº 54 elevou o número mínimo de filiados necessários à organização dos diretórios municipais para que os partidos fossem considerados regulares e tivessem o seu registro validado, alguns quadros do MDB foram atraídos pelas ofertas do governo, a exemplo do suplente de deputado federal Eraldo Lemos, que transferiu a sua inscrição eleitoral do Movimento Democrático Brasileiro para a Aliança Renovadora Nacional. A nova legislação requereu um grande esforço por parte de José Carlos Teixeira e dos demais dirigentes do MDB, a fim de manter o partido organizado em Sergipe. O dia 10 de julho de 1969 era o prazo limite no qual os partidos deveriam apresentar os seus livros de registro de filiados à Justiça Eleitoral. Em Aracaju havia necessidade de recolher, no mínimo, 740 assinaturas no livro de filiados ao partido, enquanto nos municípios do interior do Estado esse número oscilava entre 50 e 140 filiados, de acordo com o número de eleitores inscritos em cada localidade. O deputado federal José Carlos Teixeira denunciou a pressão exercida pelo governo contra o MDB e o uso da máquina pública para beneficiar a Arena no processo de filiações. Com todo o esforço realizado, o partido da oposição conseguiu organizar 48 comissões provisórias municipais, ficando sem estrutura formal em 26 municípios. Finalmente, no dia 10 de agosto, o Diretório Municipal do MDB em Aracaju elegeu a sua comissão executiva. Mal o partido acabava de superar uma formalidade legal, a ditadura estabelecia novas barreiras a transpor, como a Lei Orgânica dos Partidos (Lei 5.682), sancionada em 21 de julho de 1971. Nos primeiros meses de 1979, aproveitando-se do clima formado em torno da discussão a respeito da anistia aos exilados políticos e do próximo retorno ao país de muitos líderes que se encontravam no exterior, os chefes militares estimularam a discussão a respeito da necessidade de dissolver o MDB. A estratégia era a de estimular a formação de vários partidos capazes de abrigar os vários líderes oposicionistas, numa clara tentativa de fragilizar a força crescente do Movimento Democrático Brasileiro. A partir da sua cadeira de deputado federal, Jackson Barreto defendeu a manutenção do Movimento Democrático Brasileiro como partido político, entendendo ser tal organização partidária o representante legítimo de uma frente única de oposição: Hoje propomos a união de todos em torno do MDB, pois sua divisão agora só interessa aos detentores do poder ditatorial. Amanhã, entretanto, quando as condições forem outras que cada um se agrupe nas tendências que mais lhe aprouver, perseguindo democraticamente, sem medo de ser torturado, morto ou vilipendiado no seu direito inalienável de lutar pela vida, pela liberdade e pela felicidade do seu povo. Jackson entendia como “casuísmo antidemocrático e covarde” a proposta do governo ditatorial de extinção dos partidos existentes, posto não ser aquela a primeira vez que se tentava extinguir o MDB, principalmente naquele momento em que o partido estava consolidado como uma frente democrática das oposições, a única força capaz de levar o governo a recuos na luta pela redemocratização do país. Da mesma maneira, ele também condenava outra proposta governista em curso, como a prorrogação dos mandatos eletivos. Algumas vezes as pressões para extinção do MDB terminavam por envolver mesmo as lideranças mais comprometidas com o partido. Em junho de 1979, o senador Gilvan Rocha participou das articulações que reuniam um grupo de 10 senadores que buscavam constituir um novo partido, não obstante a prioridade posta pelo senador sergipano haver sido a da luta contra a extinção do Movimento Democrático Brasileiro. Da articulação, além dos senadores, participavam também lideranças da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB e do movimento sindical. Algumas reuniões aconteceram na residência do parlamentar pelo MDB de Sergipe reunindo líderes como Amaral Peixoto, Nelson Carneiro, Chagas Freitas, Mauro Benevides, Dirceu Cardoso, Tancredo Neves, Evilásio Vieira, Orestes Quércia, Itamar Franco, Agenor Maria e Hugo Ramos. O que se anunciava era um novo partido que incorporasse lideranças que voltariam do exílio, como Leonel Brizola e Miguel Arraes. Em Sergipe era dada como certa a participação do senador Gilvan Rocha e dos deputados federais Celso de Carvalho (da Arena) e Tertuliano Azevedo (do MDB). Na Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe eram citados, como possíveis parlamentares do novo partido os nomes dos emedebistas Reinaldo Moura, Baltazar Santos e Hildebrando Costa, além dos arenistas Artur Reis e Luiz Alves. Na Câmara de Vereadores de Aracaju era citado o nome do arenista Narcizo Machado. Mas, outras lideranças do MDB sergipano eram citadas freqüentemente como nomes que poderiam compor o novo partido, a exemplo de Wellington Paixão. Algumas lideranças do Movimento Democrático Brasileiro, como o deputado Marcelo Cerqueira, consideravam a reforma partidária inoportuna. Na verdade, a maioria dos líderes do MDB defendia que a reforma partidária fosse feita através de um plebiscito no qual se consultasse a opinião do eleitor brasileiro, respaldando os grupos interessados e os embriões dos novos partidos. A reforma partidária, contudo, foi aprovada pelos deputados e senadores ligados ao governo, inclusive com um terço do senado eleito de forma indireta em 1978. A lei 6.767, aprovada no dia 22 de novembro de 1979, extinguiu a sublegenda e os dois partidos criados pelo ato complementar numero quatro, obrigando as novas agremiações a adotarem o nome Partido e um P como primeira letra da sua sigla. Assim, o Movimento Democrático Brasileiro, buscando manter as suas características adotou a denominação de Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB.
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h04
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As pressões contra o MDB II
A prática de aliciar os quadros do MDB e pressioná-los a se transferir para a Arena não era nova. Desde 1966, quando da fundação do partido, foram muitos os registros, nos diferentes Estados das seduções dirigidas às lideranças da oposição para que se transferissem às hostes da Aliança Renovadora Nacional. No próprio Estado de Sergipe, em agosto de 1968, o deputado Edson Mendes de Oliveira, eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro, encaminhou carta à direção do partido anunciando a sua filiação no partido do governo: Após a minha posse na Assembléia Legislativa, infelizmente, não pude me ajustar à linha política traçada pelo partido e, em conseqüência, divergi freqüentemente dos meus companheiros. Declaro que tal discordância política não se refere, em profundidade, aos programas mas, tão somente, a forma de atuação legislativa. Em face disso e depois de muito meditar, quero comunicar ao prezado Presidente o meu desligamento do Movimento Democrático Brasileiro, ressaltando aos companheiros a minha estima e admiração, pois que a minha saída do MDB não alterará a minha linha política em defesa dos humildes e de todo povo sergipano. Um ano depois, em julho de 1969, Eraldo Lemos, suplente de deputado federal pelo MDB, abandonou as fileiras da oposição e assinou a ficha de filiação da Arena. A prática de aliciamento de parlamentares do MDB, todavia, persistiu até o final do ano de 1979 quando foram registradas as últimas desfiliações do partido, posto que logo depois viria a reforma partidária e começaria o período do PMDB. Os quatro últimos detentores de mandato eleitos pelo MDB em Sergipe que abandonaram a legenda foram os vereadores de Aracaju Aristides Moraes, João Alves da Silva, Manoel Dórea e Jidenal Francisco dos Santos. No dia três de setembro de 1979 os dois primeiros anunciaram, na Câmara Municipal, que estavam deixando o partido e assinando a ficha de filiação à Arena. Quando Aristides anunciou, na tribuna, a sua desfiliação e a do vereador João Alves, a bancada emedebista abandonou o plenário. A divergência entre os dois vereadores e o partido oposicionista teve inicio que o Poder Executivo municipal enviou ao parlamento projeto de lei solicitando autorização para contrair empréstimo com objetivo de concluir as obras do aterro do bairro Coroa do Meio. A bancada do MDB tomou posição contrária à aprovação da proposta, mas os dois vereadores decidiram acompanhar a posição da bancada governista. O deputado federal Jackson Barreto foi contundente na crítica à posição tomada pelos dois vereadores: O vereador João Alves, além de empregar a filha na Prefeitura no mês passado, negociava com o Prefeito sempre que havia necessidade de aprovar um projeto. (...) O vereador Aristides Moraes tem uma construtora em nome de sua filha que trabalha para a Prefeitura. Ele inclusive, acrescento, pode ser enquadrado no Projeto-lei 201 que trata do crime de responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores. Ele é vereador negociando com a Prefeitura. No mesmo dia, a Executiva Estadual do MDB emitiu Nota Oficial apresentando as razões que levaram o partido a fechar questão contra o projeto: O MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO posicionou-se contra o Projeto nº 30, de autoria do Poder Executivo, que autoriza o refeito Municipal a contrair empréstimo até o montante de 800 milhões de cruzeiros calculados em UPCs pelos motivos que passa a expor: 1º) – O Prefeito Municipal de Aracaju conforme foi amplamente divulgado assinou 2 aditivos ao contrato inicial do Projeto da Coroa do Meio num montante de 523 milhões de cruzeiros com a firma ODEBRECHT sem abertura de concorrência pública, ara empreendimento de tal vulto, infringindo assim a legislação que regula as licitações pelo poder público; 2º) – O fato causou estranheza desde quando a 1ª etapa do projeto ainda não estava concluída e já o Prefeito azia tal aditivo quatro vezes superior ao valor da primeira etapa; 3º) – O aterro hidráulico da área foi contratado no valor de Cr$ 85,00 o metro cúbico com correção monetária trimestral quando se sabe que o aterro hidráulico não ultrapassaria Cr$ 40,00 e podem ser feito apenas por três empresas especializadas entre as quais não se encontra a atual empreiteira de reputação duvidosa; 4º) – Para fazer face às despesas vem sendo solicitada pelo Executivo autorização para a necessária abertura financeira dos aditivos mencionados através do referido projeto; 5º) – O pedido não atende as finalidades do projeto CURA, cujo fim específico é atender às populações de baixa renda sem acesso ao futuro bairro elitista da Coroa do Meio; 6º) – É inaceitável que o projeto tenha as garantias apenas do ICM e das quotas do Fundo de Participação sem incluir necessariamente as vendas dos lotes de um empreendimento dito autofinanciável; 7º) – Pelas razões alegadas e outras já denunciadas pela imprensa local a bancada do MDB reunida na manhã de ontem, ouvidos todos os vereadores, e NÃO HAVENDO discrepância na Bancada resolveu fechar questão para rejeitar o projeto; 8º) – Causou estranheza que a ARENA através da Liderança tenha solicitado na sessão de ontem a retirada do Projeto; 9º) – Rejeitado o pedido de retirada do Projeto seria mesmo apreciado e votado na sessão de hoje, quando o MDB para surpresa de todos recebeu a notícia do desligamento dos seus quadros partidários dos vereadores ARISTIDES MORAIS e JOÃO ALVES DA SILVA; 10º) – O Movimento Democrático Brasileiro lamenta a saída dos dois ex-companheiros mas diante dos fatos tem fundadas razões para suspeitar que os mesmos tenham sido corrompidos para se desligarem do Partido com o fim de a qualquer preço aprovar o Projeto. Aracaju, 14 de setembro de 1979. DEPUTADO FEDERAL TERTULIANO AZEVEDO PRESIDENTE DA EXECUTIVA ESTADUAL DO MDB DEPUTADO FEDERAL JACKSON BARRETO SECRETÁRIO DA EXECUTIVA ESTADUAL DO MDB
Categoria: Artigos
Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 07h06
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