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ENSINO, PESQUISA E MEMÓRIA: PROBLEMAS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA PESQUISA E DO ENSINO DA QUÍMICA EM SERGIPE (1923-1926) - V
Na área do Quissamã instalou-se o Centro Agrícola Epitácio[i] Pessoa[ii], sendo fundado um laboratório de análises com o objetivo de “atender ao requisito da falta de controle científico e conhecimentos técnicos na produção do solo”[iii]. Mas, a pedra de toque do projeto naquela região foi o assentamento de vinte e duas famílias de colonos alemães, uma experiência frustrada e abandonada em seguida[iv]. Desde o século XIX a formação de colônias agrícolas com trabalhadores europeus era defendida por intelectuais e políticos. No entender da intelligentsia nacional do século XIX, o principal problema brasileiro era o predomínio da população de origem africana e mestiça, de forma que o aumento do estoque da população de origem européia era um objetivo em si mesmo, ainda que, eventualmente, não resolvesse o problema de braços para a lavoura[v]. É necessário observar este período de modo mais amplo e verificar que a década de 1920 em Sergipe representou um momento importante para a difusão dos conhecimentos da Química, principalmente quando se considera que sucessivos governos investiram na criação de laboratórios destinados ao ensino dessa ciência, como o presidente Manoel Dantas, que exerceu a chefia do Poder Executivo sergipano entre os anos de 1927 e 1930. Preocupado com a modernização educacional e com o nível de instrução científica das professoras primárias, ele instalou um moderno laboratório na Escola Normal Rui Barbosa de modo a dotar a instituição de meios práticos para a realização do seu mister. O discurso educacional que fazia à época o diretor geral da Instrução Pública e Diretor da Escola Normal, Manoel Franco Freire, era influenciado pelos preceitos da pedagogia moderna e defendia um modelo pedagógico de caráter prático[vi]. O caráter do ensino de Química no laboratório da Escola Normal era o da aplicação desse conhecimento à vida prática, doméstica e industrial. O laboratório era, portanto, o meio de dar forma concreta às lições. A mesma mentalidade fora determinante, no final do ano anterior, sob o governo do coronel Cyro de Azevedo, para a reorganização do laboratório de Química do Colégio Atheneu. Por outro lado, através da lei estadual número trinta, de 18 de dezembro de 1935, obrigou todas as escolas privadas que oferecessem o ensino normal a manter laboratórios de química em funcionamento, dentre outras instalações acadêmicas[vii]. Entretanto, o ensino das Noções Gerais de Química estava presente no currículo das escolas secundárias de Sergipe desde o século XIX. No Liceu Sergipense, instalado em outubro de 1862, essa disciplina científica ocupava posição destacada no currículo. Captar esse processo de formação do campo é fundamental. Há necessidade de olhar o Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe por dentro, apanhar as suas práticas, priorizando esse enfoque sem, contudo, desprezar o âmbito das suas relações com a vida social do mundo exterior, uma vez que as instituições científicas de cada sociedade correspondem a suas necessidades.
[ii] Na década de 1930, o Centro Agrícola Epitácio Pessoa foi transferido para o controle do Ministério da Agricultura e se transformou na Estação Experimental de Plantas Têxteis. Cf. BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. 1938. Relatório das atividades do Ministério da Agricultura, durante o período de julho de 1934 a dezembro de 1935, apresentado pelo Ministro Odilon Braga. Rio de Janeiro, Diretoria de Estatística da Produção do Ministério da Agricultura. p. 15. [iii] Cf. SERGIPE. 1923. Mensagem apresentada à Assembléia Legislativa em 7 de setembro de 1923, ao instalar-se a Primeira Sessão ordinária da Décima Quinta Legislatura, pelo Dr. Maurício Graccho Cardoso, Presidente do Estado. Imprensa Oficial. [iv] “Iniciei a colonização estrangeira, com a localização, nos lotes adrede preparados, nesse estabelecimento, de 22 famílias alemãs. Penso que surtirá bom resultado este tratamento, que virá animar os proprietários agrícolas, que tanto sentem a falta de braços para o tamanho de suas terras, a procurarem esse valioso elemento. O Patronato São Maurício, que ali fiz erguer, com capacidade para 200 menores, aguarda apenas a terminação do mobiliário, para ser inaugurado”. Cf. SERGIPE. Mensagem apresentada à Assembleia Legislativa, em 07 de setembro de 1924, ao instalar-se a 2ª sessão ordinária da 15ª legislatura pelo Dr. Maurício Graccho Cardoso Presidente do Estado.p. 24. [v] Cf. PASSOS Subrinho, Josué Modesto dos. 2000. Reordenamento do trabalho. Trabalho escravo e trabalho livre no Nordeste açucareiro. Sergipe 1850-1930. Aracaju, Funcaju.p. 280. [vi] Cf. VALENÇA, Cristina de Almeida. 2003. Entre livros e agulhas: representações da cultura escolar feminina na Escola Normal em Aracaju (1871-1931). São Cristóvão. Monografia (Licenciatura em História). Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe. [vii] Cf. SERGIPE. Lei nº 30, de 18 de dezembro de 1935.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h53
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ENSINO, PESQUISA E MEMÓRIA: PROBLEMAS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA PESQUISA E DO ENSINO DA QUÍMICA EM SERGIPE (1923-1926) - IV
Ambas as abordagens oferecem importantes contribuições à pesquisa sobre o assunto. O entendimento deste memorialismo é o de que o ensino de Química ao se consolidar no Brasil apresentou dois modelos: o escolar – voltado para o ensino profissional, educando para a formação de profissionais em nível superior – e o de aplicação - através de Institutos de pesquisa aplicada e útil para o emprego agrícola e industrial imediato. Todavia, é necessário alargar a perspectiva de interpretação do desenvolvimento da Química entre nós, buscando para ela uma maior fertilidade científica, tomando contribuições presentes em trabalhos que se dedicam a analisar temáticas como a da formação do campo científico e das práticas escolares e científicas no Brasil, de modo a oferecer maior clareza à constituição do conhecimento histórico quanto a esta questão. Para isto, é necessário ter clareza de que não foi apenas o ensino que ofereceu este tipo de contribuição na história do Brasil. Tal contribuição passa a ser predominante a partir da metade do século XX. Contudo, o campo da pesquisa química, no Brasil e também em Sergipe, vinha se constituindo desde o século XIX, em muitos casos à revelia de instituições de ensino. Por isto, o problema que requer maior atenção neste embate diz respeito ao conjunto de representações sobre a história do Brasil, disseminado a partir do movimento republicano. Dentre as idéias difundidas está presente uma quase consensual certeza de que a política cultural e científica brasileira é obra exclusiva do republicanismo, desfocando assim as discussões a respeito do problema. É evidente que o Estado republicano efetuou transformações no discurso a respeito do ensino e da pesquisa científica, porém não se pode afirmar que tais preocupações e concepções eram novas na sociedade brasileira. As alterações no discurso acerca do ensino e da pesquisa Química durante a primeira metade do século XX, além da busca de legitimação política dos profissionais, são reveladoras do modo como a ciência e o campo acadêmico buscavam legitimar-se sob a condição de serem suficientes para a solução dos problemas brasileiros. As abordagens a respeito do ensino e da pesquisa Química sempre estão presentes nos estudos que discutem as condições sociais do processo produtivo brasileiro no campo e na cidade. Contudo, para compreender a formação e legitimação de atividades como a Química durante a primeira metade do século XX é necessário olhar não apenas para o ensino superior, mas também buscar o processo de organização de uma rede de instituições de pesquisa. Quando o presidente do Estado de Sergipe, Maurício Graccho Cardoso, criou o Instituto de Química Industrial, em julho de 1923, já estava consolidada a consciência de que a Química, ao lado da Biologia, da Física e da Matemática, constituía o campo disciplinar legitimador dos paradigmas e dos conceitos da medicina. Esta função, a Química adquirira ao mesmo tempo em que se legitimara, na segunda metade do século XIX, como ferramenta fundamental ao desenvolvimento da indústria. Por isto, se considerava importante formar “químicos analistas capazes de orientar (...) os laboratórios e as indústrias”[i]. Assim é que o Instituto, ao ser implantado tinha dois grandes objetivos definidos: a manutenção de laboratórios para análises dos problemas químicos ligados aos produtos agrícolas e industriais; e, a formação de químicos analistas. O decreto do presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, que criou a nova instituição afirma que “a química é uma ciência que se prende a todos os ramos do saber universal, e como tal, dela dependem as indústrias de maior relevância para o homem”. Quando da instalação do Instituto, o presidente Graccho Cardoso, convidou o professor Archimedes Pereira Guimarães para implanta-lo, na condição de primeiro diretor. Professor de Química Orgânica e Instrumental do Curso de Química Industrial da Escola Politécnica da Bahia, Archimedes Guimarães chegou a Sergipe defendendo que o Instituto deveria exercer a missão superior e delicada que lhe seria destinada, e não deveria preocupar-se com todos os problemas agrícolas e industriais que poderiam vir a ser uma fonte de riqueza para o Estado, mas tão somente em incentivar a produção daquelas matérias primas já em exploração e comércio, melhorando-as quer no estado bruto, quer como produtos acabados, de acordo com os modernos ensinamentos científicos[ii]. De acordo com o seu entendimento, o Instituto deveria priorizar a análise de produtos agrícolas e industriais que fossem já objeto de comércio, além da formação de novos profissionais dedicados à análise de produtos químicos. A instituição foi instalada inicialmente em um edifício situado à rua Duque de Caxias. O equipamento, o mobiliário e os insumos foram adquiridos em São Paulo, no Rio de Janeiro e importados da Europa e dos Estados Unidos da América. O projeto implementado pelo professor Archimedes no Instituto de Química Industrial levou a instituição a desenvolver dois tipos de atividades laboratoriais: o primeiro manteve um laboratório completo para análises da cana-de-açúcar e do açúcar manufaturado em todas as suas fases de fabricação, “tendo sempre em vista o seu maior rendimento, para análises dos óleos vegetais e pesquisas sobre sua extração e exploração mais vantajosas, especialmente sobre o aproveitamento industrial dos cocos nuciferas, para análise de terras, adubos, inseticidas etc”[iii]. O laboratório para o açúcar foi concebido para manter relações estreitas com uma estação experimental de cana, nos mesmos moldes da existente em Campos, no Rio de Janeiro. Dentre os sonhos do professor Archimedes estava o propósito de conseguir, através da melhoria do cultivo da cana, a obtenção do álcool industrial como substituto da gasolina. O professor Archimedes levou o Instituto a estudar também o tanino do mangue, abundante em toda a orla marítima e fluvial de Sergipe, de modo a aplicá-lo nos curtumes e tinturarias, sobre as féculas e a panificação, de modo a obter um tipo de pão misto de trigo e mandioca. Em torno da pesquisa do tanino havia também a expectativa de aplicação em materiais cerâmicos, bebidas e uma grande variedade de gêneros alimentícios. Um ano antes de fundar o Instituto de Química Industrial, o presidente Maurício Graccho Cardoso já demonstrava uma preocupação muito acentuada com os problemas agrícolas de Sergipe e os impactos da atividade agrícola na economia local. Para dinamizar o setor ele criou o Banco Estadual de Sergipe e implantou centros experimentais de sementes selecionadas, principalmente com a finalidade de aperfeiçoar a produtividade e a qualidade do algodão em Sergipe. Com o mesmo propósito contratou um pesquisador norte-americano, o professor Thomaz R. Day, oriundo do Texas. O principal objetivo buscado com a presença deste especialista estrangeiro em Sergipe era fundar a Estação Experimental Miguel Calmon. Em 1923, Graccho Cardoso criou o Departamento Estadual do Algodão.
[i] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. 1923. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães. [ii] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. 1923. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães. [iii] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. 1923. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 09h48
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ENSINO, PESQUISA E MEMÓRIA: PROBLEMAS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA PESQUISA E DO ENSINO DA QUÍMICA EM SERGIPE (1923-1926) - III
2 - O MÉTODO, A MEMÓRIA E A HISTÓRIA INSTITUCIONAL O estudo da história das instituições científicas e da difusão das suas práticas formativas e de pesquisa pode ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento de cada um dos campos específicos, possibilitando o debate sobre os itinerários teórico-metodológicos e a reflexão sobre as formas de transmissão da cultura científica e tecnológica. O campo de estudos sobre a história da ciência e da tecnologia em Sergipe ainda é incipiente. Existem alguns esforços encetados pela Universidade Federal de Sergipe, pela Universidade Tiradentes e pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe. Vale também registrar o esforço que vem sendo feito, recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Sergipe – FAP/SE, estimulando algumas iniciativas. Na mesma direção, assiste-se a uma preocupação crescente no país com a memória da ciência e da tecnologia, revelando esforços para a recuperação de informações sobre o passado. Os oitenta anos de funcionamento do ITPS não foram efetivamente celebrados pelos profissionais da Química em Sergipe. Todavia, constituir e colocar em circulação uma memória é a forma prática de oferecer as bases empíricas para a organização de um campo científico: o da História. A história é, por assim dizer, a forma científica de organização da memória. Esta, por ser fruto de uma escolha efetuada pela ação temporal das configurações humanas, se apresenta sob a condição de monumento. Ou, quando tomada pelos historiadores, submetida ao trabalho destes, caracterizada como documento. O historiador Jacques Le Goff lembra que a palavra latina monumentum remete para a raiz indo-européia men, que exprime uma das funções essenciais do espírito (mens), a memória (memini). O monumentum é um sinal do passado... é tudo aquilo que pode evocar o passado, perpetuar a recordação, por exemplo, os atos escritos. O monumento tem como característica o ligar-se ao poder de perpetuação voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (é um legado à memória coletiva) e o reenviar a testemunhos que só numa parcela mínima são testemunhos escritos[i]. As contribuições memorialísticas são sempre bem vindas. Principalmente, quando bem ordenadas e expostas de um modo que vão além dos limites da própria memória. O ensino e a pesquisa em Química podem ser analisados sob diferentes aspectos. O que se propõe aqui é o entendimento das diferentes propostas e das práticas mais importantes que, ao longo de três anos, marcaram a atuação do Instituto de Química Industrial e a primeira experiência do ensino superior de Química em Sergipe. A participação de Sergipe no processo de organização de uma rede nacional de instituições destinadas ao ensino e pesquisa da Química é um tema que não recebeu a devida atenção da produção historiográfica sergipana. Mesmo com o funcionamento de tais instituições, em Sergipe, durante todos esses anos ininterruptamente, a pesquisa e o ensino de Química não tem sido objeto de estudos sequer por parte dos pesquisadores que se dedicam a investigar a História da Educação e a História da Ciência, menos ainda, tem recebido atenção dos químicos industriais e dos engenheiros químicos. De um modo geral, são poucos os estudos de História da Educação e sobre a História da Ciência no Brasil que se dedicam a investigação dessa temática. A bibliografia sergipana registra apenas dois textos específicos sobre o assunto, ambos memorialísticos. Um deles foi elaborado pelo professor José Pedro de Andrade Castor[ii] e o outro é de autoria da professora Djalma Andrade[iii]. A memória específica sobre a formação de profissionais da Química em Sergipe apresenta duas características explicativas: a primeira remete para a representação construída pela geração de 1948, que se apresenta como fundadora do campo e, em certa medida, secundariza as contribuições da geração de 1923, posto que o foco dos holofotes tende a deixar na penumbra o grupo que se dedicou a este mister no período entre guerras. Além disso, a memória da geração de 1948 tende a assumir a identidade de ter sido o primeiro grupo de pesquisadores no campo a realizar estudos sistemáticos associados ao processo de formação, produzindo para o grupo antecedente a representação de excelentes estudiosos, que infelizmente não teria desfrutado da possibilidade de formar profissionais (o que é verdadeiro apenas em parte) e por isto teria trabalhado com pesquisas pontuais destinadas a resolução de problemas tecnológicos imediatos ligados ao processo de produção (o que é improcedente); a segunda característica dessa memória remete a organização de um conjunto de instituições científicas destinadas à pesquisa Química em Sergipe, na década de 1920, a uma suposta premência da expansão capitalista no Estado. A legitimação da primeira tendência pode ser observada em trabalhos memorialísticos como o do professor José Pedro de Andrade Castor, que afirma a identidade da geração de 1948 como a dos criadores de “uma elite de profissionais competentes, capaz de promover e estimular o desenvolvimento cultural e industrial do Estado e, conseqüentemente do país”[iv]. Elite na qual esses mesmos memorialistas se inserem, apresentando-se então como membros da geração de fundadores, ou, na pior das hipóteses, por ela formados. Já a afirmação da segunda tendência pode ser obtida em estudos que analisam a implantação do ensino superior em Sergipe, analisando tal processo “como conseqüência do desenvolvimento econômico”[v].
[i] Cf. LE GOFF, Jacques. 1984. “Documento/Monumento”. In: Enciclopédia Einaudi. Vol. 1. Memória-História. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda. p. 95-106. [ii] Cf. CASTOR, José Pedro de Andrade. 1999. Op. cit. p. 71-77. [iii] Cf. ANDRADE, Djalma. 1999. Op. cit. p. 91-99. [v] Cf. SANTOS, Lenalda Andrade. 1999. “Da dispersão à unidade: o trajeto da UFS”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS. p. 12. Partem dos mesmos pressupostos as interpretações produzidas por dois outros autores: Cf. OLIVA, Luiz Eduardo. 1990. O processo de gestação de uma universidade do Nordeste: o caso Sergipe. Florianópolis, Dissertação (Mestrado em Administração). Universidade Federal de Santa Catarina; LIMA, Luiz Eduardo Pina. 1993. Ideologias e utopias na História da Educação: o processo de criação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. 1950-1951. São Cristóvão, Monografia (Especialização em Ciências Sociais). Universidade Federal de Sergipe.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h36
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ENSINO, PESQUISA E MEMÓRIA: PROBLEMAS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA PESQUISA E DO ENSINO DA QUÍMICA EM SERGIPE (1923-1926) - II
O decreto do presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, que criou a nova instituição afirma que “a química é uma ciência que se prende a todos os ramos do saber universal, e como tal, dela dependem as indústrias de maior relevância para o homem”. Em 1926, o Instituto de Química Industrial passou a ter a denominação de Instituto Arthur Bernardes[i] e em 1942 de Instituto de Química e Bromatologia do Departamento de Saúde Pública de Sergipe[ii]. No ano de 1942, o Instituto foi incumbido de preparar analistas capazes de melhorar a técnica das indústrias existentes ou fomentar novas indústrias, bem como realizar análises de matérias primas, produtos e sub-produtos e fazer pesquisas de sua especialidade que interessem ao desenvolvimento dos processos agrícolas, industriais, a saúde pública e ao esclarecimento da polícia e da justiça[iii]. Para cumprir tal objetivo o Instituto foi dividido em duas seções: Escola de Química[iv] e Seção de Análises e Pesquisas. Por fim, em outubro de 1948, o Instituto recebeu a sua atual denominação: Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe. O Conselho Nacional de Educação autorizou a instalação do curso de Química Industrial em julho de 1949[v] e o governo estadual regulamentou o funcionamento da Escola de Química de Sergipe em dezembro do mesmo ano[vi]. As atividades letivas foram iniciadas em 1950. A Escola, porém continuou integrada à estrutura do ITPS e o diretor do órgão estadual de pesquisa acumulava também a direção da Escola de Química que, de resto, continuava funcionando nas dependências do Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe. O curso de Química oferecido obteve reconhecimento em 1953[vii], o que “permitiu a seus diplomados o exercício da profissão em todo o território nacional”[viii]. A Escola de Química de Sergipe entrou em nova fase a partir de 1962, quando ganhou autonomia e separou-se do Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe. Em 1968, com a criação da Universidade Federal de Sergipe, a Escola passou a integrar a sua estrutura como Instituto de Química. A formação oferecida foi ampliada dois anos depois, com a criação do curso de Licenciatura em Química[ix]. O curso de Engenharia Química foi criado no ano seguinte[x].
[i] Cf, SERGIPE. Decreto nº 942, de 16 de julho de 1926. [ii] Cf. SERGIPE. Decreto nº 142, de 04 de dezembro de 1942. [iv] Cf. SERGIPE. Lei nº 86, de 25 de novembro de 1948. [v] Cf. BRASIL. Decreto nº 26.928, de 21 de julho de 1949. [vi] Cf. SERGIPE. Decreto nº 161, de 31 de dezembro de 1949. [vii] Cf. BRASIL. Decreto nº 32.766, de 14 de maio de 1953. [viii] Cf. CASTOR, José Pedro de Andrade. 1999. “Histórico dos cursos em Química Industrial e Engenharia Química”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS. p. 72. [ix] Cf. ANDRADE, Djalma. 1999. “O curso de Licenciatura em Química”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS. p. 91. [x] Cf. CASTOR, José Pedro de Andrade. 1999. “Histórico dos cursos em Química Industrial e Engenharia Química”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS. p. 71-77.. P. 75.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 01h17
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ENSINO, PESQUISA E MEMÓRIA: PROBLEMAS METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA PESQUISA E DO ENSINO DA QUÍMICA EM SERGIPE (1923-1926)
Jorge Carvalho do Nascimento[i] 1 - INTRODUÇÃO Este estudo é uma primeira tentativa de análise da trajetória histórica do ensino e da pesquisa da Química em Sergipe. O Instituto de Química Industrial de Sergipe, atualmente Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe, foi a primeira instituição a se dedicar a este campo de ensino e pesquisa no Estado. Fundado em 1923[ii], pelo presidente Maurício Graccho Cardoso, logo após a criação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo, e do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, no Rio de Janeiro, o Instituto de Química industrial buscava contribuir para com o aperfeiçoamento da indústria do açúcar – principal fonte da riqueza em Sergipe nas primeiras décadas do século XX. A crença era de que o aumento da produção estava diretamente relacionado ao conhecimento da composição do solo, à melhoria do cultivo da planta e ao controle químico da produção em laboratório. O Instituto de Química Industrial oferecia um curso de três anos de nível superior destinado a preparação de técnicos para a indústria açucareira, a exploração do sal, a preparação do couro e o aproveitamento das plantas oleaginosas. Este trabalho foi delimitado temporalmente entre os anos de 1923 e 1926, por serem estes os anos que marcam o momento no qual se registra o início do efetivo funcionamento da primeira instituição estatal dedicada ao ensino e a pesquisa da Química em Sergipe e a crise do primeiro curso superior de Química sergipano. Este trabalho nasceu da necessidade de estudar a história do ensino e da pesquisa Química em Sergipe, como parte do processo de organização do Centro de Memória da Ciência e da Tecnologia – CMCT. Assim, buscou entender os procedimentos próprios a organização da entidade de ensino e pesquisa que atualmente funciona sob a denominação de Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe – ITPS. A investigação envolve o estabelecimento de categorias analíticas capazes de estabelecer distinções e menções a teorias. A modalidade de ensino aqui analisada diz respeito ao ensino técnico de nível superior oferecido pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe a partir do início do século XX. A análise apresentada tomou como base quatro textos publicados em Sergipe que tratam da história da pesquisa e do ensino da ciência e da tecnologia em Sergipe. Dois deles discutem o problema da organização da Universidade Federal de Sergipe[iii] e dois outros se debruçam especificamente sobre a pesquisa e o ensino da Química[iv]. Os dois estudos específicos sobre a História do ensino da Química em Sergipe foram avaliados a partir da perspectiva historiográfica que expressam.
[i] Doutor em História da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP. Professor adjunto do Departamento de História e do Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe – UFS. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação: Intelectuais da Educação, Instituições Educacionais e Práticas Escolares. E-mail: jorge@ufs.br [ii] Cf. SERGIPE. Decreto nº 825, de 27 de junho de 1923. [iii] Cf. OLIVA, Luiz Eduardo. 1990. O processo de gestação de uma universidade do Nordeste: o caso Sergipe. Florianópolis, Dissertação (Mestrado em Administração). Universidade Federal de Santa Catarina; LIMA, Luiz Eduardo Pina. 1993. Ideologias e utopias na História da Educação: o processo de criação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. 1950-1951. São Cristóvão, Monografia (Especialização em Ciências Sociais). Universidade Federal de Sergipe. [iv] Cf. CASTOR, José Pedro de Andrade. 1999. “Histórico dos cursos em Química Industrial e Engenharia Química”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS; e, ANDRADE, Djalma. 1999. “O curso de Licenciatura em Química”. In: ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares e SANTOS, Lenalda Andrade. UFS: História dos cursos de graduação. São Cristóvão, UFS.
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Escrito por Jorge Carvalho do Nascimento às 02h05
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